Crítica - No Caminho

Críticas Gerais

No Caminho instiga, mas se perde no caminho com uma história que parece não saber para onde ir.
Tendo como premissa o jovem rapaz Veneno que pede carona ao caminhoneiro chamado Muñeco, No Caminho segue o velho esquema de road movies ao permitir uma jornada pessoal junto de seus personagens pelas estradas, adotando uma narrativa sóbria e instigante que ao menos permite certo olhar sobre os personagens (e a rotina dos caminhoneiros é retratada de forma crua e honesta). Infelizmente, o roteiro parece esquecer qualquer objetivo, levando os personagens a decisões que soam artificiais e que não me convenceram (e isso inclui a ausência de conflito na história por boa parte do tempo, e até mesmo a quebra da própria regra do caminhoneiro Muñeco, que diz que deixaria Veneno caso ele fizesse alguma besteira), chegando a esquecer o destino da viagem de Veneno (que parece ser longe até demais) e a criar mistério no passado do personagem Veneno através de digressões visuais que, embora belas, soam como floreios estéticos bobinhos de diretor em início de carreira, e ainda se mostram redundantes já que são exibidos mais tarde de forma um pouco mais expositiva. Além disso, a sobriedade da narrativa junto de personagens que mantêm certa muralha sobre si acaba prejudicando o filme e nos impede de nos envolvermos com eles, e o personagem Veneno não poderia ter melhor nome, já que além de ser um enigma para o espectador, suas atitudes inconsequentes acabam nos afastando dele (e não há como negar, o personagem é um veneno para Muñeco).
Por outro lado, o filme até consegue criar alguma tensão no terceiro ato quando finalmente encontra algum conflito, mas nem mesmo o roteiro parece saber o que ele quer ser: Uma jornada de amadurecimento, de autodestruição ou da descoberta de afeto dos personagens? Há elementos que trabalham para isso (o fato do pai de Veneno ter sido um caminhoneiro evidencia uma clara busca do mesmo por uma figura paterna através dos caminhoneiros que encontra enquanto Muñeco tenta estar sóbrio, mesmo que frequentemente não consiga), mas estes soam dispersos na narrativa. Com isso, diria que diversas coisas estão no ponto certo, mas o próprio título do filme faz jus a si mesmo, já que, ao menos para mim, algo se perdeu no caminho.
Contando ao menos com boas atuações (Osvaldo Sanchez está ótimo e nos convence na jornada do caminhoneiro Muñeco enquanto Victor Prieto Simental adota uma introspecção excessiva que nos afasta dele, ainda assim, o ator consegue se sair bem nos momentos que permite vermos Veneno com alguma dimensão), uma ótima fotografia (e que explora bem os desertos, e as digressões visuais são belas, onde traz o plano mais bonito do filme, que é o que ilustra o cartaz), uma montagem eficaz em seu ritmo (mesmo que se arraste em alguns momentos), enfim, é um filme de bons elementos, mas que não conectou comigo.
 

Gênero: Drama
Duração: 94 Minutos
Classificação Indicativa: 18 Anos (Violência, Conteúdo Sexual, Nudez e Drogas)
Direção: David Pablos
Elenco: Victor Prieto Simental e Osvaldo Sanchez

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

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