Pânico 7, A7X & Stab | Sempre foi sobre Sidney Prescott

Críticas Gerais

Sidney Prescott está de volta! Dirigido por Kevin Williamson, o sétimo capítulo da franquia “Pânico” acaba de estrear nos cinemas, trazendo o protagonismo novamente nas mãos de uma das final girls mais icônicas do gênero slasher, interpretada por Neve Campbell. Já adianto duas reflexões: a primeira é que talvez a minha opinião vai contra a maré negativa de comentários que esse filme está sofrendo; e a segunda é que é inadmissível que o filme 7 de uma franquia chamada “Scream” não tenha uma cena com a música “Scream”, de uma banda intitulada Avenged Sevenfold (A7X). Fica aqui minha indignação, Rogerinho (lê-se com a voz do Renan de Almeida, de Daniel Furlan, do Choque de Cultura). Seguimos…

Vídeo do artigo Trailer final de ‘Pânico 7’ mostra novo Ghostface  espalhando terror e caos; assista

Antes de mais nada, é válido apontar algumas questões a respeito dessa franquia e seus problemas recentes. Apontar, não esclarecer, pois esse não é meu objetivo aqui, para ser sincero. Meu objetivo é puramente apresentar a minha opinião. É de conhecimento todas as polêmicas envolvendo a demissão de Melissa Barrera, a protagonista Sam dos últimos dois filmes, devido à suas críticas contra Israel e seu apoio ao povo palestino. Isto levou também ao desligamento de Jenna Ortega - Tara, irmã de Sam - e, consequentemente, complicações na produção de um novo longa, forçando novas reescritas de roteiro. Reforço aqui meu repúdio à decisão dos produtores. É bizarro quando um artista se posiciona politicamente e sofre esse tipo de consequência, ainda mais expondo todo o genocídio que aconteceu nesses últimos anos. Mas é Hollywood, e sabemos como essa roda gira. De qualquer forma, Palestina livre!

Tudo o que sabemos sobre "Pânico 6", novo filme da franquia slasher -  Cinebuzz

Dito isto, não posso deixar de expressar minha opinião sobre esses últimos filmes da franquia. Uma coisa são os bastidores e outra é o gosto pessoal. Não consigo gostar de “Pânico 5” e “6”, de jeito nenhum. Reconheço que Sam Carpenter foi uma boa final girl nas duas produções, porém não consegui engrenar com os outros personagens, principalmente com os Ghostfaces e suas revelações (na boa, as revelações do Ghostface nesses filmes são ridículas, sem exceção). Além disso, é fato que a franquia angariou um público mais novo por conta da presença de Jenna Ortega, mas não consigo ver o suposto carisma da atriz em cena. É sempre o mesmo arquétipo que, simplesmente, não vislumbro comprar. O que dá para se dizer é que os personagens que apresentam um pouco mais de carisma são, justamente, os que permaneceram neste sétimo filme, Chad (Mason Gooding) e Mindy (Jasmim Savoy Brown), sustentando o lugar de alívio cômico.

Scream 7 Confirms Gale's Role In Chad & Mindy's Franchise Return

Outro fator importante nos últimos filmes é o que sempre esteve presente na franquia: a marca forte de metalinguagem (desde o primeiro isso esteve presente, explorando ainda mais esse conceito no segundo ao inserir o filme fictício “Stab” na narrativa). E desde seu quinto capítulo, a própria produção já flertava com a ideia de se auto parodiar, maquiando-se em piadas descontraídas sobre reboots e sequências-legado. O que, a princípio, pode parecer divertido, mas não passa de desculpas e escolhas fáceis (e confortáveis) de roteiro. No entanto, mesmo não gostando mesmo dos dois anteriores, e tendo se decepcionado com o quarto capítulo e último dirigido pelo grande Wes Craven (eu sei, muita gente ama a Jill, de Emma Roberts, mas eu não - sinto muito, fandom twitteiro de Pânico), eu adoro os três primeiros. Apenas com essa trilogia inicial, já poderia dizer que “Pânico” é minha franquia de terror slasher favorita. São ótimos filmes, sendo o primeiro imbatível no gênero. Portanto, por mais vazia que seja a nostalgia tão criticada e vista nos cinemas ao longo desses anos recentes, os poucos momentos (migalhas, eu sei) que acabei me divertindo nesses novos filmes, eram quando os dois maiores nomes da saga apareciam: Gale Weathers, de Courteney Cox, e - propriamente - Sidney Prescott, de Neve Campbell. Peço perdão aos que se tornaram fãs da franquia a partir do quinto, mas a franquia sempre foi e morrerá sendo sobre a Sidney Prescott. Esse é o coração de tudo. Para o bem e para o mal.

Scream 7 Box Office Set to Deliver Year's Top Opening of Year

É com este background que cheguei para conferir “Pânico 7” em sua pré-estreia. É minha franquia de slasher favorita, porém havia muita dúvida em relação a isso, já que eram seis filmes até então, com metade eu amando e a outra metade detestando. Ou esse sétimo iria afundar de vez, ou ia me trazer à euforia novamente. Acontece que não foi nem um nem outro necessariamente, foi apenas um “ok, esse aqui é melhor que os dois últimos” - o que já não era muito difícil também. Estamos nivelando por baixo, é claro. Isto posto, sendo honesto (e indo contra a maré das críticas, pois já estou percebendo uma onda de opiniões negativas sobre), eu gostei de “Pânico 7”. Ou, pelo menos, acabei me divertindo bastante. E é justamente essa palavra que sempre me fez gostar da franquia. Por mais que eu não goste desses filmes que mencionei, todos me divertiram em certo ponto. Essa é a maior graça do slasher em relação à outros subgêneros do terror. O “não se levar tão a sério”.

Scream 7: Behind The Scenes Gallery | HelloSidney.com

Sendo assim, afirmo que me diverti bastante ao longo das quase duas horas de filme. Dá para se dizer que o longa apresenta algumas mortes criativas e, até, estranhamente engraçadas. Um exemplo disso é a morte de uma adolescente que está pendurada em um palco do teatro da escola. Além disso, o divertimento está no próprio humor que sempre esteve presente na saga. Por mais que aqui somos apresentados a críticas sérias sobre o culto a histórias de true crime (sem pensar no trauma da vítima), além de discutir questões acerca de IA e deepfake e seus impactos no mundo contemporâneo, o filme ainda procura tempo para inserir momentos genuinamente engraçados e bobos.

Like mother, like daughter: 'Scream 7' raises the stakes | The Manila Times

Entretanto, não há como negar que é mais um filme de uma franquia que já teve seus tempos de glória que se ancora na nostalgia. E isso vem sendo um grande combustível para algumas críticas negativas desse filme. Mas, na boa, já não estava assim há um bom tempo? Por mais que o “5” tenha ‘renovado’ a franquia, os personagens principais ainda estavam lá, sendo super forçados a estar ali presentes. Sobrando por alguns míseros minutos, mas presentes. Então, meu amigo, se você chega no sétimo filme de uma franquia que já demonstrava sinais de desgaste anteriormente, querendo algo que o surpreenda, devo admitir que admiro sua inocência.

Scream 7' review: Kevin Williamson makes Ghostface fun again | Mashable

Isso me remete ao novo “Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado”, lançado em 2025. “Verão Passado” é, desde sempre, uma franquia irmã de “Pânico” que não deu certo, com apenas o primeiro apresentando certas virtudes (limitadas sim, mas ainda virtudes). Com seu retorno, muito se criticou sobre as nostalgias baratas que essas franquias (principalmente de terror) vêm adquirindo. Uma frase de Julie, personagem de Jennifer Love Hewitt, representou muito bem (não ironicamente) este fato: “a nostalgia é superestimada”. E, de fato, essas sequências são recheadas de metalinguagem, da qual nas primeiras produções se mostravam novos e transgressores, e hoje não passam de paródias caricatas de si mesmo. E é aqui que está o ponto. Ou você chega em 2026 já comprando que é assim que a banda está tocando e se diverte com isso, ou vai se decepcionar a cada lançamento. Particularmente, não criei expectativa alguma para “Pânico 7”, mas pelo fato de eu ter detestado o último, eu acabei me divertindo sim. ‘Tô mentindo? Falo mehmo, já dizia Catraca, de Malhação 2004.

One Scream 7 Scene Is Based On A Special Real-Life Event

 

  • Ghostface Spoilers

Apesar de, possivelmente, estar sozinho nas trincheiras defendendo esse capítulo, não posso deixar de entrar em alguns spoilers e, inevitavelmente, deixar a minha indignação com algumas questões. Leia com a sua conta em risco. Vamos lá, quem é o Ghostface da vez? Já adiantei que não gostei das suas últimas revelações. E aqui não foi diferente. No caso, temos dois personagens completamente avulsos e aleatórios, com direito a escancarar o tom caricatural da paródia.

 

Suas motivações são jogadas com um desdém que chega até a ser ofensivo. As respostas para diversos furos do roteiro podem ser justificadas apenas como “esse cara era só mais um louco e, curiosamente, perito em IA e tecnologia”. Além disso, o roteiro procura soluções absurdas. Spoiler forte aqui: no momento em que os dois vilões se revelam, o marido supostamente morto de Sidney, o Mark (interpretado pelo maravilhoso Joel McHale, o eterno Jeff Winger de  “Community” - que saudade dessa série!), milagrosamente está vivo, à noite, depois de passar o dia todo com uma ferida cortante enormemente aberta no tórax e abdome, sem cuidado algum, tendo força suficiente para cortar as cordas que prendiam sua filha refém (interpretada por Isabel May). Brilhante!

 

Sem contar o fato de que, mais cedo, a polícia toda revistou a casa de Prescott e não encontrou nada, até que encontramos o Ghostface escondido no porão. Dado o fato de quem eram os vilões (uma vizinha louca e um cara do hospital psiquiátrico que não se sabe muito bem se era um enfermeiro ou só um doidinho do centro que estava ali), acredito que esteja fora de mão a possibilidade deles terem sido treinados pela Liga das Sombras, tal qual Bruce Wayne (aKa Batman), para usar da teatralidade e ilusão suas armas poderosas de invisibilidade. Ah, lembrei! O rapaz era perito em tecnologia, ele deve saber hackear as portas com travas de segurança. É mole?

First Look at Scream 7: Sydney Prescott Faces Her Bloodiest Battle  (2025/10/30)- Tickets to Movies in Theaters, Broadway Shows, London Theatre  & More | Hollywood.com

Por conclusão, é claro que o filme está bem longe do primor dos três primeiros filmes da franquia. Para mim, poderia ter sido uma trilogia fechada de modo perfeito. No entanto, o tempo foi passando. Wes Craven fez sua última jogada com o retorno da franquia, acompanhamos o “renascimento” de tudo (com muitas aspas), e - do nada - chegamos aqui, ao sétimo filme. Todavia, convenhamos: não foi do nada. Acompanhamos o desgaste gradual da franquia. E o fato de voltar às origens, trazendo Neve Campbell à todo vapor novamente, faz com que o divertimento esteja ali. Por mais vazio e superestimado que a nostalgia seja, “Pânico” sempre foi sobre Sidney Prescott, e vai continuar sendo.

Scream 7 Trailer: Neve Campbell Returns As Sidney Prescott

À essa altura, “Pânico” talvez já tenha virado ‘ame-o ou deixe-o', devido aos bastidores e suas próprias histórias. Não julgo. Como fã que cresceu com Harry Potter, tenho sentimentos mistos atualmente, e essas cicatrizes vão sempre estar presentes. Mas não posso simplesmente negar que já fui muito feliz com esses personagens. Existem semelhanças aqui. Rejeito todos os motivos que fizeram Melissa Barrera estar fora dessa franquia, mas eu preciso ser honesto com meu sentimento, estava com saudade da personagem de Sidney Prescott lutando contra o Ghostface. E quando lançar o oitavo capítulo (pois acredite: isso vai acontecer, está na cara!), vou assistir procurando esse mesmo divertimento, leve e confortável. Como sempre foi, desde o primeiro lançado há 30 anos. Dito isto, vocês estão prontos para o doppelgänger desse aqui que vai sair este ano, “Todo Mundo Em Pânico 6”? Porque eu estou! 

Scream 7' Trailer: Neve Campbell Back as Sidney Prescott

Se você ficou até aqui, agradeço e compartilho o link de uma música do meu projeto musical, da qual eu faço uma pequena citação à essa franquia que adoro: “I don’t wanna call to listen to Ghostface speaking, I don’t even care, I can’t watching to new Stab anymore”. O link: https://youtu.be/uPPNzshFHAg?si=22ox1bxjhcD2lUg_

PS: sempre bom ver você em tela, meu amigo Salsicha (Matthew Lillard).

Comentários 1

B
Brie Moreno22 de junho de 2026
Primeiramente, Moon’N’June foda! Segundamente, citou catraca da malhação tem meu respeito! E por fim kkkk na minha opinião, as franquias deveriam saber a hora de parar, mas todos só pensam em lucrar cada vez mais, oq era pra ter sido uma trilogia perfeita ou quase isso,acabou se perdendo e isso acontece com muitas outras franquias. A fome de lucro faz boas obras se perderem

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