Crítica - Sacramento

Críticas Gerais

Sacramento é desinteressante em sua história, e mais aborrecido ainda em seus personagens.
Trazendo dois velhos amigos engatando uma viagem para jogar as cinzas do falecido pai de um deles em uma cidade distante, Sacramento usa da lógica dos road movies (ou filme de estrada) para sedimentar sua narrativa, buscando adotar um clima ligeiramente bem-humorado, mas essencialmente dramático. Infelizmente, faltou o mínimo de bom senso para a direção de Michael Angarano (que também escreve e é um dos protagonistas), já que seus personagens são incrivelmente chatos e aborrecidos, o que torna o passeio bem irritante para o espectador. Tudo bem que o filme tenta justificar esses aspectos falhos dos personagens a partir de pequenos pontos de vulnerabilidade entre eles (como os frequentes ataques de pânico provenientes de um aparente metodismo por parte do personagem de Michael Cera ou uma certa carência por parte do outro), mas com um personagem como o de Michael Angarano sendo capaz de inventar mentiras para prender o amigo a ele e sendo capaz de ignorar as ligações de uma mulher que se descobriu grávida dele, este se torna um incômodo constante, quando na verdade, é apenas um sujeito irresponsável, parasita, imaturo, incapaz de tomar decisões por conta própria e pior, acha que está agindo de maneira certa. E se Cera quase se torna uma figura minimamente coerente dentro do filme, no terceiro ato ele toma uma atitude tão absurda e descompassada que se torna indefensável (e o que dizer dele dizendo para a esposa que não quer ser mais amigo de Rickey, mas ainda assim, mantém a amizade sabe-se lá porquê?). O pior de tudo é que o filme parece não reconhecer isso, usando esses aspectos como fonte de piadas ou que mesmo são justificáveis (não são), afinal, são apenas jovens adultos que não estão prontos para a vida adulta, logo, é compreensível (na visão de seu diretor), mas aqui no mundo real, são apenas sujeitos imaturos que se julgam maduros. O pior é que o filme parece sem muito ritmo, atirando para todos os lados para ver se engata alguma coisa, apelando para cenas desnecessárias (como aquela no ringue) e bobagens que se repetem do cinema indie (como a excentricidade dos seus personagens ou uma razão de aspecto diferenciada só para se pagar de diferente).
Beneficiado ao menos pela fotografia (que é apenas correta, mas esteticamente agradável) e por boas atuações (Michael Angarano até tem algum carisma, mas seu personagem é tão aborrecido que acaba sendo sabotado, Michael Cera foge um pouco dos seus papéis clássicos e aqui está eficaz em um personagem que eu facilmente veria sendo interpretado por Ben Stiller há 10-20 anos, evidenciando bem seus conflitos internos e que parece sempre prestes a explodir, Maya Erskine faz uma boa atuação e chama a atenção e Kristen Stewart se revela a melhor atuação do filme, já que a atriz demonstra uma preocupação no olhar com relação ao marido, mas também imenso carinho e compreensão, como se já soubesse lidar com situações similares que aconteceram antes entre eles, o que confere dimensão e maturidade à personagem que certamente os roteiristas nem imaginaram), enfim, é um filme chatíssimo e aborrecido, como seus personagens.
 

Gênero: Comédia Dramática
Duração: 90 Minutos
Distribuição: Universal Pictures
Direção: Michael Angarano
Elenco: Michael Cera, Michael Angarano, Maya Erskine e Kristen Stewart

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:

https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

Comentários 0

Ainda não há comentários.

Deste autor