Frankenstein, Truque de Mestre 3 & Harry Potter 4 | Sessão Tripla do Final de Semana #1
Críticas GeraisNeste final de semana, assisti a alguns filmes. Dentre os principais, teve o novo “Frankenstein” na Netflix, “Truque de Mestre 3” com sua recente estreia no cinema, e o relançamento exclusivo de sábado (15/11) nas telonas de “Harry Potter e o Cálice de Fogo” em comemoração dos 20 anos do longa. Decidi tentar outro formato de artigo aqui na Peliplat. Assim como vou tentar trazer mais textos do tipo ‘Dobradinha’ (sugerindo dois filmes para assistir em uma ocasião especial, assim como fiz com Scooby-Doo no Halloween), pretendo fazer a ‘Sessão Tripla do final de semana’. Trata-se de apenas considerações rápidas sobre lançamentos recentes. Filmes dos quais eu gostei, mas não estarei me aprofundando muito no tema, por diversos motivos. Então, vamos lá!
Frankenstein (2025)
Falando um pouco atrasado sobre esse aqui, já que foi lançado há duas semanas, finalmente assisti ao novo filme do Guillermo Del Toro. O casamento perfeito, na verdade. Del Toro sempre deixou claro o quanto gostaria de realizar esse filme, contar essa história. Basta revisitar sua filmografia e observar o quanto a temática ‘monstro e criatura’ está presente. Realizando o trabalho de sua vida, o cineasta mexicano retorna com sua parceria junto à Netflix, com a releitura do clássico absoluto “Frankenstein”. Estrelado por Oscar Isaac, Mia Goth e Jacob Elordi, aqui acompanhamos a queda de Victor Frankenstein e sua louca obsessão pela criação do morto-vivo mais famoso de todos os tempos.

O grande destaque do longa está no âmbito técnico. Todos os setores estão alinhados perfeitamente para a construção de um universo fascinante. O design de produção somado ao figurino e maquiagem formulam uma atmosfera deslumbrante e encantadora, ao mesmo tempo que exibe as faces da crueldade humana representada pela visceralidade (literalmente) do laboratório de Victor. Junto ao filme, na Netflix há um especial que mostra, com maior profundidade, os detalhes envolvendo a anatomia da criatura. E é, realmente, para aplaudir de pé. É um trabalho primoroso que estamos presenciando aqui. No entanto, senti que narrativamente o filme foi ficando um pouco cansativo em seu terceiro ato. É claro que há aqui o fator da duração (que, geralmente, não ligo se é muito longo) com suas 2 horas e 30 minutos, que me pegou um pouco. No entanto, há o fator da escolha que a montagem optou por dividir o filme em dois capítulos, ao passo que acompanhamos simultaneamente a história que está sendo contada em um contexto, e seus devidos flashbacks. 
No capítulo 1, encontramos a visão do criador, e no segundo a da criatura. Além disso, há uma troca de tom entre as duas partes cujo contraste é interessante pela evidência da mensagem que o filme quer passar: quando Victor está narrando, há muita ação e frenesi representando a compulsão do cientista em realizar seu feito de brincar de deus; já quando a Criatura está narrando, há muita contemplação, momentos silenciosos, como se estivéssemos descobrindo junto ao personagem seu verdadeiro propósito. E isto é um ponto extremamente positivo, do qual sua resolução desmorona tal construção dada à exposição barata que o texto do filme se propõe. O clássico ‘vou desenhar para entender melhor’, sendo que todos nós sabemos de toda a moral dessa história. Dito isto, seus acertos se sobressaem em relação aos erros, contemplando-nos com uma das certeiras opções da Netflix para as temporadas de premiações prestes a começar (principalmente nas categorias técnicas).

Truque de Mestre - O 3º Ato (2025)
A franquia dos ‘X-Men da Mágica’ retornou aos cinemas recentemente, em novembro desse ano, agora com muito mais Cavaleiros. Dirigido por Ruben Fleischer, “Now You See Me, Now You Don’t” retorna após quase 10 anos de hiato, depois do segundo filme (o pior da franquia, aquele com o Daniel Radcliffe). Na conclusão da trilogia, temos o retorno dos quatro Cavaleiros clássicos estrelados por Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Dave Franco e Isla Fisher, além de Lizzy Caplan que se integrou ao grupo no “2º Ato”. 
Mas podemos afirmar que o grande destaque está na inserção de novos integrantes, estrelados por Justice Smith, Ariana Greenblatt e Dominic Sessa. Aliás, sempre que as franquias querem inserir novos personagens, fazendo contrapontos com os originais, fico com um pé atrás, devido aos clichês inerentes do tipo “essa garotada de hoje não sabe como faz” ou “vocês estão ficando enferrujados”. Isso, particularmente, tem me cansado bastante. Porém, aqui temos um trunfo (carta na manga…) que a franquia exibe desde seu princípio: o ilusionismo e a mágica são, realmente, impressionantes (e não precisam fazer sentido, pois nós como público só queremos nos impressionar). E, sinceramente, desde o primeiro não seguimos muito uma lógica exata aqui, e os realizadores podem se ancorar na desculpa de abordarem vários usos de truques de mágica, e está tudo bem… Não precisa haver explicações de tudo. O problema dos dois primeiros, para mim, sempre foi quando eles queriam se levar à sério demais. Por exemplo, pela própria proposta da temática Mágica, temos muitos plot twists nos dois longas anteriores. O que, de primeira, pode soar interessante. Contudo, quando já se é a quarta vez começa a ficar cansativo. É por esta razão que não consigo gostar muito do segundo.
Porém, há de se admitir que são bons blockbusters para se assistir despretensiosamente em algum final de semana. São divertidos, bem humorados e com cenas empolgantes (como a famosa cena da carta do filme anterior). Não chegam a ser contemplativos demais, e quando tentam se perdem em sua orientação. “O 3º Ato” reafirma o viés heroico que os mágicos apresentam. Aqui fica ainda mais nítido a impressão de que não estamos vendo apenas mágica, mas sim magia. Parece que todos os personagens apresentam poderes sobrenaturais, capazes de realizar inúmeros feitos incríveis além da compreensão humana. Isso pode soar cansativo, mas com a direção certa pode ficar interessante. Cada filme da franquia apresenta um diretor diferente (Louis Leterrier no 1, Jon M. Chu no 2). Ambos os três não são conhecidos por uma autoralidade marcante, mas sim por bons diretores regulares de estúdios, com alguns acertos maiores específicos em pontos da carreira. Fleischer aqui tem seu grande destaque quando o elenco está todo concentrado em um castelo recheado de aparelhos e artimanhas para a realização de variados truques de mágica, rendendo até em um ótimo plano-sequência. Para finalizar, o filme acerta com a inclusão dos novos personagens e a interação dinâmica com os carismáticos da velhaguarda. Acabou sendo meu favorito da franquia!
Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005)
Há muitas ressalvas na abordagem deste aqui. Primeiramente, é preciso mencionar toda a polêmica envolvendo a autora da saga. Sempre que há notícias sobre a produção da nova série da HBO ou desses relançamentos comemorativos, começam a pipocar inúmeras reclamações sobre o apreço que os fãs ainda mantêm com essa franquia. Muitos já largaram a mão, outros ainda estão firmes apesar da JK Rowling. Particularmente, confesso que sempre fui um grande fã de Harry Potter, desde minha infância. E, à época de seus lançamentos, consegui assistir todos no cinema a partir do “Ordem da Fênix”. Então, ter a oportunidade de assistir os primeiros nas telonas é um presente imensurável para aquela criança que cresceu com os filmes. No entanto, preciso afirmar que nos últimos anos comecei a cansar sim sobre as notícias que envolviam a franquia. Confesso que não estou empolgado com a série. Ainda acho que seria melhor a abordagem de outras histórias envolvendo pontas que ficaram soltas nos filmes (tanto nos sete originais quanto nos “Animais Fantásticos”). Porém, Harry Potter vende muito! Não à toa a série, não à toa os relançamentos. Desde que “Pedra Filosofal” foi relançado, a franquia demonstra nas bilheterias que ainda continua fortíssima, mesmo após vinte anos. E vai continuar sendo, pois o amor à franquia e por tudo que ela representou para seus fãs durante os dez anos originais de exibição ainda se sobressai perante às atrocidades que a autora insiste em vomitar pela boca.
Dito isto, “Cálice de Fogo” sempre foi um dos que mais queria assistir no cinema, pois apresenta uma ‘atmosfera de copa do mundo’ impressionante. Estádios cheios, torcidas fervorosas, provas mirabolantes do Torneio Tribruxo! Há aqui um grande evento do mundo bruxo, perfeito para as telonas. Mesmo depois de vinte anos, continua sendo um dos melhores da saga. De longe, o mais completo: na mesma medida que é engraçado, é triste, sombrio, pesado. Existem diálogos aqui que eu realmente dou risada até hoje mesmo depois de rever milésimas vezes, como quando o Cedrico convence Harry de levar o ovo para o banheiro dos monitores, ou quando Fred e George começam a cantar brincando com o fato de seu irmão Ron admirar Viktor Krum. Este filme me remete à um lugar muito nostálgico. Esse sentimento de colégio mesmo, de gincana. Na época eu tinha o álbum de figurinhas do filme, e um pôster específico sempre ficou na minha cabeça, pensando ‘nossa, agora Harry Potter está ficando sério’. Ao mesmo tempo que é muito icônico por apresentar de vez um dos maiores vilões dos últimos vinte anos do Cinema, o Lord Voldemort.
O ponto aqui não é falar muito sobre o filme em si, já que todos nós conhecemos por completo essa história. Mas sim exaltar o quão impressionante é observar que mesmo depois de anos, Harry Potter enche as inúmeras salas de exibição nesses relançamentos. Por um lado é triste ver a gradual diminuição de distribuição de salas exibindo ótimos filmes como “O Agente Secreto”, por exemplo. Por outro, há de se aceitar a forma mercadológica que os cinemas optam por seguir, pois sabem que - de fato - Harry Potter é uma das maiores franquias dos últimos tempos. E tudo funciona dessa forma (não é me$mo?). Para concluir, continuo sendo fã e tendo carinho pela franquia, pelos atores, mas não posso negar o gosto agridoce atual devido à insistência da autora em assumir esse papel grotesco que adotou nos últimos anos.

“Frankenstein” está disponível na Netflix. “Truque de Mestre 3” está em exibição somente nos cinemas (os outros dois podem ser encontrados na Netflix). Toda a franquia “Harry Potter” está disponível no HBO Max.










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