Crítica - Amores Materialistas

Críticas Gerais

Amores Materialistas ensaia discutir relacionamentos modernos de forma cínica e pragmática, mas se perde nas próprias intenções, se salvando pelos ótimos personagens.
Trazendo uma casamenteira que se vê envolvida entre um novo amor e um antigo namorado, Amores Materialistas tem uma primeira metade absolutamente sensacional, onde funciona não só por apresentar seus personagens, mas de como discute relacionamentos modernos a partir deles de uma forma que remete a um acordo ou uma transação entre as partes (ou pior, como mercadoria). E é aí que reside seus melhores momentos já que a protagonista, consciente do universo que habita, sabe que as pessoas idealizam outras, e que em tempos complicados de aplicativos de relacionamento, há uma necessidade que ela sabe que consegue pelos seus clientes. Mais ainda, ao se ver em um triângulo amoroso, sua protagonista sabiamente percebe como ela é vista por eles como pessoa, e esse cinismo e pragmatismo por parte de seus personagens, suas diferentes visões sobre amor e a construção de seus relacionamentos até ali é construída e discutida de forma madura e tão cínica que quase chega perto de algo na linha do excepcional Closer – Perto Demais (eu disse quase), e em outro momento eu poderia dizer que era uma versão atualizada e moderna da divertida comédia romântica Hitch – Conselheiro Amoroso (e citar os dois é um exemplo curioso da confusão temática que o filme terá).
É uma pena que a partir de um determinado acontecimento de natureza agressiva, o filme, que já é naturalmente cínico, se torna bem mais pesado do que deveria (e embora o que acontece de fato aconteça na vida real, este não era adequado ao filme), e julgo que isso foi uma maneira da diretora/roteirista Celine Song trazer alguma humanidade para uma protagonista tão pragmática, mas que se revela um tiro no pé (e ao trazer certa importância para essa subtrama em dois momentos distintos, isso acaba arrastando o filme, e dali em diante, o ritmo oscila bastante). Para piorar, não só esse acontecimento muda a natureza do filme, mas também dos personagens, que se antes se comportavam como seres humanos, logo suas atitudes passam a ser incoerentes com o que foi apresentado antes. Logo, o que era para ser um filme cínico sobre relacionamentos logo se converte em uma clássica comédia romântica, justamente aquilo que o filme tanto buscava fugir, e infelizmente, essa transição acaba não sendo bem realizada por sua diretora, onde mesmo quando já se envereda pelo gênero clássico, não deixa de trazer de volta as batidas cínicas de antes (como a sequência que dois personagens imaginam um diálogo entre um casamento e o futuro do mesmo). Com isso, o filme parece não saber o que fazer com seus personagens, nem mesmo sabe como lidar com seus temas, o que o torna tematicamente confuso e indeciso.
Por outro lado, é no mínimo notável observar o trabalho da diretora/roteirista Celine Song, que depois do seu trabalho de estreia (o excelente e belíssimo Vidas Passadas), volta a trazer outro triângulo amoroso em seu centro narrativo, herdando daquele trabalho sua capacidade de desenvolver bem seus personagens, retratando que, ao menos John e Harry são dignos de sua protagonista, sem pender a balança de um para outro e humanizando-os no processo (e sequências como aquela de um jantar entre Lucy e Harry são exemplos disso). Além disso, a diretora mantém a sobriedade do seu filme anterior, construindo uma atmosfera urbanista tanto na fotografia quanto pelo design de produção, que nos leva a se sentir parte da ambientação. Por outro lado, ela pesa a mão ao logo trazer uma introdução passada no tempo das cavernas, e que é retomada em seu desfecho apenas para amarrar a história ao recriar dois planos idênticos, mas que se passam em diferentes períodos, amarrando a história de forma tematicamente confusa (então o Amor sobrevive independente dos desafios do período?).
Beneficiado pelo ótimo elenco que defende muitíssimo bem seus personagens, mesmo quando o roteiro começa a falhar (Dakota Johnson confere através da sua persona blasé uma mulher segura de si, e que traz uma imponência insuspeita, e a atriz domina cada minuto de cena de forma surpreendente, enquanto Chris Evans e Pedro Pascal trazem charmes distintos para seus personagens, onde retratam a humanidade deles, nos conquistando ora com a humildade de Evans, ora com a vulnerabilidade de Pascal, que comove com uma cena em que ele se agacha ligeiramente) e por uma excelente trilha sonora (cujos temas complementam a atmosfera do filme), enfim, é um filme cujo potencial é desperdiçado por não saber discutir a fundo suas ideias.
 

Gênero: Comédia Romântica e Dramática
Duração: 117 Minutos
Distribuição: Sony Pictures
Direção: Celine Song
Elenco: Dakota Johnson, Chris Evans e Pedro Pascal

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:

https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

Comentários 1

L
Luisa C Moreno20 de janeiro de 2026
Si, película malísima.

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