Coyote vs Acme & top 10 misturas de live-actions com cartoons

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Recentemente, um trailer de um filme que me interessa muito foi lançado: “Coyote vs. Acme”. Sim, “Coyote vs. Acme” é um dos filmes que eu mais aguardo há anos. Ênfase no ‘anos’, porque já faz um tempo que foi anunciado. Para quem está enturmado com as notícias de bastidores da Warner, já está acostumado com uma certa instabilidade nesta gigante de Hollywood.

É fato que nos últimos anos, a Warner protagonizou algumas polêmicas envolvendo sua administração, sendo uma das mais recentes o caso de sua venda, levando Netflix e Paramount à uma queda de braço envolvente de propostas. Neste sentido, um dos pontos mais marcantes foi quando David Zaslav entrou na jogada como o novo presidente da empresa, firmando a fusão da Discovery com o estúdio centenário lá em 2022, tornando-se Warner Bros. Discovery. Nesta época, a Warner não estava em sua melhor fase financeira, fazendo com que Zaslav tomasse algumas decisões empresariais questionáveis. Algumas delas envolveram o cancelamento de diversos projetos que estavam praticamente prontos, visando redução de impostos. Com isto, alguns filmes foram para a lixeira como o projeto da Batgirl e da sequência de “Scooby!”.

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Particularmente, dentre os cancelados, o projeto que eu mais estava empolgado para assistir era um dos mais esquecidos do churrasco nessa brincadeira: “Coyote vs. Acme”. Por muito tempo, tudo que se tinha sobre a produção era uma imagem e uma sinopse que remetia à filmes de uma época nostálgica para os fãs de Looney Tunes. Tratava-se de um daqueles filmes híbridos entre live-action e animação, no estilo de “Space Jam”, só que desta vez com o Wile E. Coyote e o Papa-Léguas. A trama acompanharia Coyote processando a Corporação Acme pela falta de eficácia de seus produtos, subvertendo a ideia clássica de seus curtas animados cuja premissa sempre foi a corrida de gato e rato entre Coyote e Papa-Léguas, juntamente com a falha dos produtos inovadores e tecnológicos da Acme.

Coyote vs. Acme', filme dos Looney Tunes, tem pôster, data de estreia e  cenas inéditas reveladas - Ingresso.com

Isto é, esta premissa abusaria da metalinguagem, figura de linguagem registrada dos Looney Tunes, principalmente nesses filmes. Quando tomei conhecimento deste filme, na hora me veio a lembrança de “Looney Tunes: De Volta à Ação”, de 2003, com o Brendan Fraser. No longa, o grande vilão era justamente a Acme, encabeçada pelo personagem de Steve Martin. Sempre amei esse filme, um dos DVDs que mais revi na época. Por conta disso, fiquei muito empolgado para o “Coyote vs. Acme”. Entretanto, tudo se sucedeu de uma maneira inesperada na Warner, e o projeto já era carta fora do baralho. Até que do nada, quando tudo parecia perdido, surgiu a salvadora da pátria que comprou os direitos de distribuição: a Ketchup Entertainment.

Coyote Vs. Acme' ganha primeiro trailer com personagens clássicos dos  Looney Tunes - Ingresso.com

No ano passado, uma das melhores animações do ano conseguiu ver a luz do dia graças à distribuição da Ketchup Entertainment, o longa “Looney Tunes: O Dia que a Terra Explodiu”. Talvez você não tenha ouvido falar dela, e caso não tenha visto ainda, dê uma chance. E se de fato você não havia tido nenhum conhecimento dessa produção, isso reforça o quanto Zaslav está sendo vitorioso nessa missão de praticamente apagar o Looney Tunes do imaginário popular. Queridinhos da Warner por anos, é deprimente ver a forma como a marca está sendo deixada de lado pelo magnata em seus anos de administração. São diversas animações saindo do streaming da HBO Max, além de outros projetos cancelados. Se dependesse da Warner atualmente, não teríamos materiais de Pernalonga e companhia tão cedo. Portanto, fica aqui registrado minha sugestão. Atualmente, a animação está disponível para aluguel na Prime Video.

Voltando ao Papa-Léguas. É graças à esta produtora e distribuidora independente que o novo “Coyote vs. Acme” irá estrear no cinema. É uma aposta arriscada, pois hoje em dia filmes desse subgênero não fazem mais tanto sucesso, vide o fracasso de público e crítica da sequência de “Space Jam”, lá em 2021. E é somado à todo risco que bato palmas de pé para a Ketchup por ter pegado na mão dos Looney Tunes e não ter deixado essa franquia morrer. Dito isto, um dos filmes mais aguardados por mim neste ano é, sem dúvidas, este aqui, previsto para agosto.

Antes de qualquer coisa, no próprio trailer podemos ver essa grande tirada a respeito de toda a situação com a linha: “O filme que a Acme não quer que você veja”. Isto claramente é uma alusão à própria Warner e a sua tentativa de apagar este filme do HD. Além disso, podemos ver que lembra muito o filme dos Tunes de 2003, não só pela premissa mas também pelo visual. Há aquele 2D mais fluido, com alguns elementos 3D. Entretanto, há de se concordar que é um filme de risco para um público muito nichado. Faço parte deste público e minhas expectativas estão boas, porém a cara de ‘filme bobo de streaming’ também acaba sendo forte, não dá para negar. Vamos aguardar. Acho interessante ter a presença de John Cena, já que dado todos os seus trabalhos recentes, um filme como este cai muito bem em sua proposta de humor.

Coyote vs. Acme (2026) - IMDb

Devido à minha empolgação com o trailer, decidi comentar sobre dez produções que se encaixam nessa onda de ‘live-actions misturados com animação’. Desses que as pessoas ficam interagindo com ilustrações. Na realidade, temos diversos exemplares há muito tempo. Além de animações (tanto ilustrações quanto stop-motion) servirem como efeitos especiais durante muito tempo em grandes filmes e musicais, também temos a importância do CGI desde que foi implementado, surgindo aqueles casos de comédias com James Marsden interagindo com algum bicho de efeito especial.

James Marsden has found his niche acting role of Man driving talking animal.  : r/Sardonicast

No entanto, não estou falando de desenhos clássicos que ganharam filmes live-action com animais em CGI pós-2000 (Scooby-Doo, Zé Colméia, Pica Pau). Por mais que a interação seja semelhante, o fato de ser um acabamento com CGI mais sofisticado, cria uma atmosfera mais “realista”, integrando a figura cartunesca no mundo real organicamente. Portanto, por mais que um “Scooby-Doo” (2002) da vida se encaixe no mesmo gênero, não é disso que estou falando. Aliás, já fiz um artigo especial de Dobradinha de Halloween apenas para a duologia Doo dos anos 2000. Mas vale as menções para estes e “Zé Colméia” por darem vida à esses cartoons antigos tão amados.

Amazon.com: Scooby-Doo/Yogi Bear (DVD) (DBFE) : Various, Various: Películas  y TV

Voltando ao ponto, estou falando de adaptações ou desenhos que ganharam filmes live-action e mantiveram as animações do tipo cartoon mesmo (2D clássico ou 2D com textura tridimensional e fluido), como se todos vivessem na Toontown de “Roger Rabbit”. É um tipo mais específico, e pretendo deixar de lado alguns casos. Por exemplo, no clássico “Mary Poppins” há a interação de humanos com animações, mas faz parte da fantasia daquele musical. Não que necessariamente o filme se molda a partir disso, mas sim que as ilustrações servem como ferramenta para o espetáculo visual. É válido ressaltar o pioneirismo, mas vejo “Mary Poppins” muito mais como um clássico musical da Disney do que um simples live-action com cartoons. Ou, falando da Disney mais recente, temos “Encantada” com os personagens animados virando reais posteriormente. Neste caso, começa de um jeito e se sucede de outro, o filme não é ‘humanos interagindo com animações’. Seria mais neste sentido.

The Mary Poppins Moment That Made Julie Andrews Panic

Logo, quando lembro desse tipo de filme, não são esses os primeiros que me vem à mente. É claro que existem muitos outros, alguns inclusive estão na minha watchlist, porém devo focar nos que fizeram parte da minha infância e/ou com personagens que são importantes para mim de alguma maneira. Logo, irei rankear meus filmes híbridos favoritos. No caso, pensando em filmes que são inteiramente ou na sua grande maioria assim, fazendo com que os cartoons sejam parte essencial da trama. Não vou contar o “Bob Esponja: O Filme”, de 2004, já que são poucas cenas que a animação e o live-action se misturam (embora é preciso frisar aqui o quão maravilhoso é David Hasselhoff aparecendo do nada no filme).

Saved by David Hasselhoff Scene - THE SPONGEBOB SQUAREPANTS MOVIE ᴴᴰ

 

Menções honrosas

→ Monkeybone: No Limite da Imaginação (Monkeybone, 2001)

Eu enfatizei a regra do 2D para montar esta lista, além de excluir os filmes que utilizam da técnica do 3D ou CGI. Mas, diferente de “Scooby-Doo” e “Zé Colméia”, este aqui poderia muito bem se encaixar na lista, por apresentar a metalinguagem e o tema ‘cartoon’ como norte. Então, estou abrindo essa exceção, comentando de um filme que não seja 2D com humanos, mas sim stop-motion com humanos, por dois motivos: uma que o gênero de animação stop-motion é maravilhoso, outra que, muito provavelmente, dificilmente vou comentar sobre “Monkeybone” em algum texto de novo. Portanto, está aqui esta joia esquecida. Um live-action misturado com animação stop-motion (e com cenas em 2D adicionais mostrando o desenho Monkeybone dentro do filme). É na perfeição dessas interações que o filme se encaixa na proposta. 

Aqui, por mais que haja muita maquiagem e figurino live-action mesmo, criando um mundo fantasioso com elementos reais em tela, ainda temos muito do trabalho stop-motion (à la “Beetlejuice”) com Brendan Fraser interagindo com o próprio Monkeybone, um macaquinho cartunesco estilizado com esta técnica trabalhosa. Isto se deve à direção e à equipe de Henry Selick, conhecido por trabalhos como “O Estranho Mundo de Jack” e “Coraline”. Além disso, narrativamente temos muitas semelhanças com “Cool World” e “Roger Rabbit”, no que diz respeito à piadas meta e mundos fantasiosos. O personagem de Fraser é um cartunista que está em coma, e durante este período cai em um mundo fantasioso onde vive sua própria criação, o Monkeybone. Temos humor ácido e mais adulto, juntamente com metáforas e rimas visuais inspiradas, dando um teor mais cult hoje em dia ao filme.

Monkeybone | VERN'S REVIEWS on the FILMS of CINEMA

 

→ Osmose Jones (Osmosis Jones, 2001)

Este aqui merece a menção honrosa e não a integração completa na lista, pois: primeiro - é um filme que mistura live-action com animação 2D; segundo - não há interações em tela entre humanos e animação efetivamente. Para quem desconhece, “Osmose Jones” se trata de Frank (Bill Murray), um segurança de zoológico despreocupado com sua saúde. Come comida do chão, não se higieniza direito, até que contrai um poderoso vírus por conta disto. É aí que entra a animação. 

Dentro do corpo de Frank, temos todas as células, glóbulos, dentre outras organelas, trabalhando em função da administração do corpo de Frank. Assim conhecemos Osmosis Jones (Chris Rock na dublagem), um glóbulo branco desajeitado porém corajoso, disposto a salvar a vida do segurança. Ao longo do filme, o live-action se intercala com a animação, havendo brevíssimas interações no final. Em sua maioria, o filme se destaca na parte animada mesmo, sendo divertidíssimo para se assistir em uma aula de biologia. Merecia mais reconhecimento. Um bom filme aqui.

Film - Osmosis Jones - Into Film

 

10- Space Jam: Um Novo Legado (Space Jam: A New Legacy, 2021)

Mesmo sendo levemente ruim (pegando leve no ‘levemente’, com perdão do trocadilho), ainda é um filme do Looney Tunes, apresentando momentos inspirados, principalmente aqueles que os novos cartoons lunáticos favoritos ainda estão em 2D. No entanto, seu maior erro está na modernização do padrão, transformando tudo em CGI genérico 3D, com uma estética confusa e cansativa, parecendo mais uma grande feijoada de referências aleatórias do que uma história coesa. É como se o TikTok criasse vida, jorrando informação para tudo que é lado (pesadelo total). Sem contar que o drama entre LeBron James e seu filho não convence, muito menos com aquela contraparte vilanesca caricata de Don Cheadle. Apesar de tudo, ainda gosto da interação desses cartoons, não tem jeito.

→ Score: 3 dinamites ACME 🧨🧨🧨

O que será que vai rolar na Temperatura Máxima deste domingo? | Rede globo

 

9- Tom & Jerry: O Filme (Tom & Jerry, 2021)

Apesar de ser considerado o mais fraco da lista, ainda assim é divertido ver esse tipo de filme ainda sendo lançado hoje em dia, fazendo referências à Acme e coisas do tipo. Diferente do último filme da franquia, lançado no ano passado, que decidiu ser completamente animado 3D, aqui ainda temos aquela proposta do live-action interagindo com a animação “2D”. É claro que não dá para se dizer que é 2D inteiramente, pois há uma mescla com o 3D para se ter certa fluidez nos movimentos na hora das interações com os humanos. Veremos isso em outros filmes da lista também. Mas há de se concordar que o traço clássico é mantido (o ‘toon’ é preservado, digamos). Isto, de certa forma, traz uma sensação de conforto, como se estivéssemos assistindo a algum episódio especial estendido. Entretanto, o filme se perde ao se estender em dramas que não levam a lugar algum, como nas cenas mais ‘sérias’ com o casal que está no hotel, ou com a falta de carisma no personagem de Michael Peña. Apesar disto, Chloë Grace Moretz sustenta uma protagonista interessante e despretensiosa, além de Rob Delaney e Ken Jeong (o eterno Chang de “Community”) apresentarem pequenos momentos engraçados (eu dou risada vendo o Chang estraçalhando um bolo de casamento com um taco de beisebol). Uma sessão da tarde inofensiva.

→ Score: 4 dinamites ACME 🧨🧨🧨🧨

Tom e Jerry': novo filme é uma mistura fiel à tradição – e a serviço da  diversão - Jornal O Globo

 

8- Meu Amigo, o Dragão (Pete’s Dragon, 1977)

Não estou contando “Mary Poppins”, mas esta lista precisava de um representante clássico da Disney. E este aqui é o que melhor representa. Até mesmo pelo fato do dragão animado ser parte fundamental da trama e interagir com humanos boa parte da duração do longa. Aqui temos um musical infantil muito bonitinho, do qual acompanhamos o pequeno órfão Pete (ou Pedro no dublado, interpretado por Sean Marshall) e seu dragão Elliot causando algumas confusões em uma cidadezinha litorânea. Dentre os 10 da nossa lista, “Meu Amigo, o Dragão” é o único que apresenta somente um cartoon interagindo com os humanos, além de também ser a exceção no que diz respeito aos ‘bichos falantes’. Por mais que apenas resmungue, Elliot é um dos cartoons com mais expressividade justamente devido à sua limitação. Mérito da equipe de animação, e também da própria história emocionante que nos faz ficar altamente apegados ao dragão. Um belo musical que nos ensina sobre amizade, empatia, acolhimento e despedidas. Contando, ainda, com o ícone do humor Mickey Rooney. Destaque para um dos grandes clássicos dos musicais “It’s Not Easy” (“Não É Fácil”), canção muito conhecida aqui no Brasil com uma versão alternativa da letra traduzida para o filme, bastante famosa na voz da Turma do Balão Mágico, “É Tão Lindo”.

→ Score: 5 dinamites ACME 🧨🧨🧨🧨🧨

Crítica | Meu Amigo, o Dragão (1977) - Plano Crítico

 

7- Mundo Proibido (Cool World, 1992)

A ovelha negra da lista, certamente. É um filme esquisito, datado e potencialmente escroto (desculpe se ficou ofensivo, mas faz parte da proposta). Como se “Roger Rabbit” tomasse um ácido muito louco. Embora seja tudo isto, eu ainda gosto da esquisitice e a forma como o filme abraça o nonsense experimental e o originalismo de Ralph Bakshi, pioneiro no gênero e lenda da animação. “Cool World” acabou sendo um fracasso na bilheteria, além de receber muitas críticas negativas. No entanto, seu caráter noir adulto bizarro o cristalizou como um clássico cult obscuro. Isto é, mesmo com uma história pouco inspirada e atuações pavorosas (principalmente do Gabriel Byrne como o cartunista pervertido), temos Brad Pitt novinho fazendo uma dupla de policiais com um cartoon fumante, correndo atrás da femme fatale Holli Would, interpretada por uma Kim Basinger hipnótica. Ademais, o que mais me chama a atenção na produção é que ela grita à animação dos anos 90 com uma estética suja e grosseira, como se o mundo de “Ei, Arnold” fosse tão grotesco a ponto de se fundir com aquelas animações do “Homens de Preto” e “Máskara”.

→ Score: 5 dinamites ACME 🧨🧨🧨🧨🧨

EXCLUSIVE: Ralph Bakshi Reflects On The 25th Anniversary Of 'Cool World'

 

6- Space Jam: O Jogo do Século (Space Jam, 1996)

Um dos mais famosos da lista e o segundo que melhor define esta mistura (o primeiro é o 2º lugar, vamos ser honestos), além de ser um dos grandes clássicos dos anos 90. Aqui temos o icônico Michael Jordan em uma de suas infinitas aparições em alguma obra da cultura pop nessa década, com uma participação muito gostosa de se assistir. “Space Jam” não é um filme cuja proposta era mudar a roda, mas é inegável sua importância para o cânone de Looney Tunes, adquirindo uma renovação no público fundamental para seus projetos pós-virada de século. Além disso, temos Bill Murray e Wayne Knight, figurinhas carimbadas de filmes-conforto dessa época. É um ótimo filme nostálgico, divertido de ver com aquela equipe de elite dos Looney Tunes jogando basquete, e com uma animação retratada de modo belíssimo nas interações.

→ Score: 6 dinamites ACME 🧨🧨🧨🧨🧨🧨

Space Jam - O Jogo do Século (1996) - IMDb

 

5- Space Ghost: De Costa à Costa (Space Ghost: Coast to Coast, 1993)

Eu sei, não é um filme. Eu sei, algumas pessoas podem nem considerar como uma série. Está mais para um talk show paródia. Mas seria criminoso de minha parte montar uma lista com interações entre live-action e animação 2D e não colocar Space Ghost. Considerado um clássico da Adult Swim/Cartoon Network, “Space Ghost: Coast to Coast” traz de volta este icônico personagem da Hanna–Barbera em uma das ideias mais criativas de sua geração: fazer um desenho animado entrevistar pessoas reais. Recheado por surrealismo e humor nonsense, além de Space Ghost, temos personagens memoráveis de sua série original sendo seus companheiros de programa, como o louva-a-deus Zorak e o grande Moltar. Temos entrevistas célebres como as com os Ramones, Thom Yorke, Mark Hamill, Adam West, dentre outros. Todos os episódios estão na HBO Max. Super recomendo assistir alguns antes de dormir toda a noite. Vida longa à Adult Swim!

→ Score: 7 dinamites ACME 🧨🧨🧨🧨🧨🧨🧨

O dia em que Space Ghost entrevistou Thom Yorke e fez uma música sobre  facas - Rolling Stone Brasil

 

4- As Aventuras de Alceu e Dentinho (The Adventures of Rocky And Bullwinkle, 2000)

Um dos mais esquecidos da lista, merecia ser mais reverenciado inclusive. Aqui temos também a metalinguagem como norte, do jeito que esse subgênero gosta e trabalha tão bem. Na verdade, devo admitir que as escolhas narrativas e visuais para representar a configuração meta usada neste filme me agradam mais do que os outros. Mais até do que os que estão à frente no ranking. Diferente do que comentei sobre “Tom & Jerry”, este filme não dá a mínima para se prender em momentos dramáticos forçados. Aqui tudo é zoação, piadas e brincadeiras entre o mundo real e dos desenhos, com direito até a referência a Roger Rabbit e seu ‘caldo’ (ou CDI aqui - uma máquina de matar desenhos). Ademais, um detalhe que merece ser exaltado é que além de atuar, Robert De Niro produziu este filme. Sim, o De Niro está aqui como Temerário Líder, e não está somente à vontade como também está fazendo referência a si próprio em “Taxi Driver”. Juntamente ao Temerário Líder, temos seus capangas Boris e Natasha (Jason Alexander e Rene Russo). Os nomes são a cereja do bolo. A mocinha que ajuda Alceu e Dentinho (ou Rocky e Bullwinkle mesmo) se chama Agente Simpatia (Piper Perabo). E ver as pessoas chamarem ela assim de modo sério é impagável. Vejo muitas semelhanças neste com o 1º lugar no que diz respeito ao humor. É ácido, com boas sacadas sobre o consumo de TV na época. A própria criação da RBTV (Rede Reis do Besteirol TV) é irreparavelmente boa. Tudo ali faz sentido pelo que a obra se propõe. Ah, esqueci de mencionar as participações mais que especiais de John Goodman, Whoopi Goldberg, Kenan e Kel e Billy Crystal sendo esmagado por um piano (um clássico dos toons).

→ Score: 8 dinamites ACME 🧨🧨🧨🧨🧨🧨🧨🧨

The Adventures of Rocky & Bullwinkle (2000)

 

3- Tico e Teco: Defensores da Lei (Chip ‘N Dale: Rescue Rangers, 2022)

O mais recente da lista e o que melhor define o termo ‘híbrido’. Aqui temos de tudo. Animação 2D, 3D, stop-motion, até aquele estilo bizarro humanóide de filmes como “O Expresso Polar” e “A Lenda de Beowulf”, tudo junto e misturado. Além disso, uma das melhores escolhas foi justamente não ter tirado o 2D por completo, principalmente nos protagonistas. Aliás, isso rendeu uma das melhores piadas do filme: Teco fez uma espécie de ‘harmonização facial’ mudando de 2D para CGI 3D, enquanto Tico permaneceu fiel ao seu estilo 2D. Pensando neste sentido, o que não falta neste longa é piada meta certeira, como a do Sonic feio e os filmes pirateados. Destaque para o grande vilão do filme ser o Peter Pan em fim de carreira, trazendo questões críticas inclusive à própria imagem do personagem e o que ele representa, refletindo em um público que não consegue seguir em frente e deixar o passado para trás. Ótimo filme!

→ Score: 8 dinamites ACME 🧨🧨🧨🧨🧨🧨🧨🧨

Tico e Teco: Defensores da Lei: Leia a crítica

 

2- Uma Cilada Para Roger Rabbit (Who Framed Roger Rabbit?, 1988)

Um filme dos anos 80 com Robert Zemeckis na direção, Steven Spielberg na produção, Alan Silvestri na trilha sonora e Christopher Lloyd no elenco. Eu não preciso dizer mais que isso. O quentinho no coração pela lembrança de “De Volta Para O Futuro” já ferve aqui dentro, é sério. Sem contar a importância desse filme no imaginário popular de todas as gerações que acompanharam na época e vieram depois, com suas frequentes reprises. Certamente, o que melhor define a proposta entre interações de humanos com cartoons. Com todo respeito, “Vingadores: Ultimato” é o c***** (censurado pela Acme), esse aqui é o maior crossover do cinema. Só pelo fato de ter uma batalha de piano entre Patolino e Pato Donald, e uma queda de um prédio interminável com Pernalonga e Mickey já faz esse filme se consagrar como um dos mais memoráveis da vida. Do gênero, o mais memorável de todos! Uma homenagem metalinguística belíssima aos desenhos antigos, sendo temperado com um clima noir hollywoodiano dos anos 40 de investigação e mistério muito envolvente. Bob Hoskins está perfeito nas suas interações com Roger Rabbit.

→ Score: 9 dinamites ACME 🧨🧨🧨🧨🧨🧨🧨🧨🧨

Who Framed Roger Rabbit? (1988) | MUBI

 

1- Looney Tunes: De Volta à Ação (Looney Tunes: Back in Action, 2003)

Como mencionei anteriormente, é um dos meus DVDs favoritos. Amo este filme, de verdade. Eu lembro que na época eu assistia muito o Duck Dodgers que passava sábado no SBT, e tem uma menção ao desenho aqui. Na verdade, é uma sequência inteira de ação. Para quem não conhece ou esqueceu, “Duck Dodgers” é um dos melhores desenhos desse guarda-chuva dos Looney Tunes, com uma abertura memorável apresentando uma música cantada por Tom Jones, destacando-se pelos seus cenários futuristas e estética espacial.

Looney Tunes: Back in Action (2003) - IMDb

Além disso, temos Pernalonga e Patolino como uma dupla de protagonistas extremamente envolventes. Um complementa o excesso do outro, trazendo dinamismo às loucuras que todo Looney Tunes bem feito precisa. Sem contar que Brendan Fraser estava em um período muito bom de sua carreira, fazendo diversos filmes que ficaram na memória de quem viveu essa época. Seu par romântico e produtora executiva da Warner, interpretada por Jenna Elfman, também está bem ao contrapor o jeito todo desengonçado de Fraser como um dublê de filmes. Aqui, Steve Martin faz o presidente paranoico da Acme, reforçando ainda mais as piadas meta.

Looney Tunes: Back in Action – Filmes no Google Play

Outrossim, o grande fator que me fez amar esse filme desde sempre é a abordagem que se tem com a Warner. A Warner é zoada o tempo inteiro neste filme, enquanto testemunhamos o encontro de muitos personagens que amamos. Temos Fraser interrompendo uma gravação no set de um filme do Batman, temos o Salsicha animado encontrado o Salsicha de Matthew Lillard, dentre outros absurdos. Um filme deliciosamente divertido e que sempre vale a pena! Vida longa aos Looney Tunes!

→ Score: 10 dinamites ACME e uma cenoura de ouro 🧨🧨🧨🧨🧨🧨🧨🧨🧨🧨🥕

Looney Tunes: Back in Action | Jerusalem Cinematheque – Israel Film Archive

 

Para concluir, estou muito empolgado para o novo “Coyote vs Acme”, programado para estrear dia 27 de agosto deste ano. Certamente, um dos que mais aguardo deste 2026 que vem surpreendendo com alguns bons lançamentos.

Isso é tu-tu-tudo pe-pe-pessoal!

That's all folks! - Looney Tunes Wiki

Comentários 1

C
Carlos Norcia5 de maio de 2026
também tô curioso pra ver Coyote vs Acme!</br>e você me lembrou também que preciso conferir O Dia que a Terra Explodiu

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