Crítica - Pânico 7

Críticas Gerais

Pânico se tornou uma franquia muito consagrada ao longo do tempo, iniciando de maneira surpreendente ao satirizar e criticar os slashers, ao mesmo tempo que abraçava os próprios clichês, algo que se manteve com bastante consistência ao longo de todos os filmes da franquia e que atingiu o seu ápice no excelente quarto filme (e que me surpreende por ser, talvez, um dos mais subestimados da franquia). Depois de levar três anos e passar por problemas no roteiro e principalmente nos bastidores que levaram à absurda demissão de Melissa Barrera, e por consequência, a saída de Jenna Ortega (coisa que curiosamente aconteceu lá atrás em Pânico 3, que também levou três anos entre o segundo título e o terceiro devido a problemas nos bastidores e com o roteiro), eis que finalmente chegamos a Pânico 7 que se revela um dos mais interessantes e intensos da franquia, mesmo que decepcione bastante em seu desfecho anticlimático.
Trazendo Sidney sendo novamente perseguida por um novo Ghostface, que dessa vez ameaça a sua família, Pânico 7 segue muito bem não só as convenções do gênero, como também de toda a franquia, mas também surpreende ao subvertê-la de forma surpreendente e que confere novidade para uma franquia já tão estabelecida, onde traz boas ideias em seu roteiro que soam como homenagens sutis (como a introdução da filha de Sidney que é idêntica à apresentação da própria Sidney no filme de 1996, o que confere um caráter cíclico à narrativa, enquanto a verdadeira primeira aparição de Ghostface ao fundo de uma cena soa como homenagem a uma cena do clássico Halloween – A Noite Do Terror) ou pura surpresa (como a primeira ligação que Sidney recebe ou uma revelação ainda na metade do filme). Essas pequenas novidades trazem interesse ao filme, cujo ritmo é sustentado à perfeição, e ainda traz perseguições bastante intensas (como aquela dentro da casa de Sidney ainda na primeira metade), não à toa, é talvez o filme com algumas das mortes mais chocantes e brutais de toda a franquia. Além disso, ao trazer Sidney de volta, o roteiro volta a trazer o protagonismo que a personagem não tinha desde o quarto filme, e que é ainda melhor por explorar muito bem as oportunidades dramáticas da personagem, que há tempos não era tão testada emocionalmente (e o Ghostface aqui se mostra bastante implacável e brutal, dando bastante trabalho aos personagens).
Inclusive, é notável perceber que dessa vez existe uma mudança nítida em relação até mesmo ao tom da narrativa, o que se mostra uma opção relativamente bem-vinda, já que o diretor Kevin Williamson, também responsável pelo roteiro deste aqui (e também do primeiro, segundo e quarto da franquia), leva a história bem mais a sério do que de hábito, deixando de lado o típico bom humor autoconsciente que a franquia sempre trazia por boa parte do tempo (não é que não tenha, ele só está mais contido), o que por outro lado, confere uma intensidade surpreendente ao filme. Sim, há incômodos pontuais, como a burrice ocasional dos personagens (é inacreditável o que a Tatum faz logo após atirar em certo personagem), alguns sustos falsos e o próprio desenvolvimento de Tatum, filha de Sidney incomoda por apostar no velho esquema de adolescente irritadíssima com a mãe, além disso, há um furo grotesco (como que os jovens do novo elenco conseguiram sair da casa da Sidney sendo que estava sendo vigiada pelo esposo da mesma que por sinal, é policial?) e exageros absurdos como certo personagem que sobreviveu por horas depois de levar uma facada e claro, o assassino que retorna para o último tiro, mesmo depois de ter sido fortemente baleado e esfaqueado. E assim como Star Wars: A Ascensão Skywalker, se aquele filme buscava ignorar os acontecimentos do filme que o precedia, este aqui também se esforça para isso chegando a citar que os acontecimentos em Nova York foram sem graça devido à ausência de Sidney.
Até que chegamos ao seu desfecho, que facilmente é o mais fraco de toda a franquia, e sugiro não ler o restante desse parágrafo se ainda não assistiu ao filme: Depois de passar o tempo todo sugerindo a ideia de que Stu sobreviveu, onde até mesmo vemos Stu ameaçando Sidney em vídeo (o que confere novidade já que o assassino geralmente surge ao final do filme, além de ser ótimo rever Matthew Lillard com a insanidade divertida de Stu), o filme se torna vítima da sua própria ambição e da própria expectativa que cria em torno de si, pois no momento que é revelado quem está por trás da máscara a reação é de pura incredulidade, já que o filme não preparou tais personagens para a revelação (que se torna ainda pior por trazer uma motivação fraquíssima e nem um pouco convincente). Com isso, toda a perfeita construção do filme para um desfecho impactante se mostra anticlimático, e pensando em retrospecto, o roteiro cria pistas falsas para desviar nossa atenção do verdadeiro assassino, e nisso, trapaceia já que aqueles personagens surgem em cenas brevíssimas demais para entrarem na lista de suspeitos, e mais ainda, leva a franquia a se contaminar pela necessidade de fan service ao trazer velhos conhecidos da franquia para breves participações especiais, o que é cínico por parte do filme, já que pensando bem, estes não fariam diferença para a história.
Contando com ótimas atuações (Neve Campbell volta a demonstrar a força de Sidney, trazendo o equilíbrio perfeito entre a valentia, o terror crescente e a vulnerabilidade perante os acontecimentos do filme, e é um belo detalhe a atriz conferir uma certa introversão ao falar de temas bastante pessoais para a personagem, enquanto isso, Isabel May convence como a filha de Sidney, atravessando bem um eficiente arco narrativo, mesmo que a atriz irrite com os velhos clichês de adolescente irritante e Courteney Cox continua bastante eficaz como a jornalista Gale, enquanto isso, o novo elenco faz o que pode com o pouquíssimo que tem), uma fotografia correta (embora exagere nas sombras duras, tornando o filme visualmente desinteressante), uma ótima maquiagem (algumas das mortes são retratadas de forma chocante em sua violência), uma excelente trilha sonora (e que traz o responsável pelas trilhas dos quatro primeiros filmes, e é um pequeno prazer ouvir o excelente trabalho do compositor Marco Beltrami, que traz o clima de tensão e suspense perfeitos ao filme), enfim, é um ótimo filme, apesar do seu desfecho não fazer jus à sua construção.
 

 

PS.: Há uma cena adicional durante os créditos finais.

 

Continuação de Pânico, Pânico 2, Pânico 3, Pânico 4, Pânico e Pânico 6.
Baseado nos Personagens Criados por Kevin Williamson.

 

Gênero: Suspense
Duração: 114 Minutos
Distribuição: Paramount Pictures
Direção: Kevin Williamson
Elenco: Neve Campbell, Isabel May, Jasmin Savoy Brown, Mason Gooding, Anna Camp, David Arquette, Michelle Randolph, Jimmy Tatro, Mckenna Grace, Asa Germann, Celeste O’Connor, Sam Rechner, Mark Consuelos, Tim Simons, Ethan Embry, Matthew Lillard, Joel McHale e Courteney Cox

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:

https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

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