Crítica - O Ônibus Perdido

Críticas Gerais

O Ônibus Perdido é intenso em seu ritmo e envolvente em sua história real, mesmo com suas liberdades dramáticas.
Retratando o motorista Kevin McKay junto de uma professora que resgataram 22 crianças durante o incêndio de Camp em 2018, O Ônibus Perdido busca construir sua narrativa calcada em uma realidade sóbria ao mesmo tempo que vai criando um clima de forte tensão diante da chegada do incêndio, se inspirando, claro, nos clássicos filmes de desastre (sejam eles baseados em histórias reais ou não). Envolvente do início ao fim, o filme engata em um ritmo eletrizante e absolutamente intenso, e mesmo que pontualmente se torne repetitivo em sua estrutura (que salta entre o resgate das crianças e nas estratégias dos bombeiros para lidar com o incêndio), ao menos aproveita passagens para explorar as dinâmicas dos personagens, o que nos aproxima deles.
Por outro lado, o roteiro toma liberdades dramáticas que ficam nítidas para o espectador, e que por mais que tenham sido “baseadas na verdade“, o seu uso se revela muito mais cinematográfico e artificial do que verdadeiro, já que a apresentação do protagonista já o coloca como um sujeito desacreditado pelos demais, como também ele passa por uma série de situações (como a relação com o filho e outra com o seu cachorro, assim como a tentativa de criar paralelos com a vida do protagonista a partir de uma das crianças no ônibus) e que ao surgirem de forma sequencial (e em excesso), fica ainda mais escancarada a estratégia que, embora artificial, não deixa de ter sua eficácia (como a tensa sequência de uma manutenção do ônibus enquanto o fogo se aproxima). E isso se revela surpreendente, já que o diretor Paul Greengrass (que também assina o roteiro junto de Brad Ingelsby) sempre prezou pelo realismo de suas histórias, e que mesmo trazendo suas liberdades dramáticas naqueles filmes, eram contidas o bastante para não nos desviar do foco narrativo (e nem surgiam em excesso). E claro, não há como negar que a cidade que se ambienta o filme (Paradise, traduzido para Paraíso) se transforme no inferno na terra, numa daquelas coincidências inacreditáveis que a vida apresenta.
Felizmente, a direção de Paul Greengrass traz a marcante intensidade que tornaram seus filmes extremamente eficazes: adotando seu estilo documental e com a câmera sempre em movimento (e com o cuidado para não nos perder no meio da ação e do caos), essa estratégia acaba ajudando a tornar a experiência sempre intensa, nos levando para dentro do filme e explorando ao máximo o terror da situação (e claro, nos tirando o fôlego em várias das sequências). E para isso, ajuda muito o excelente trabalho técnico, especialmente o trabalho de som (que privilegia o realismo dos efeitos sonoros, retratando também a intensidade do incêndio com imensa força e imersão) e de efeitos especiais (e que surgem não só orgânicos, mas são excepcionais na criação de elementos como fogo e fumaça, e são bastante convincentes no retrato do incêndio, especialmente nas diversas tomadas abertas que vemos a grandeza do fogo e da forte fumaça, assim como sua força destrutiva).
Contando ainda com ótimas atuações (Matthew McConaughey confere imenso pragmatismo ao protagonista, mas também sobriedade na sua atuação onde trata Kevin McKay como um sujeito comum e que passou por muitas dificuldades, logo, a jornada do protagonista se torna convincente em função da força que McConaughey impõe para ele se provar a si e aos demais, enquanto America Ferrera está ótima e evoca bem o desespero crescente de sua personagem), uma ótima fotografia (que evoca com o granulado forte, a câmera em movimento e o uso frequente da cor laranja todo o sufoco e o desespero daqueles personagens), uma boa trilha sonora (que embora ligeiramente discreta, é eficaz na tensão dos seus temas), enfim, é um ótimo filme.
 

Gênero: Drama/Suspense
Duração: 130 Minutos
Distribuição: Apple TV+
Direção: Paul Greengrass
Elenco: Matthew McConaughey, America Ferrera, Yul Vazquez e Ashlie Atkinson

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:

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