Boa Sorte, Divirta-se… e Desligue o Celular!

Críticas Gerais

"Que a sorte te acompanhe, mas sua inteligência te salve."

Um tanto quanto clássico na maneira que tenta fazer a jornada de cada personagem enquanto ao mesmo tempo surfa com essa pegada moderna de fazer filmes quase que antológicas para tornar o caminho um tanto quanto receptivo — tudo se guia para o "agora" e entender o passado é uma ótima pegada para se ter a mesma visão do "porque" estar seguindo essa rota que o Homem do Futuro(Sam Rockwell) está tomando para tudo acabar de uma maneira totalmente certa; não se é vista as outras tentativas e não se é vista o porque não crer que as outras opções possam ser descartáveis; esse personagem é confiável, ponto final e continue a acompanha-lo sem questionar nenhuma de suas hipóteses; é um filme, tá tudo bem, pode duvidar sim(ou não).

Sua melhor etapa narrativamente se torna a maneira que a irônia em forma de representar tudo que está ao redor principalmente na imagem dos adolescentes tem um certo quê de se tornar um tanto quanto preocupante — a invasão inevitável das pequenas telas digitais que ocasionam a forma desatenta de que o mundo está caminhando para sua perdição se torna mais do que parte do cenário, ele é o cenário; tudo caminha para uma grande forma de horror com eventos acontecendo para esses personagens e logo em seguida, tudo é ignorado porque todas as formas de aparições estranhas ou acontecimentos envolvendo comportamentos são teleguiados por essa ordem que parece estar de olho em tudo; até que ponto? Não se sabe, mas é notável que alguma coisa é influenciavel o suficiente para continuar mantendo o tal "equilíbrio" que todos parecem só concordar e seguir em frente até o momento em que tudo se reconecta com a situação do restaurante — "eles" querem que todos ignorem o que está além das tais telas; existe algo a mais, mas não importa porque enquanto houver uma resistência, talvez o mundo não se perca totalmente e por isso, o Homem do Futuro surge como a salvação da vez! Totalmente desleixado, sujo e com mal linguajar; talvez seja o Gore Verbinski se autocolocando como personagem no filme? talvez; mas é inegável o quão divertido ele é.

Se tem uma coisa presente na obra que não consegue seguir tão bem a forma que a narrativa tenta segurar o espectador é em alguns momentos que soam tão óbvios que ao fazer a primeira conexão em imagem, o mistério acaba e o filme começa a segurar tanto essa revelação que soa um tanto quanto idiota ao fazer isso ser aquilo que irá ditar o ponto final — não é ruim por ser clichê ou brega; longe disso, porque faz todo o sentido um personagem que tenta parecer complexo e se comporta como alguém tão aleatório, é interessante ver sua origem vir de uma simples motivação que o faça querer defender o mundo em que ele mesmo vive; afinal, o futuro pode até ser longe mas é o único ponto exato em que ele tem de lutar para manter a sua existência e até mesmo a da humanidade — dito isso, é um tanto quanto estranha a forma que se revela porque enquanto tudo vai se guiando com uma certa forma de irônia e até um meio crítico sobre a forma em que a IA consegue banalizar situações tão sérias como a própria morte a ponto do filme fazer uma perspectiva interessante sobre a capitalização da morte e de como as vontades pessoais podem ser uma armadilha para a própria humanidade; por outro lado, a forma meio "padrão" de como seguir a narrativa se torna até um tanto quanto danificavel para a estrutura que o filme estava seguindo; seu ritmo se torna menos caótico e critico passando para uma ideia até mesmo um tanto quanto de estúdio ao ter de inserir uma parte tão óbvia como aquilo que se tornará importante em seu ato final.

É inegável que o caminho que o filme consegue ter para sua conclusão é um tanto quanto empolgante e retoma para aquela sensação inicial que se estava tendo antes do "momento óbvio" acontecer, mas ele também soa um tanto quanto desleixado, e o porque disso está até mesmo na forma que o filme critica o artificial — Boa Sorte, Divirta-Se e não Morra brinca com a ideia de que algo com substancia pode surgir de algo desejavel, quase como se também aproveitasse a polêmica da IA para ser um comentário de Verbinski sobre o "conteúdo mastigadinho" em formato TikTok para distrair todos com essa sensação de que o profundo para as pessoas que se prendem a narrativas de 1 minuto em velocidade 2x é a base essencial para se criar um hipócrita, um zumbi da tecnologia ou até mesmo alguém que não desgruda do celular até mesmo para sobreviver — ao mesmo tempo, é um tanto quanto enfraquecida a tentativa de tornar o simples mais interessante por não conseguir tornar a sua ideia de que as partes com mais humanidade não sejam tão poderosas ou bem exploradas; a irônia e o caótico é lindo, mas o sincero que deveria ser o equilíbrio entre esses dois pontos se torna tão artificial quanto as pessoas que são determinadas e se comportam como produtos na narrativa.

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