Crítica - Da Magia à Sedução: Feitiço De Amor

Críticas Gerais

Lançado em 1998 (mas chegando no Brasil no início do ano seguinte), Da Magia à Sedução trazia uma sintonia perfeita entre Sandra Bullock e Nicole Kidman (na época, vivendo o auge do estrelato) e que embora trouxesse uma mistura de gêneros curiosa e que nem sempre pareciam se encontrar (como alguns momentos over demais), era um filme divertido e muito gostoso de assistir (a fotografia com uma atmosfera mística de outono é um destaque à parte e contribuía para esse clima). Curiosamente, foi um fracasso de bilheteria na época, mas se tornou adorado com o passar dos anos. Quase 30 anos depois daquele filme, eis que ganhamos uma continuação e felizmente, Da Magia à Sedução: Feitiço De Amor é adorável, divertido e tão bom quanto o anterior, mesmo sendo um pouco mais longo que o ideal.
Colocando as irmãs Owens em busca da filha de Sal, que está buscando uma maneira de terminar com a maldição da família de uma vez por todas após seu namorado sofrer um acidente fatal, Da Magia à Sedução: Feitiço De Amor busca manter as bases que tornaram o primeiro filme em um pequeno sucesso enquanto encontra maneiras de continuar a história adiante de uma maneira que soe lógica com o que foi estabelecido antes. Nesse aspecto, o vínculo estabelecido com as personagens no anterior consegue nos prender à história que, embora demore um certo tempo para de fato engrenar e se encontrar, quando o faz, o filme se desenvolve daquela mesma maneira gostosa e agradável que marcou o original. Com isso, essa continuação alcança um equilíbrio melhor na maneira como salta entre gêneros, diluindo as passagens mais pesadas de uma forma que não soe tão brusca como aconteceu no filme de 1998, e que aqui são trazidas de forma mais natural. Logo, o novo romance que surge é desenvolvido com uma paciência divertida, mas também romântica, quase clássica, enquanto o misticismo da narrativa se mantém de uma forma que soa aconchegante e agradável (embora traga um uso bem maior de efeitos especiais), até mesmo o suspense é construído de forma mais gradual. Obviamente, o filme volta a tratar de temas como irmandade e sororidade, que se foram tratadas em 1998 de uma forma bem à frente do tempo, aqui é trazida com a devida emoção e de forma bem comovente.
Por outro lado, o filme sofre de alguns probleminhas que poderiam ser evitados: Primeiramente, apesar de não ser cansativo, a sua duração é sentida ocasionalmente, já que em alguns momentos percebe-se que a diretora Susanne Bier deu liberdade para o elenco improvisar, o que leva a vários momentos em que coloca seu elenco falando por cima dos demais ou fazendo brincadeirinhas, alongando passagens que poderiam ser mais curtas (como quando as irmãs Owens começam a discutir ou fazem brincadeiras entre si). E até mesmo o final parece se alongar para terminar, mas sou capaz até de perdoar isso para permitir um desfecho mais fechadinho, afinal, já que o primeiro filme foi um fracasso de bilheteria, é justo que sua continuação não abra muito espaço para uma continuação caso se revele outro fracasso de bilheteria. Além disso, o primeiro ato falha por não permitir respiros ao espectador, já que coloca três acontecimentos importantes na história e que ao acontecerem de forma bem sucessiva e sem dar um devido respiro para que absorvemos seu impacto, dá a impressão de que a trama está apressada demais. Ao menos quando o filme se mostra seguro, ele engata melhor e permite desenvolver a história com mais paciência, embora não consiga reverter o que talvez é o grande furo do filme, na verdade, uma trapaça que o roteiro encontra para justificar a sua história (a maldição da família é que os homens que amam as irmãs Owens morrem imediatamente, enquanto aqui, o personagem Gideon tem melhor sorte ao ficar em coma, o que ao menos, permite que as personagens consigam, claro, salvar a vida dele).
Contando ainda com ótimas atuações (Sandra Bullock e Nicole Kidman resgatam a sintonia vista no filme de 1998, explorando novos aspectos de suas respectivas personagens, mas sem esquecer daquilo que tornou suas personagens tão adoráveis, e Bullock, em especial, confere melancolia e levanta um escudo calculado para Sally que parece trazer certa inexpressividade para sua personagem, Maisie Williams tem seu carisma, embora seja subaproveitada, Joey King se sai bem ao retratar sua jornada no filme, Lee Pace confere charme e elegância ao seu personagem, tornando-se uma adição muito interessante, enquanto isso, Dianne Wiest e Stockard Channing exploram ao máximo suas participações, e Wiest, como de hábito, é adorável de ver em cena), uma fotografia eficaz (embora empalideça diante da bela fotografia do original de 1998, que aqui tenta emular o clima de outono de antes, mas não consegue alcançá-lo, soando difusa e fosca em sua coloração), um ótimo design de produção, belos figurinos, uma boa trilha sonora, enfim, é um ótimo filme.
 

 

Continuação de Da Magia à Sedução.
Baseado no Livro de Alice Hoffman.

 

Gênero: Aventura/Romance/Suspense
Duração: 130 Minutos
Classificação Indicativa: 12 Anos (Violência e Drogas Lícitas)
Distribuição: Warner Bros.
Direção: Susanne Bier
Elenco: Sandra Bullock, Nicole Kidman, Joey King, Lee Pace, Maisie Williams, Xolo Maridueña, Solly McLeod, Dianne Wiest e Stockard Channing

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

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