Crítica - Abigail

Críticas Gerais

Abigail se equilibra entre os extremos de sua narrativa, indo da pura diversão a excessos que quase comprometem o filme.
Trazendo um grupo que sequestra uma garotinha com o objetivo de pedir um resgate sem saberem que ela na verdade é uma vampira, Abigail busca construir bem sua história, permitindo um primeiro ato que confere um bom suspense a partir das relações entre os personagens, que será essencial para o restante do filme, onde traz figuras que ganham alguma dimensão para nos fazer torcer por elas para o inevitável banho de sangue que o filme trará, e essa demora em chegar ao objetivo da narrativa pode até ser perdoada por conseguir estabelecer os personagens. E ao engatar de vez, o filme salta entre momentos tensos com outros divertidos, em um ritmo que só não é perfeito pelos excessos (tanto narrativos quanto visuais), que leva o filme a se alongar um pouco mais (e isso pode ser exemplificado em um momento que certo personagem é transformado em vampiro, levando-o a vomitar sangue, e a cena se alonga por tanto tempo que acaba anestesiando o espectador do que levando-o ao riso nervoso).
Dirigido pela dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett (responsáveis pelos últimos dois filmes da franquia Pânico e pelo delicioso Casamento Sangrento), dá para dizer que há similaridades entre Abigail e Casamento Sangrento, já que ambos trazem uma sequência em que um personagem cai em um poço de cadáveres, têm o divertido hábito de explodir os corpos dos personagens de forma absurdamente hilária, o centro da narrativa é uma caçada (onde se antes era uma contra vários, agora são vários contra uma), além de ambos terminarem com suas sobreviventes completamente sujas e ensanguentadas depois de passarem por uma provação. No entanto, se o roteiro de Casamento Sangrento era curto, objetivo e bastante conciso em seu desenvolvimento, o de Abigail se entrega quase que totalmente ao caos e ao descontrole, demonstrando uma autoindulgência por parte de seus realizadores que parecem querer alongar o filme ao máximo, e com quase duas horas de duração, o terceiro ato acaba dando a impressão de que não sabe a hora de acabar, se alongando com mais tramas para aumentar os obstáculos de seus personagens, com isso, o que já é naturalmente over, vai descambando para o ridículo (mesmo sendo proposital). Além disso, até mesmo a lógica interna da narrativa surge falha (em dado momento, o braço de Abigail explode ao entrar em contato com o sol, mas depois que outra personagem é transformada em vampiro, o mero contato da pele com o sol só faz sair fumaça). Ainda assim, os diretores conseguem manter o mesmo tom divertido, mas tenso e curiosamente engraçado de antes, o que acaba equilibrando a balança, mesmo que não tão acertado como eles fizeram em Casamento Sangrento.
Conseguindo ser divertido sem culpa, o filme ainda conta com boas atuações (Melissa Barrera confere segurança e certa valentia que nos leva a gostar da personagem, Alisha Weir consegue saltar entre a inocência infantil com a ameaça de ser uma vampira com bastante destreza, trazendo uma certa malícia que a torna divertida, enquanto o restante do elenco servem bem as caricaturas divertidas de seus personagens, embora o saudoso Angus Cloud infelizmente aposte em um personagem avoado demais e cuja composição desinteressante – com direito a um tom de voz enfadonho – acaba tornando-o muito mais irritante do que deveria), uma fotografia correta, um eficiente design de produção (que embora traga certa elegância, achei que o filme não estabelece bem a escala da mansão, que parece ser muito maior do que é estabelecido), ótimos efeitos especiais, uma maquiagem muito boa (os dentes dos vampiros recém-transformados além de trazer ameaça, são divertidos em sua homenagem para A Hora Do Espanto), enfim, é um filme divertido e bacana.
 

Gênero: Suspense
Duração: 110 Minutos
Distribuição: Universal Pictures
Direção: Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett
Elenco: Melissa Barrera, Dan Stevens, Kathryn Newton, Will Catlett, Kevin Durand, Angus Cloud, Alisha Weir e Giancarlo Esposito

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:

https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

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