Cinco atuações do Paul Dano pra calar Quentin Tarantino.
Críticas GeraisÀ luz dos acontecimentos (agora já não tão) recentes, como diriam os acadêmicos, pensei em adiantar um embrião de projeto que vinha me animando a fazer, uma espécie de lista breve com destaques de atores ou diretores que gosto bastante. Infelizmente o acontecimento em questão não é uma notícia boa, mas pode e deve ser ressignificado para algo produtivo, pois caso contrário se torna desperdício completo. Pois é, amigos, Quentin Tarantino strikes again.
Convidado por um podcast para apresentar sua lista dos melhores filmes do século XXI, Tarantino justificou ter deixado Sangue negro (2007) do Paul Thomas Anderson fora do topo da lista devido ao que ele justifica ter sido um grande erro do diretor, a escalação de Paul Dano para o elenco. Não satisfeito em relevar essa opinião polêmica gratuitamente, aproveitou para exagerar as ofensas e incluir mais dois atores na lista de indesejados, Matthew Lillard e Owen Wilson. Acontece que ambos são muito bons e queridos.

É preciso estar geologicamente posicionado em uma galáxia muito distante ou mentalmente em uma outra dimensão para não ter ideia sobre quem é Quentin Tarantino, o mesmo não pode ser dito a respeito de pelo menos dois dos três atores que ele atacou, tão logo, é bem triste constatar que ultimamente Quentin perdeu a noção do peso de suas palavras ou que esteja de forma engajada tentando minar qualquer consideração que a comunidade cinéfila ainda preservava em relação a ele. Essa não é a primeira e, está longe de ser a última polêmica que vemos vinculada ao seu nome, nesse instante enquanto escrevo esse artigo sei que já temos novas notícias escandalosas circulando a todo vapor na internet.
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Bom, após contextualização vamos ao que realmente interessa, a filmografia fantástica de Paul Dano que, aos 41 anos de idade mantém em seu currículo performances admiráveis, uma estreia de direção que foi muito bem nos festivais mundo afora, roteiros e uma HQ elogiadíssima que tive o prazer de ler não faz muito tempo, “Riddler ano um” vale muito conferir, até mesmo aos que não são dados ao mundo geek. Paul já foi jurado em Cannes e vira e mexe aparece em algum projeto bacana e é apontado por isso com empolgação.
Na contra mão dos comentários maldosos de Quentin, nos dias que se seguiram ouvimos falar muito bem de Paul Dano, alguns outros artistas saíram em sua defesa e a lista não é pequena, nomes como Ben Stiller, Reese Witherspoon, Daniel Day Lewis, John Cusack, Penélope Cruz e entre outros se manifestaram a favor do ator publicamente. No fim das contas o feitiço virou contra o feiticeiro, pois é, como se tentando denegrir Paul Dano, Tarantino tivesse feito uma publicidade muito boa do ator, fala-se em “cancelamento reverso” pela primeira vez na história das redes sociais (ideia do Tik Tok e Twitter isso, não me julguem pelo termo).
E falando em publicidade, eu mesma pensei que pudesse se tratar de algum golpe de marketing ou coisa que o valha justamente porque esse tem sido o novo modos operandi de redes sociais aqui e ali, hoje sabemos que não era nada disso, foi apenas o “jeitinho” espontâneo do Quentin de comentar de maneira muitíssimo profissional sobre o trabalho alheio, nesse caso, já passou muito da hora de separarmos o artista da obra.
Enfim, como sei que Tarantino é bem mais popular que Dano, resolvi espalhar a palavra de um dos meus atores favoritos que, definitivamente é um dos grandes de sua geração. Aproveito para relembrar algumas coisas muito legais que ele já fez. Eis abaixo minha singela listinha, em nenhuma ordem específica.
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5. The Beach Boys: Uma História de Sucesso (2014)

Confesso que odeio a tradução desse título com a mesma força que gosto do filme, The beach boys: uma história de sucesso é “Love & Mercy”, (bem melhor assim), é especial para os fãs de música, pois além de contar um pouco da carreira do Brian Wilson junto ao Beach Boys o filme aborda dois momentos da vida de Brian, e justamente por isso dois atores dividem o mesmo papel, Paul Dano interpreta Wilson ali nos anos 60, quando a banda estava no auge, Wilson enfrenta episódios de crises de pânico que o impedem de continuar em turnê, sem entender ao certo o que se passa dentro de si ele encontra uma maneira de pelo menos dar voz ao que se passa em sua mente, Brian então efetua um trabalho intenso em estúdio explorando os mais diferentes sons Em Love and Mercy temos a oportunidade de ter uma ideia do processo criativo de Brian.

O ator John Cusack aparece no filme também no papel de Brian Wilson, mas dessa vez o representando em meados dos anos 80, num momento difícil em sua vida, vemos através dele um Brian debilitado e isolado tanto dos amigos e conhecidos quanto do meio musical, e sob cuidados médicos, um lado menos criativo da sua história, o lado triste. Ambos atores estão muito bem no papel de Brian Wilson, mas tenho pra mim que Paul Dano se sobressaiu de muitas maneiras, devido a época que representa, a maneira como interpreta seu papel, sua veia musical definitivamente ajudou bastante, pois é, Paul Dano já teve uma banda, e muito interessante por sinal, Mook, você consegue conferir aqui, e bom, a semelhança física com Brian que ele alcançou nesse filme é realmente um sucesso a parte. Filmão, tentem não chorar e cantar junto.
4. Para Ellen (2012)

Esse vem da minha fase favorita do Dano, em meados de 2012 ele também fez Being Flynn que ficou fora dessa lista por questões de: não posso escolher só filmes desse ano; Ruby Sparks; e Os suspeitos do queridíssimo Villeneuve, outro filmão obrigatório.
Para Ellen é um drama bem delicado da diretora independente coreano-estadunidense So Yong Kim, nele acompanhamos o pai ausente, Joby Taylor (Paul Dano) que resolve se tornar presente, isso acontece quando recebe a proposta de divorcio da esposa que já não tem qualquer contato e descobre que nesse documento está implícito que uma vez aceito ele também abre mão da guarda da filha, então Taylor resolve contratar um advogado para lutar pela guarda da criança e ao mesmo tempo, numa espécie de manobra tenta se aproximar da filha sem julgamentos.
E por que eu disse julgamentos? Umas das coisas mais interessantes desse filme é a caracterização de Dano, aqui ele é uma espécie de rockstar fracassado e esquisitão, então logo um contraste se instala ao redor da trama. Inclusive uma das cenas mais bonitas desse filme é extremamente doce, o passeio que pai e filha fazem no shopping, o papo que levam, sincero e ingênuo, pai e criança parecem ter a mesma idade e apesar de todos os pesares e a situação assim tão complexa em sua totalidade por um momento conseguimos enxergar e compreender todos os lados, é um filme pra chorar e claro, pra contemplar muito, esse é o primeiro filme da diretora que foi feito em língua inglesa

E, bom, se me permitem a observação: a 2ª cena mais bela desse filme é uma performance roqueira que Dano faz de uma canção do Whitesnake, num bar, uma coreografia, o tipo de performance que a gente desacredita que Paul faria, mas ele fez, de novo, e é de surpresas assim que boas atuações são feitas.
3. Um Cadáver Para Sobreviver (2016)
Segunda melhor fase de Dano, temos aqui Okja, Escape at Dannemora e Guerra e paz (onde interpretou nosso querido Pierre Bezukhov). Precisei sacrificar algumas dessas gemas em prol desse que não poderia de jeito nenhum ficar fora da lista, pois é um feito incrível no geral, uma trama um tanto surrealista que é carregada de significados embora vestido de simplicidade e, coisas um tantinho escatológicas.

Aqui acompanhamos Hank que está perdido numa espécie de ilha, e já não vê solução para si, resolvendo recorrer ao suicidio, pois bem justamente quando está a um passo de finalizar o ato visualiza alguém ao longe, próximo a água, desiste da ideia na hora e corre em direção a pessoa deitada na areia, mas aquela pessoa não está viva, isso mesmo, estamos falando de um cadáver… mas, há esperança, não é um cadáver qualquer, se trata de um cadáver mágico, um tal de canivete suiço, ou seja que serve aos mais diferentes usos e isso vamos descobrindo pouco a pouco junto com Hank.

Chamar esse filme de lúdico é pouco pra expressar, é um acontecimento, o filme quase por completo conta com apenas dois atores, Paul Dano e Daniel Radcliffe, que sendo uma espécie de morto muito louco acaba fazendo Paul brilhar muitíssimo e quase absoluto, mas sim, Daniel também tá surreal de bom aqui, enfim, na época de lançamento desse filme houve conversas sobre o Oscar para Paul Dano estar muito próximo, estava já muito claro, escrito nas estrelas, vamos assim dizer, não rolou, mas quem precisa disso para se validar, hã? Bom, Um cadáver para sobreviver é dirigido pelos Daniels que mais tarde iriam ganhar o Oscar (olha ele aí de novo) pelo filme Tudo em todo lugar ao mesmo tempo, o que já dá pra ter uma ideia do nível de insanidade boa que iremos encontrar aqui.
2. Escape at Dannemora (2018)
Essa é uma minissérie dirigida por Ben Stiller baseada em fatos reais, um evento que aconteceu em 2015, a fuga de uma prisão, quem não gosta do assunto? Ainda mais com a escalação de elenco absurda que temos aqui, Paul Dano, Benicio Del Toro e Patricia Arquette. Essa fuga foi de alta repercussão e revelou muitos problemas e escândalos dentre eles as grandes falhas do sistema prisional, relações inapropriadas, injustiças e tudo o que está incluso nesse pacote, na minissérie temos uma visão geral daquele universo e suas engrenagens, mas no microcosmos vemos dois prisioneiros tramando fria e meticulosamente uma fuga que se dá quase que tranquilamente devido a muito planejamento e ajuda interna, os famosos trâmites.

Resolvi colocar a minissérie da lista pois aqui não vemos aqui um Dano que sobressai sozinho, mas sim que joga com outras duas atuações de grande peso, e que não se perde, o nível se mantém, sem contar que vemos uma faceta de personagem mais uma vez diferente do que às vezes costuma interpretar, com uma naturalidade pura. Aliás, a personagem de Patricia Arquette aqui rouba tudo, é de fato uma personagem de muitas camadas, Arquette está magnífica e inesquecível.

1. Ruby Sparks: uma mulher de sonho (2012)
Talvez o filme mais memorável de Paul Dano junto com Pequena Miss Sunshine (ambos dos mesmos diretores Jonathan Dayton e Valerie Faris), Ruby Sparks tem motivos de sobra pra ser especial, seja por sua mensagem, pela crítica que faz a algumas vertentes de sua própria época e claro, também porque temos a oportunidade de ver o casal Paul Dano e Zoe Kazan atuando juntos como casal em um projeto que é de ambos. Em Ruby Sparks acompanhamos um escritor que mesmo atravessando uma crise de bloqueio criativo consegue fazer uma espécie de milagre, ao narrar como seria a garota dos seus sonhos acaba por criar Ruby Sparks, uma mulher que ganha vida e se relaciona diretamente com ele, a princípio a relação é toda bonitinha, mas quando ousamos pensar que isso pode dar certo é aí que dá tudo bem errado.

Ruby Sparks é um drama/comédia que faz crítica ao modelo manic pixie dream girl, ou seja, aquelas personagens femininas fofas e excêntricas criadas para realizar as fantasias dos personagens masculinos e que vivem apenas para orbitar tais personagens, sem qualquer aprofundamento ou independência, infelizmente algumas delas são bem caricatas, esse modelo foi muito comum nos anos 2010, e uma verdade seja dita, muitos de nós temos apego a personagens assim até hoje sabendo ou não quais são as implicações que essa abordagem pode ter causado. Bom, aqui a lição é sutil mas explicita ao mesmo tempo, e não nos impede de aproveitar as cenas fofas de romance e de nos apaixonamos por Ruby.

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Fica aqui a minha contribuição, vejam Paul Dano pois ele é demais. Owen Wilson e Matther Lillard também, talvez faça uma lista deles também.




























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