Crítica - Lee
Críticas Gerais
Lee tenta funcionar como relato histórico enquanto se entrega aos vícios de obras miradas para premiações.
Retratando a história real da fotógrafa e ex-modelo Lee Miller, que fotografou ao longo da Segunda Guerra Mundial, Lee busca retratar uma parte importante da vida da biografada, enquanto nos envolve com uma protagonista forte e corajosa, e claro, no importante relato histórico que o filme conta, algo que alcança bem já que a história prende a atenção e se desenrola relativamente bem, mesmo quando traz alguns problemas na maneira com que a diretora Ellen Kuras (estreando com filmes depois de dirigir um documentário, alguns episódios de séries e ser diretora de fotografia em filmes como Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças e Um Pouco De Caos) desenvolve a história. Ainda bem que o filme é estrelado por Kate Winslet, e sendo a atriz fantástica que é, consegue contornar esses problemas com bastante frequência, e além de criar interesse na protagonista, a atriz é brilhante ao retratar através do olhar a tristeza e a desolação de não só perceber os horrores da guerra diante dos seus olhos, mas de ter que registrá-los.
Infelizmente, por mais importante que a história seja (e é), a diretora demonstra uma mão pesada com certa frequência, já que investe em passagens carregadas no melodrama (e com direito a uma trilha sonora que frequentemente comenta as cenas sem sutileza alguma, e que vindo do compositor Alexandre Desplat, é um pouco frustrante), e também em personagens que parecem incompatíveis com o peso e a seriedade da história (tornando-se caricatos no processo, como o caso de Cecil Beaton ou de um coronel, ou a sequência em que vemos Marion Cotillard em uma tristeza excessivamente calculada, até mesmo o momento que um personagem escuta um casal transando soa deslocado), o que leva o filme a se converter frequentemente em uma obra isca para premiações (ou Oscar bait).
Claro que a importância da história que está sendo contada é inegável, mas confesso que quando percebo que o filme está interessado em saciar o interesse dos votantes do Oscar do que de fato, contar sua história, isso acaba me incomodando. Com isso, o filme irrita quando se entrega aos vícios de cinebiografias (e Oscar baits), mas se sai muito melhor quando se permite à sobriedade que a narrativa possui, tanto que é justamente nesses momentos mais sóbrios que ele consegue causar maior impacto (como as duas ótimas sequências em que Lee Miller e Davy Scherman encontram diversos trens carregados de cadáveres, ou aquele que a protagonista encontra algo na câmara de gás, pois cria suspense para o que ela está vendo, apenas para revelar no último instante, aumentando o impacto da sequência).
Logo, é um filme que funciona bem mais como relato histórico do que como obra cinematográfica, ainda assim, ele conta com boas atuações (e embora Kate Winslet seja o destaque, Josh O’Connor e Andy Samberg estão muito bem, e Samberg nos faz esquecer de sua persona cômica), uma fotografia correta (e que mergulha os personagens na desolação da guerra através da paleta sóbria e cinzenta), bons figurinos e design de produção, uma maquiagem muito boa (que apesar da maquiagem para envelhecer Kate Winslet não seja lá muito convincente, ao menos as que retratam as consequências violentas da guerra e principalmente, a transformação de Andrea Riseborough – que está irreconhecível – são espetaculares), enfim, é um bom filme.
Baseado em uma História Real.
Baseado no Livro de Antony Penrose.
Gênero: Drama
Duração: 117 Minutos
Classificação Indicativa: 16 Anos (Violência, Nudez e Drogas Lícitas)
Distribuição: Imagem Filmes
Direção: Ellen Kuras
Elenco: Kate Winslet, Josh O’Connor, Andrea Riseborough, Andy Samberg, Alexander Skarsgård e Marion Cotillard
Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/












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