Crítica - Wicked

Críticas Gerais

O Mágico De Oz é um dos grandes clássicos do Cinema, sendo marcante tanto pelo seu visual Technicolor (inovador na época), quanto pelas canções. O sucesso foi grande o bastante para gerar continuações (pouco lembradas, por sinal) e revisitas (como a excelente e divertidíssima versão lançada em 2013, que trazia uma versão ligeiramente alternativa da história), além é claro, de uma peça musical da Broadway, e que é um dos seus maiores sucessos até os dias de hoje (e que chegou a ter exibição no Brasil, mas apenas em São Paulo, logo, nunca tive a oportunidade de vê-la). E claro que inevitavelmente essa peça chegaria aos cinemas, e Wicked é um musical que encanta com o visual e suas boas músicas, mesmo que soe um pouco autoindulgente.
Buscando recontar a origem da Bruxa Boa e da Bruxa Má do Oeste (respectivamente, Galinda e Elphaba) onde descobrimos que eram grandes amigas na universidade que estudaram, Wicked traz uma história que acredito, só se justificará quando a Parte 2 for lançada, e o roteiro busca expandir o universo de Oz com competência, e acerta por iniciar mais ou menos logo após o destino da vilã do clássico de 1939, o que estabelece de imediato um clima intrigante, e que conforme a história vai se desenrolando, ganha contornos trágicos quando relembramos o fim que terá. Buscando justificar sua longa duração, o roteiro busca esmiuçar bem a relação entre Elphaba e Galinda (e que é o centro emocional e narrativo do filme, e Elphaba também tem seu passado explorado), indo da inimizade até a amizade doce e tocante que nutrem pela outra, ressaltando no processo as personalidades de cada uma (e o momento que as duas finalmente se entendem é um dos momentos mais emocionantes e lindos do filme).
Encantando com o visual e suas músicas, Wicked é sempre belo aos olhos, onde o design de produção é fabuloso e lindíssimo em sua expansão do universo de Oz, chamando a atenção com a variedade dos cenários (como o quarto de Glinda carregado de rosa ou a própria Cidade das Esmeraldas e seu verde-esmeralda frequente), respeitando a essência visual do clássico (e a fotografia – aparentemente corrigida para o lançamento em mídia física e plataformas de streaming/On Demand – depois das inúmeras críticas em seu lançamento nos cinemas agrada pela paleta de cores equilibrada entre o sóbrio e o colorido carregado). Enquanto isso, os figurinos são fantásticos e belíssimos, evidenciando muito bem as personalidades de cada personagem, complementando também com o ótimo trabalho de maquiagem. Já a trilha sonora se destaca, claro, pelas boas músicas (embora, confesse que poucas delas me causaram impacto), onde os números musicais além de bem realizados (especialmente aqueles que envolvem muitos figurantes), são montados com clareza e ritmo, e o melhor de todos – Dancing Through Life, ou É Só Dançar, na versão brasileira – é empolgante e traz uma energia contagiante, e claro, Defying Gravity (ou Desafiar a Gravidade, na versão dublada) surge em um ponto alto perfeito da narrativa (já a trilha instrumental, embora um pouco discreta na mixagem, é muito bonita e com belos temas).
Mas por trazer um forte apego pela peça musical, o filme flerta com a autoindulgência, e com quase três horas de duração, percebe-se que o ritmo oscila com certa frequência, e talvez com uns dois ou três números musicais a menos (ou vá lá, torná-los um pouco mais curtos), o filme poderia ter investido em mais passagens que desenvolvessem os personagens (especialmente os coadjuvantes), o que fortaleceria as relações entre os mesmos, e daria bem mais ritmo ao filme, e um exemplo disso é a sequência musical que o Mágico de Oz apresenta uma grande maquete para as protagonistas (que poderia ser descartada sem grandes prejuízos ou apenas falada), ou aquela retratando a chegada delas na Cidade das Esmeraldas, que se torna um pouco mais longo do que o ideal. Além disso, ao explorar superficialmente alguns pontos nessa Parte 1 (como a verdadeira explicação de Oz na escola, a sugestão de uma revolução dos Animais e o surpreendente caso do Príncipe Fiyero não dormir na sequência das flores) apenas para deixá-los para a continuação é decepcionante, já que geralmente as primeiras partes estabelecem as pontas soltas bem o suficiente para aí sim respondê-las na continuação (e com isso, o filme também desperdiça a oportunidade de comentar melhor a ascensão do fascismo, mas ao menos, o filme é bem melhor em abordar o preconceito com minorias). Com isso, tive a impressão de que o filme até apresenta bem seus personagens, mas não sabe para onde levá-los, e olha que o clímax da narrativa acaba parecendo bem mais apressado que o necessário, como se os realizadores quisessem ir para a parte que realmente lhes interessa (que provavelmente veremos na Parte 2).
Contando ainda com ótimas atuações (se Michelle Yeoh e Jeff Goldblum pouco podem fazer com seus personagens, além de trazer suas sempre eficazes personas, ao menos Jonathan Bailey preenche o filme com muito charme, quase roubando o filme, mas o filme pertence mesmo a Cynthia Erivo e Ariana Grande, e se Erivo faz um trabalho tocante e emotivo, a atriz também encanta com a personalidade de Elphaba, que não teme questionar o próprio sistema que vive, e como de esperar, a atriz tira o fôlego – e arrepia – com sua voz potente, enquanto Ariana como Glinda equilibra uma doçura divertida com uma arrogância esnobe, conseguindo ser engraçadinha sem nos fazer odiá-la, mas também demonstrando seu conflito principal no terceiro ato), uma boa direção (que apesar de apegada demais ao musical e se alongar em algumas passagens, confere certo charme à narrativa, mas permitindo uma boa escala, que se não é grandiosa, ao menos funciona) e ótimos efeitos especiais e sonoros, enfim, é um ótimo filme.
 


Vencedor de 2 Oscar 2025 nas categorias de Melhor Design de Produção e Melhor Figurino, foi também indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz – Cynthia Erivo, Melhor Atriz Coadjuvante – Ariana Grande, Melhor Montagem, Melhor Maquiagem e Penteado, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Som e Melhores Efeitos Especiais.

 

Gênero: Aventura/Musical
Duração: 160 Minutos
Distribuição: Universal Pictures
Direção: Jon M. Chu
Elenco: Cynthia Erivo, Ariana Grande, Jonathan Bailey, Ethan Slater, Bowen Yang, Michelle Yeoh e Jeff Goldblum com a Voz de Peter Dinklage

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:

https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

 

Comentários 1

J
Jerfeson de Abreu6 de novembro de 2025
Eu gosto de filme desse tipo, gostei da sua escrita.

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