Crítica - Homem Com H

Críticas Gerais

Homem Com H é uma cinebiografia muito boa, sobressaindo-se por refletir o artista e por trazer uma atuação extraordinária de Jesuíta Barbosa.
Retratando a vida e a carreira do cantor Ney Matogrosso, Homem Com H busca seguir as convenções – e seus problemas – das clássicas cinebiografias, conseguindo uma proeza notável de fazer com que o roteiro cheio de passagens episódicas da vida do artista, se torne bem sumarizado, mesmo que ocasionalmente apenas passe por essas passagens com rapidez apenas para mostrar que o biografado passou por aquilo. Com isso, o ritmo do filme oscila já que tem momentos que o filme permite desenvolver (como a relação com o pai e com o seu namorado Marco de Maria, além do período no Secos e Molhados) com outros que não se desenvolvem tão bem (como o relacionamento com o cantor Cazuza ou o momento inacreditável que certo personagem sugere para Ney para eles viajarem juntos). Por outro lado, aquilo que o filme desenvolve bem encontra alguma força emocional, e os momentos que o filme retrata o relacionamento com Marco de Maria após o diagnóstico de AIDS (o que na época, era uma sentença de morte) se tornam absurdamente tocantes.
Mas o que torna Homem Com H melhor que a média das cinebiografias é a sua capacidade de retratar o artista e o homem por trás daquelas performances transgressoras sem receio algum de suavizar sua história, mostrando Ney Matogrosso sem medo de enfrentar os demais para defender a sua visão artística (por mais ousada que esta fosse) enquanto também se mostra desafiador a partir das suas performances, nos levando a acompanhar também o processo de transformação daquele homem comum em uma figura que atrai a nossa atenção imediatamente. E falando em transformação, o talentoso Jesuíta Barbosa praticamente se transforma no artista e no homem diante dos nossos olhos, criando uma atuação excepcional em todos os sentidos: o ator adota o movimento, a postura e o olhar do cantor onde adota uma lógica performática desde a juventude, como se o lado artístico dele já estivesse presente desde sempre. E se toda a caracterização já impressiona, se torna ainda mais impressionante nas apresentações musicais, onde o ator desaparece em sua performance física, conseguindo até mesmo superar o fato de que está dublando as músicas, o que é um mérito e tanto.
Contando ainda com ótimas atuações (se Jesuíta Barbosa é o grande destaque, o elenco coadjuvante faz belos trabalhos, com isso, Rômulo Braga evita a caricatura de pai severo ao trazer alguma humanidade conforme ele redescobre o filho, Hermila Guedes traz um tocante afeto materno, Jullio Reis traz algum carisma como Cazuza, embora frequentemente o ator se entrega à caricatura de artista drogado e Bruno Montaleone é carismático e confere imenso carinho e verdade a Marco de Maria e sua relação com Ney), uma boa fotografia, um excelente design de produção (a reconstituição de época é perfeita), figurinos e maquiagem excepcionais (e que trazem toda a pompa e o divertido exagero do cantor), uma direção muito boa (que se sobressai ao trazer imensa energia às apresentações musicais junto da montagem, conferindo um ritmo enérgico e dinâmico às mesmas, enquanto traz planos simples, mas eficientes, como aquele que vai do pequeno Ney enchendo a caixa d’água para a sua versão adulta, ou aquele que retrata Ney Matogrosso em uma série de relações casuais enquanto sai um, e entra outro ou outra), um excelente design de som, enfim, é um filme muito, muito bom. E seu desfecho genial (em que sai do Ney Matogrosso do Cinema para a figura real) não só é perfeito, mas causa um surpreendente impacto ao mostrar que por trás daquele homem existe toda uma história que talvez nem o Cinema conseguiu contar tudo, e que existe também um artista que faz jus a toda a sua história e que merece essa alcunha.
 

 

Gênero: Drama
Duração: 130 Minutos
Distribuição: Paris Filmes
Direção: Esmir Filho
Elenco: Jesuíta Barbosa, Rômulo Braga, Hermila Guedes, Jullio Reis e Bruno Montaleone com as Participações Especiais de Céu e Sarah Oliveira

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:

https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

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