Crítica - Truque De Mestre: O 3º Ato

Críticas Gerais

Lançado em 2013, Truque De Mestre era um filme eletrizante ao mesmo tempo que nos divertia com a ação e os truques de mágica, mesmo que sua história era bem mais rocambolesca que o necessário (até hoje não comprei aquela reviravolta em seu desfecho), se tornando um sucesso inesperado e garantindo uma continuação que se tornou bem melhor quando a revisitei, sendo um filme ainda mais eletrizante e absurdo na sua mágica cinematográfica. 9 anos depois, eis que a franquia retorna e Truque De Mestre: O 3º Ato consegue ser divertido e absurdo como os anteriores, mesmo com alguns problemas que o tornam o mais fraco da trilogia.
Trazendo os conhecidos Cavaleiros se unindo com um trio de jovens mágicos para roubar um diamante e expor sua herdeira e seus esquemas corruptos, Truque De Mestre: O 3º Ato usa da velha fórmula da franquia, conferindo ritmo e dinamismo para a história a partir de seus truques de mágica e claro, pela boa sintonia com o elenco e pelo movimento da narrativa reservando bons momentos e uma e outra surpresa na história, o que sempre torna a experiência divertida e nunca cansativa. Ainda que funcione, este terceiro filme peca por tentar se elaborar demais em sua história, como um mágico puxando vários coelhos da cartola para desviar o nosso foco de qualquer falha no roteiro, e ainda assim parece mais do mesmo, até mesmo os truques de mágica, mesmo que divertidinhos, parecem ainda mais absurdos que o necessário, e mesmo quando empolga, parece faltar algo.
E é aqui que o filme perde muitos pontos por ter um problema que acontece de certa forma nos anteriores que é o fato de que, se qualquer coisa pode ser ilusão ou truque, não há como criar certa confiança no espectador. Para piorar, o roteiro é bem mais convencional que deveria (como o velho debate entre o velho e o novo a partir dos Cavaleiros e os jovens), algo que contamina a direção de Ruben Fleischer, que além de desinteressante, parece ter se entregado cada vez mais a projetos que poderiam ser dirigidos por qualquer cineasta por aí, só encontrando algum interesse quando pode fazer algum truque de mágica mais elaborado (nesse caso, o longo plano que retrata todos os personagens realizando vários truques contínuos e a sequência que todos os personagens tentam escapar da polícia em uma mansão com truques peculiares que envolvem perspectiva, espelhos e paredes giratórias são excelentes exemplos disso), e tratar a entrada dos Cavaleiros como grandes momentos se revela meio bobo, já que os filmes passam longe de serem memoráveis (e menos ainda seus personagens). E o roteiro também não ajuda, já que para justificar o retorno dos personagens depois de tantos anos, encontram justificativas que não convencem muito (e a entrada em cena dos demais conforme a necessidade ao longo do roubo do diamante é um exemplo disso), sem contar que a tal organização O Olho permanece tão misteriosa que três filmes depois, ainda não entendemos ela e nem seu funcionamento além de enviar cartas de tarô para seus seguidores, o que já está se tornando muito irritante. Logo, falta ao filme a habilidade dos anteriores (ou de obras que envolvam mágica como O Ilusionista ou a obra-prima O Grande Truque) que é a de permitir que o espectador participe da brincadeira e se deixe ser surpreendido (e isso é algo que só acontece no desfecho, mesmo que este repita o mesmo truque do segundo filme).
Contando com boas atuações (o quarteto dos Cavaleiros formado por Jesse Eisenberg, Isla Fisher, Dave Franco e o sempre divertido Woody Harrelson estão mais que confortáveis em seus papéis, enquanto isso, os novatos abraçam os velhos estereótipos de jovens cheios de si, conseguindo trazer alguma energia ao filme em especial Dominic Sessa que confere charme e arrogância divertidos, e Rosamund Pike é ótima, ainda que o sotaque adotado por ela soe falso e incrivelmente distrativo), uma fotografia sem graça (e que depois de dois filmes fotografados em película e digital de forma bem bonita, este aqui se entrega ao vício da cinematografia atual de uma paleta sem vida), um ótimo design de produção (o castelo chama a atenção com suas salas com truques e mágicas peculiares, o que rende bons momentos), uma boa trilha sonora e design de som, ótimos efeitos especiais, enfim, é um filme bacana e divertido, embora dê seus primeiros sinais de esgotamento para a franquia.

 

Continuação de Truque De Mestre e Truque De Mestre – O 2º Ato.
Baseado nos Personagens Criados por Boaz Yakin e Edward Ricourt.

 

Gênero: Ação/Aventura
Duração: 113 Minutos
Classificação Indicativa: 12 Anos (Violência, Drogas Lícitas e Linguagem Imprópria)
Distribuição: Paris Filmes
Direção: Ruben Fleischer
Elenco: Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Dave Franco, Isla Fisher, Justice Smith, Dominic Sessa, Ariana Greenblatt, Rosamund Pike e Morgan Freeman

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

 

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