Crítica | Águas Mortais

Conto
Foto: Diamond Films/Divulgação

Longa está em cartaz nos cinemas

Por Andreza Nunes

Vocês já sabem que eu não resisto a um bom filme de tubarão. Então foi inevitável dar uma chance para Águas Mortais (Deep Water, EUA, 2026), novo lançamento da Diamond Films. A história acompanha um grupo de passageiros que sobrevive à queda de um avião em pleno Oceano Atlântico. O que parecia ser o fim se transforma apenas no início de uma sequência de desafios, já que, além da luta contra o frio, os destroços da aeronave e a espera por um resgate improvável, eles também passam a enfrentar tubarões que circulam cada vez mais perto dos sobreviventes.

O que mais chama atenção é que Águas Mortais se aproxima muito mais de um filme-catástrofe do que propriamente de um filme de tubarão. O roteiro apresenta diferentes núcleos de personagens e utiliza pequenas ações para revelar suas personalidades, sem investir em longas apresentações ou conflitos individuais. É uma construção bastante objetiva, que entende que não existe tempo para aprofundamentos quando a tragédia precisa acontecer logo nos primeiros minutos. Com isso, o filme desenha rapidamente a dinâmica entre personagens que despertam nosso interesse e outros que cumprem apenas uma função narrativa.

O primeiro ato é inteiramente dedicado ao acidente. Antes da queda, acompanhamos o embarque e conhecemos superficialmente alguns passageiros, o suficiente para compreender suas relações e identificar pequenas características de cada um. A aeronave se parte ao meio e, junto com ela, os grupos também se fragmentam. Pessoas que estavam juntas são separadas pela força do impacto e passam a enfrentar diferentes obstáculos em meio aos destroços, ao frio, ao risco constante de afundamento e à busca desesperada por qualquer possibilidade de sobrevivência.

É no segundo ato que os tubarões entram definitivamente em cena. Até então, a principal ameaça era permanecer vivo em um oceano hostil. A partir daí, o longa abandona qualquer suspense em torno da presença dos animais e investe em ataques diretos e violentos. Depois dos primeiros confrontos, a estrutura passa a repetir um padrão reconhecível, mas a tensão continua funcionando porque a vulnerabilidade daqueles personagens nunca desaparece.

Mais do que os ataques, o que mais se destaca foi a forma como o filme trabalha as relações entre os personagens em uma situação extrema. Quando a sobrevivência passa a ser a prioridade, a maioria das decisões é tomada pensando primeiro em si mesmo ou nas pessoas mais próximas. É justamente nesse contexto que a nossa torcida começa a tomar forma. Aos poucos, passamos a nos envolver mais com aqueles personagens que, mesmo diante do caos, ainda conseguem demonstrar alguma preocupação com o outro.

Águas Mortais talvez não seja um daqueles filmes que permanecem na memória depois dos créditos, mas consegue sustentar a atenção durante a sua projeção. Sem grandes reviravoltas, a narrativa aposta na sucessão de obstáculos e na tensão constante para conduzir a experiência. Para quem, como eu, sempre dá uma chance a histórias de sobrevivência e, ainda por cima, cercadas por tubarões, é uma sessão que vale o ingresso. E, no fim, deixa uma impressão curiosa: por mais ameaçadores que os tubarões sejam, o filme sugere que, em situações extremas, as escolhas das próprias pessoas podem ser tão perigosas quanto qualquer predador escondido sob a água. 

Nota: 📼📼½

 

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