Crítica - Se Eu Fosse Você 3
Críticas Gerais
Lançado em 2006, Se Eu Fosse Você foi um dos grandes sucessos do cinema brasileiro, e que divertia com a clássica história de troca de corpos entre Tony Ramos e Glória Pires, e a acertada sintonia entre ambos deixava o filme divertido. É claro que o sucesso gerou uma continuação, que considero melhor que o original, e que apostava em mais situações cômicas para explorar uma premissa que deu certo, e obviamente, o casal protagonista abraçou a proposta. 17 anos depois daquele filme, a trilogia é finalmente concluída e Se Eu Fosse Você 3 pode até ser o menos bom da trilogia, mas ainda consegue ser um filme bem divertido e gostoso de assistir.
Dessa vez levando o casal Aquiles e Bia a trocarem de corpo, Se Eu Fosse Você 3 acerta por mudar a dinâmica da história ao trocar o protagonismo da história, já que dessa vez o casal Cláudio e Helena é deixado de lado (afinal, já trocaram de corpo duas vezes) para que a filha e o genro daquele casal troquem de corpos e então poder explorar novas dinâmicas com os novos protagonistas, o que permite explorar boas situações cômicas (como o medo de altura de Bia, e o fato dela demonstrar medo e certas paranoias por ter tido uma filha tão jovem é um bom toque do roteiro). Por ser o mais curto da trilogia, percebe-se certa pressa na história, já que o primeiro ato se beneficiaria de um pouco mais de tempo para que percebêssemos as peculiaridades de Bia e Aquiles como personagens, já que eles não foram apresentados antes (percebam que no primeiro filme víamos Helena se alongando ao levantar, algo que se repetiria depois quando Cláudio no corpo de Helena se levanta, o que ressalta a mudança através de pequenos detalhes que nos leve a acreditar que um está no corpo do outro), tanto que dessa vez a troca é feita de forma tão súbita que é uma pena que a diretora Anita Barbosa não tenha explorado a situação de forma mais cômica. Por outro lado, gosto de como dessa vez a história transcorre no que aparenta ser várias semanas (ou pelo menos, um mês), mesmo quando o filme parece se apressar em ir direto às situações cômicas. Além disso, o filme aparentemente esquece que Bia casou no final do segundo filme, e que Helena e Cláudio teriam um filho (que é brevemente citado, mas nunca é visto), o que é no mínimo, desrespeitoso com o que foi estabelecido por não sabermos o que aconteceu com eles.
Felizmente, quando a história engata, o filme se torna bem divertido, especialmente em função do carisma e da sintonia perfeita que Cleo Pires e Rafael Infante dão aos personagens (e Infante traz o seu carisma natural que o torna engraçado fazendo pouco). Por sinal, a caracterização de Bia e Aquiles após a troca de corpos diverte como de hábito, e embora recaia ocasionalmente em velhos estereótipos, acaba funcionando e convencendo, como a maneira feminina, mas vulnerável e confiante que Aquiles se transforma, assim como o jeito todo despojado e de garotão que Bia fica. E é em função disso que o arco narrativo de seus personagens se torna convincente, o que equilibra a falta de mais piadas (algo que o segundo filme explorou bastante). E claro, a participação de Glória Pires e Tony Ramos, apesar de curta, reafirma a nossa conexão e nostalgia com os filmes anteriores, e os atores convencem na maneira adulta com que conversam, reafirmando anos de convivência (e o desfecho consegue deixar um gostinho de quero mais, também sendo bastante engraçado).
Contando com boas atuações (o elenco coadjuvante explora bem suas participações, merecendo destaque Rosi Campos, como uma vizinha com um sistema de coleta de informações – leia-se: fofoca -, e Valentina Daniel que tem uma boa participação como a filha de Bia), uma direção correta (que faz o básico de forma correta, embora, a diretora falhe em cenas como a da corrida, que não me parece que os atores e figurantes estavam participando de fato de uma corrida, e sim apenas correndo para o plano), uma bela fotografia (que agrada com a paleta de cores e sua beleza), uma trilha sonora irregular (que busca comentar ao máximo toda a história do filme, e o primeiro ato é prejudicado por isso pelo excesso, como ao manter uma música sombria do momento que Aquiles e Bia falam ao mesmo tempo, levando aos trovões e depois à descoberta da troca de corpos), enfim, é um ótimo filme.
Continuação de Se Eu Fosse Você e Se Eu Fosse Você 2.
Gênero: Comédia
Duração: 92 Minutos
Classificação Indicativa: 10 Anos (Drogas Lícitas e Linguagem Imprópria)
Distribuição: Disney
Direção: Anita Barbosa
Elenco: Glória Pires, Tony Ramos, Cleo Pires, Rafael Infante, Rosi Campos, Paulo Rocha, Dan Ferreira, Valentina Daniel, Yohama Eshima, Fefe Schneider e Janamô
Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/













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