Caminhos do Crime | Uma ótima surpresa que passou batida
Críticas GeraisO tempo passou e quando você menos percebeu, cá estamos nós na metade desse tal 2026. Cá estamos em Junho (também conhecido como o melhor mês de todos os tempos para mim, pois é o mês do meu aniversário, além de ser Festa Junina, é óbvio!) e já podemos dizer que alguns filmes estão ganhando mais destaque que outros. Desde janeiro, temos alguns exemplos de ótimos filmes sendo lançados no cinema. Alguns apresentaram boas recepções do público, outros mais da crítica. Mas o que podemos afirmar é que tem sido um ano interessante até agora, no mínimo. E em meio à tantos lançamentos, alguns acabam passando despercebidos pelo grande público.
É o caso de “Caminhos do Crime”, lançado em fevereiro deste ano nos cinemas. Atualmente está disponível no Prime Video. Inclusive este tema do mês é uma ótima oportunidade para eu fazer um mea-culpa aqui, pois assisti esse aqui no cinema sem tanta expectativa, e acabei me surpreendendo demais. Só não cheguei a escrever sobre aqui, pois estávamos naquela correria toda de Oscar e outras premiações, que acabei focando em outros artigos. Mas errei feio, errei rude não escrevendo sobre ele antes.

→ Menções honrosas
Lançamentos do fim de 25/início de 26
Antes, podemos mencionar algumas produções que acompanharam a leva do ano passado, os ditos filmes do Oscar que tiveram seus lançamentos originais ano passado, porém só chegaram em 2026 aqui no Brasil, como por exemplo “Hamnet”, “Marty Supreme” e as animações maravilhosas “Arco” e “A Pequena Amélie”. Todos estes comentei aqui no Peliplat:
- “Marty Supreme e os sonhos suprimidos”
- “Hamnet, Song Sung Blue & …Legs… | Sessão Tripla do FDS #3 das Mães em Sofrimento”
- “Arco & A Pequena Amélie | A Dobradinha da Infância”

Aliás, alguns destes filmes dessa maratona da premiação só consegui assistir esse ano, porém não foram lançados este ano. Sendo assim, não comentarei sobre eles aqui. Apenas acho válido a menção juntamente com os artigos que escrevi sobre eles, pois foram filmes que me surpreenderam demais. Um adendo aqui inclusive: o primeiro filme que assisti neste ano foi “Valor Sentimental”, e ele foi lançado originalmente no finalzinho de dezembro aqui no Brasil. E é fortemente o melhor filme que assisti esse ano, comentei mais aqui:
- “Valor Sentimental, Labi Siffre, daddy issues & o silêncio que machuca”
- “A Voz de Hind Rajab & Sirät | A Dobradinha do sentimento de impotência”
- “Oscar 2026 | Minhas apostas e rankings de todas as categorias”

Algumas impressões sobre 2026
Continuando apenas nas menções, é preciso ressaltar algumas decepções. Alguns destes filmes até me deram ânimo para escrever sobre por aqui, apesar de não atender as expectativas. É o caso de “Pânico 7”, “O Morro dos Ventos Uivantes” e “Michael”.
- “Pânico 7, A7X & Stab | Sempre foi sobre Sidney Prescott”
- “O Morro dos Ventos Uivantes DARIA para um bom NOVELÃO das 23”
- “Michael | O paradoxo entre a natureza humana e o divino”

No entanto, teve também casos de filmes que estavam ali na minha agenda para escrever sobre, porém acabaram me desagradando tanto que fui perdendo aquela vontade de comentar a respeito, é o caso de “O Diabo Veste Prada 2”, deixei apenas a minha resenha rápida no perfil. Outros como “O Primata”, “A Noiva!” e “Super Mario Galaxy” acabaram me agradando de certa forma, mas não a ponto de comentar em um artigo profundo sobre isto. Mentes melhores analisaram mais adequadamente estes filmes por aqui, eu garanto. Além disso, estou devendo algumas produções é verdade (este ano não estou conseguindo ver tantos lançamentos assim, mas vamos lá).

Outrossim, gostaria de fazer mais um mea-culpa aqui. A Pixar lançou “Cara de um, Focinho de outro” neste ano há alguns meses, e eu acabei deixando apenas a resenha no perfil. Gostaria de ter feito um artigo à parte sobre este aqui, pois a verdade é que gostei demais desta animação. E analisando a oportunidade do tema deste mês, poderia facilmente discorrer sobre. Contudo, queria falar sobre o “Caminhos do Crime”, pois em termos de comparação o filme de ação acabou sendo mais esquecido do que a animação.

Destaques do ano
Agora, para concluir as menções honrosas: haviam dois filmes pouco badalados que foram lançados em 2026 e que gostaria muito de prestigiá-los nos cinemas mesmo. São eles “Isso Ainda Está de Pé?” e “Família de Aluguel”. Ambos comentei recentemente aqui no Peliplat:
- “Isso Ainda Está de Pé?, Under Pressure & o quebrar para consertar”
- “Família de Aluguel, David Byrne & os diferente papéis que interpretamos”
Não consegui assistir no cinema, mas consegui verificá-los no Disney +. Certamente, estes foram os lançamentos que mais me emocionaram e caberiam aqui no tema. Porém, como comentei com mais profundidade sobre eles em artigos recentes, vou deixar apenas esta minha indicação aqui.

Além disso, é bom comentar que “Devoradores de Estrelas” acabou ganhando demais o coração, dentre os lançamentos maiores recentes. Escrevi sobre aqui:
Finalmente, vou deixar minhas expectativas aqui para “A Odisseia” e “Coyote vs Acme” que são futuros lançamentos que estou bem empolgado para conferir. Inclusive, comentei um pouco sobre este último neste artigo:

→ Depois de tantos caminhos, o do crime de fato
Crime mesmo foi este filme não ter tido a atenção merecida. Podemos até afirmar que teve um público cativo nas primeiras semanas quando estreou no streaming pelo Prime Video. Porém, ficou apenas marcado como só ‘mais um filme de ação genérico’ do ano. Sendo que não é bem por aí.

Dirigido e roteirizado por Bart Layton, adaptado do livro homônimo de Don Winslow, “Crime 101” (“Caminhos do Crime” no Brasil) se passa em uma desoladora Los Angeles sendo o cenário perfeito para uma corrida de gato e rato entre a polícia e um criminoso misterioso. Um dos pontos de maiores destaques do longa é a forma como o crime está por todos os cantos, seja em uma Los Angeles ensolarada de dia deixando o laranja ornar com a sujeira urbana da cidade ou hiper-iluminada à noite com o azul tomando conta da beleza de seus prédios.

Além disso, a produção conta com um elenco de dar inveja, tendo nomes como Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Halle Berry, Monica Barbaro, Barry Keoghan, Jennifer Jason Leigh e Nick Nolte. Isto faz com que o filme rapidamente apresente um ritmo interessante dada a dinâmica proposta pela montagem, ao apresentar aos poucos a importância de cada personagem neste tabuleiro envolvente.

Davis (Hemsworth) é um criminoso cujo passado misterioso o leva a se distanciar cada vez mais do mundo exterior. Cada vez mais frio e metódico, Davis se aprofunda ainda mais em suas técnicas avançadas de assalto e persuasão, tendo seus serviços contratados por um mandante das sombras, o Money (Nolte). No entanto, depois de alguns questionamentos e falhas em algumas missões, Money se sente ameaçado por Davis. Isso faz com que o chefão vá atrás de outro criminoso mais temperamental para ir atrás dele, o Ormon (Kheogan).

Neste meio tempo, a polícia está investigando os crimes de toda a região da Rota 101 de Los Angeles, com a operação sendo comentada pelo fracassado Lou (Ruffalo). Todas estas investigações levam aos caminhos de Sharon (Berry), uma corretora de seguros que faz de tudo pela empresa da qual trabalha, porém não apresenta o merecido reconhecimento, fazendo com que ela caia em uma teia de segredos que se cruzam com todos os crimes da rodovia.

Apesar de tantas amarras, o filme é inteligente em construí-las gradativamente, fazendo com que o espectador se interesse pelos dramas pessoais de seus personagens. Cada um tem suas camadas e seus encontros e desencontros destacam ainda mais o fator imersivo humano que tanto falta nestes filmes de ação. Ano passado, escrevi um artigo sobre “Anônimo 2” ("Anônimo 2 | A arte moderna dos filmes de tiozão"), do qual abordei minha opinião sobre os filmes de ação pós-2010, com o destaque para “John Wick” e todas suas ramificações no gênero.

Os filmes deixaram de ter aqueles cortes rápidos e desajustados que amaldiçoaram os anos 2000, e passaram a dar uma atenção maior à ação em si, prestigiando-a como gênero estilizado mesmo, e não apenas como mais um produto anual genérico. “Caminhos do Crime” não segue esta proposta tão decorativa, geometrizada e ornamental, mas vai para um lado um pouco mais esquecido dos grandes filmes de ação, o lado com bons roteiros, como o clássico “Fogo Contra Fogo”.

Aqui temos diversos personagens, o que poderia facilmente ser uma armadilha para si mesmo no roteiro. Porém, suas camadas são tão bem trabalhadas que mesmo quem não está tão presente em tela acaba impactando a história com esmero, como é o caso da personagem de Monica Barbaro. Maya (Barbaro) acaba sendo muito mais que o par romântico casual de Davis, tornando-se uma representação do nosso olhar como público.

Assim como ela, também não sabemos sobre o protagonista. Não temos seu nome verdadeiro, não sabemos nada sobre sua família, não entendemos o porquê do que ele faz. Além destas indagações, Maya serve como um norte para a redenção do personagem, sendo a única que não estava envolvida nesta história toda, sendo o ponto de maior neutralidade em uma história encruzilhada por diversos figurões correndo atrás de seus interesses ilegais.

Um outro ponto ainda mais interessante na trama é a forma que nos deparamos psicologicamente com Davis, Lou e Sharon. Todos os três protagonistas estão em fases semelhantes da vida, em torno dos seus 50 anos. Comentei algo parecido no meu texto sobre a excelente minissérie “Black Rabbit” da Netflix, estrelada por Jason Bateman e Jude Law ("Black Rabbit, The Strokes & o caos nova-iorquino").

Apesar da boa experiência na altura da vida, todos estão se sentindo incompletos, fracassados e desprezados. Todos os caminhos que se seguiram até ali os levaram para direções não tão satisfatórias assim, como imaginaram há uns bons anos. Isso leva à uma visível frustração e cansaço no semblante de todos, mesmo que relutantes e tentados a disfarçar, como é o caso principalmente de Sharon.

Este dilema à la Jackie Brown, com oportunidades de redenção depois de uma viagem caótica pelo crime, faz com que o público entenda todas as motivações de todas as partes. Um último trabalho para um criminoso, um último reconhecimento para um detetive sem sucesso, e um novo recomeço para uma trabalhadora dedicada.

Todos estes fatores complementam o roteiro envolvente de Layton, dando mais espaço para a dramaticidade, sem deixar a ação efetivamente de lado. As cenas de ação são ótimas, inclusive. Todas apresentam um peso real ali. Destaque para uma tentativa de assalto com o personagem de Barry Keoghan.

Portanto, se você está procurando um ótimo filme de ação recente, certamente “Caminhos do Crime” é o filme certo para isto. Uma boa opção para um pipocão no final de semana em casa, assistindo Prime Video. Ainda se fazem ótimos filmes de ação com maior profundidade. Um dos lançamentos de 2026 que mais amei. Sem contar que é um barato ver o Thor, o Hulk e a Tempestade correndo pra lá e pra cá nessa confusão!



























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