Crítica | Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor

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Foto: Warner Bros/Divulgação

Sequência aposta na nostalgia, mas pouco acrescenta ao universo das bruxas Owens

Por Andreza Nunes

Lançado em 1998, Da Magia à Sedução é um filme muito característico de sua época. Assim como Abracadabra (1993), Os Batutinhas (1994) e Matilda (1996), fazem parte de um cinema dos anos 1990 que marcou uma geração ao mesclar fantasia e humor, com personagens que acabaram ficando na memória do público. No filme original, as irmãs Sally e Gillian Owens, interpretadas por Sandra Bullock e Nicole Kidman, pertencem a uma família de bruxas marcada por uma antiga maldição. Quase três décadas depois, a história retorna aos cinemas.

Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor (Practical Magic 2, EUA, 2026) retoma a história das irmãs Sally e Gillian Owens, que continuam lidando com a maldição da família: todos os homens que elas amam acabam morrendo. Anos depois dos acontecimentos do primeiro filme, as duas precisam enfrentar novos poderes que ameaçam a família e colocam novamente a magia no centro de suas vidas.

É a partir desse retorno que Da Magia à Sedução 2 aposta na memória afetiva em torno daquele universo. O ponto é que essa nostalgia funciona principalmente para quem já conhece a história. Para quem chega sem essa conexão anterior, o filme traz pouco contexto e parte do princípio de que o público já conhece aquelas personagens.

O reencontro entre  Bullock e Kidman ainda funciona. As duas personagens possuem maneiras muito diferentes de lidar com aquilo que são, e essa oposição continua interessante. Sally passa boa parte da vida tentando negar sua própria natureza. Ela não aceita completamente a realidade que lhe foi dada e tenta construir uma vida distante daquilo que representa ser uma Owens. Gillian está no extremo oposto. Ela aceita quem é, vive sua identidade sem grandes conflitos e aproveita as possibilidades que vêm com sua condição de bruxa.

Essa diferença poderia render uma discussão interessante sobre identidade, família e a relação com aquilo que herdamos. O filme, porém, nem sempre consegue desenvolver esse potencial. Talvez esse seja o maior problema da produção. Quase 30 anos separam os dois longas, mas a narrativa não parece ter acompanhado esse intervalo.

As problemáticas e algumas das soluções apresentadas soam próximas demais do primeiro filme. Falta a sensação de que estamos diante de uma história que precisava ser contada agora. O filme poderia ter usado o universo original como ponto de partida para construir algo novo, mas muitas vezes parece simplesmente continuar de onde havia parado.

Não é necessário transformar Da Magia à Sedução em um filme complexo ou excessivamente profundo. A produção é claramente despretensiosa e não existe problema nisso. Em alguns momentos, tudo parece tão pouco atualizado que a narrativa acaba se aproximando de um grande besteirol.

A escolha das atrizes que interpretam as filhas das protagonistas também chama atenção. No primeiro filme, Kylie e Antonia eram interpretadas por Evan Rachel Wood e Alexandra Artrip. Agora, adultas, as personagens são vividas por Joey King e Maisie Williams.

Existe uma contradição interessante quando pensamos na proposta nostálgica do filme. Se a produção busca recuperar elementos do passado, seria interessante também reencontrar quem fez parte dele. Evidentemente, isso dependeria da disponibilidade e do interesse das atrizes originais, mas a presença delas poderia criar uma ponte ainda mais forte entre os dois filmes.

Joey King ocupa um espaço maior na história, enquanto Maisie Williams acaba funcionando principalmente como apoio para sua personagem. Antonia (Williams) tem pouco espaço para desenvolver personalidade, conflitos ou uma identidade própria. O filme apresenta uma nova geração das Owens, mas não dá às personagens a autonomia necessária para que elas construam suas próprias personalidades.

A nostalgia é suficiente?

É difícil não sair do longa com essa pergunta. Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor não é uma produção que promete grandes reflexões. Ele quer ser leve, divertido e recuperar personagens que fizeram parte da memória de uma geração. E, para quem possui essa conexão, talvez o reencontro seja suficiente.

Para quem não teve a mesma relação com o primeiro filme, porém, sobra uma história que parece presa a uma época que já passou. A continuação não precisava abandonar a identidade original, mas poderia ter encontrado uma maneira mais interessante de conversar com o presente.

No fim, funciona melhor como reencontro do que como continuação. Sandra Bullock e Nicole Kidman continuam sendo um prazer assistir, e existe algo naturalmente afetivo em voltar para aquele universo. Mas, depois de quase três décadas, a nostalgia sozinha não parece suficiente para sustentar uma nova história.

Nota: 📼📼

 

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