Anaconda, Avatar 3 & Bob Esponja | Sessão Tripla do Final de Semana #2 das Férias

Críticas Gerais

Seguindo com um formato de artigo mais curto que estou tentando implementar aqui nos meus textos da Peliplat (vide esta outra Sessão Tripla), neste final de 2025 e começo de 2026, emendei três idas ao cinema com as sessões de “Anaconda”, “Avatar: Fogo e Cinzas” e “Bob Esponja Em Busca da Calça Quadrada”. Em geral, são ótimas opções para as férias em família, com destaque para o novo longa do nosso grande Selton Mello.

 

Anaconda (2025)

Dirigido por Tom Gormican, e estrelado por Jack Black e Paul Rudd, “Anaconda” é um prato cheio para quem gosta de metalinguagem. Remake, sequência-legado, reboot, soft-reboot, seja lá como for chamada, o ponto principal do longa é pegar a ideia de fazer um filme e brincar dentro das possibilidades que isto se aplica. O personagem de Rudd é um ator sem sucessos em Hollywood, e compartilha sua frustração com seu amigo de infância (Black) de não encontrar êxito na carreira artística. Até que algo reúne seu antigo grupo de amigos cineastas amadores, fazendo com que tenham a oportunidade de regravar o clássico “Anaconda”, na Amazônia. É neste contexto que conhecemos o domador de cobras Carlos Santiago, interpretado por Selton Mello.

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O grande acerto do longa está no ritmo frenético do humor. Particularmente, devo admitir que não apenas ri durante todo o tempo, mas também dei gargalhadas gostosas. Sem rodeios, “Anaconda” é um dos filmes mais engraçados que assisti em 2025. Divertido, leve, despretensioso, tudo na medida certa. Seu trunfo está em não se levar a sério, apesar dos dramas convincentes de seus protagonistas, lidando com frustrações da vida adulta.

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Mesmo nos momentos em que estamos encarando a dura realidade da responsabilidade em não largar tudo para seguirmos nossos sonhos de infância, a simplicidade e leveza estão ali. Seja com elementos narrativos emocionantes como o filho de Jack Black o presentear com uma mini estatueta do Oscar, ou com componentes hilários das conversas movidas à álcool e risadas em um barco. Além disso, a ação inacabada mantém o espectador imerso sem distrações, mesmo quando a história começa a focar em um problema urinário do personagem do Steve Zahn (o que rende em uma das melhores cenas da produção). “Anaconda” vale muito a pena para quem está procurando por diversão sem peso algum nessas férias. Destaque para a cena pós-créditos, inclusive!

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Avatar: Fogo e Cinzas (2025)

James Cameron retorna pela terceira vez com sua obsessão visualmente deslumbrante. No entanto, desta vez o hiato não foi tão longo, o que pode acabar prejudicando a experiência imersiva desse universo. Quando “O Caminho da Água” estreou, a diferença de tempo em relação ao anterior era de 13 anos. Tempo suficiente para se criar uma expectativa (e saudade, inclusive) em relação ao retorno à Pandora. Em termos de bilheteria, “Avatar” e James Cameron são indiscutíveis. O diretor sabe entregar um produto com um excelente retorno financeiro. Porém, com os dois filmes estava mais que claro que o forte de “Avatar” nunca foi seu roteiro ou sua complexidade narrativa. A história por si só sempre foi bem simples. O ponto é o aspecto grandioso da técnica, dos efeitos visuais, dessa construção de mundo com biomas específicos e fantásticos. E a simplicidade da escrita não é um demérito, pois é no simples que Jake Sully (Sam Worthington) e sua família se conectam com o público. Dramas familiares fáceis de se importar. E é com isto que, três anos depois, deparamo-nos novamente com estes personagens.

Avatar: Fogo e Cinzas (2025) | MUBI

Desta vez, a família e seus amigos enfrentam a tribo do fogo, liderada por Varang (Oona Chaplin), que está recebendo armamento das mãos do temível Coronel Quaritch (Stephen Lang). Um dos pontos que acabam afastando uma pequena parcela do público dos filmes da franquia é sua duração. Particularmente, não me importo com durações longas, desde que são preenchidas de forma satisfatória. No “Avatar 2”, por exemplo, o que me incomodou não foi a duração, mas sim os personagens. Mas aqui, é inegável a fadiga evidente (ou, no bom português, encher linguiça incomoda). Tudo é arrastado, além de se dividir em pequenos arcos para cada núcleo com mudanças bruscas de ambientes, dando a sensação de que não estava chegando a lugar nenhum, até que - de repente - simplesmente chega. Ademais, o núcleo dos mais velhos conhecidos (Jake de Worthington, Neytiri de Zoe Saldaña) estão cada vez mais desinteressantes. Isto é, na teoria ainda são os grandes protagonistas, mas a história não decide se aprofundar tanto em suas áreas cinzentas, fazendo com que tenhamos uma certa distância em seus próprios dramas. Em compensação, o vilão Quaritch continua sendo o único com mais carisma, apesar de ser um vilão. Pelo menos, a performance de Lang nos dá um teor mais humano, mais verdadeiro mesmo, e não algo automático e robotizado como o grande Toruk Makto.

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No entanto, é válido mencionar o crescimento do núcleo mais jovem da história, com os personagens ficando ainda mais interessantes por justamente serem falhos e honestos (até mesmo o Spider, de Jack Champion, que foi o grande ponto negativo do segundo, aqui apresenta bons momentos). Por fim, temos um terceiro ato covarde e protocolar, digno de qualquer franquia aleatória atual, da qual deixa em aberto para novas produções ou spin-offs, porém caso não tenha tanto êxito está ‘satisfatória’ se acabar assim. Tal decisão é decepcionante dado a importância que o próprio roteiro dá para essas inúmeras voltas ao longo de mais de 3 horas. Falta algo definitivo, algo impactante. Visualmente, não há como não se impressionar com “Avatar 3”. Ainda continua sendo um dos pouquíssimos que faz o 3D valer a pena. Porém, dentro da trilogia, é o mais fraco. A ideia da paixão do criador com sua obra me fascina, indiscutivelmente. Entretanto, a fadiga existe (e é natural também) e persiste.

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Bob Esponja Em Busca da Calça Quadrada (2025)

Para começar, este título não faz o menor sentido. Não há calca quadrada que está sendo buscada. O que temos aqui é apenas um episódio (dos mais desinteressantes) estendido da série animada. A princípio, isto não é um problema. Porém, estamos falando de Bob Esponja, um dos melhores desenhos animados dos últimos 27 anos, sem contar do primeiro longa-metragem de 2004, o clássico do Amendobobo. Por mais que na prática sempre tenha soado como episódios estendidos, ainda existia um respeito aos personagens, um algo a mais para deixar aquilo muito grandioso. O novo longa de 2025 segue a cartilha de ter um ator muito famoso em live-action (no caso o nosso bom e velho jedi Mark Hamill), porém não empolga tanto quanto o David Hasselhoff aparecendo do nada como um surfista robô, ou Keanu Reeves no auge de seu revival johnwickiano.

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De modo pessoal, o que mais me distanciou do longa foi a descaracterização de seus personagens clássicos. Aqui, podemos analisar que o processo de flanderização do Patrick está mais do que completo, ele não é mais o melhor amigo do Bob, ele é apenas um cara chato, insuportável e desagradável que existe ali. Além disso, é decepcionante a forma como o Lula Molusco é deixado de lado - de escanteio literalmente - durante a missão do filme. Para piorar, o Seu Siriguejo acabou se tornando muito mais uma figura paterna carinhosa para o protagonista, do que o chefe ganancioso do desenho. É válido ressaltar o fato de que nada precisa ser canônico. Nós sabemos que o Bob Esponja se encontrou com o Holandês Voador inúmeras vezes no desenho, e aqui é como se fosse a primeira vez. No entanto, mesmo mantendo esse aspecto ‘atemporal’ de seus personagens, o filme não dispõe do mesmo êxito de um “Looney Tunes: O Dia em que a Terra Explodiu” (2025), que foi uma das grandes animações escondidas do ano passado (da qual, inclusive, merecia muito mais reconhecimento). Isto é, com “Looney Tunes” temos os mesmos personagens de sempre em outros contextos se conhecendo pela primeira vez, porém com suas características intactas, as mesmas particularidades que faz com que sentimos apreço por eles estão ali. Diferente do novo filme do chapeiro do Siri Cascudo. Mesmo em meio a diversos pontos negativos, ainda há de se considerar seus acertos.

Official Trailer

O longa tem seu grande triunfo nas piadas nonsense, que sempre foram palcos para os momentos mais hilários da série e dos filmes. Outrossim, o design artístico e suas artes conceituais estão lindas e muito criativas, dentro de flashbacks e outros momentos lúdicos da trama. Um dos destaques está no meio do filme, do qual tudo é ‘pausado’ para noticiar que o filme “saiu do controle”. Por fim, podemos concluir que, ainda assim, há ótimos momentos pelo próprio carinho com o personagem do Bob, imortalizado pela lendária dublagem brasileira do Wendel Bezerra. É um filme que vale a pena para toda a família nessas férias. Apesar de tudo, ainda é Bob Esponja. Ainda é divertido.

Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada' Lança Novo Trailer Oficial com  Retorno de Clássicos – LoucosPorFilmes&Series

Portanto, temos uma sessão tripla perfeita para se assistir ao longo do resto dessas férias de verão.

Comentários 1

B
Brie Moreno31 de maio de 2026
Anaconda foi o melhor disparado!

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