A Promessa de um Novo Dia

Críticas Gerais

"Às vezes o Homem-Aranha tem que escolher a decisão difícil mesmo que deixe o Peter Parker arrasado."

E assim começa a grande Contenção de Danos que o MCU implementou em tal personagem — uma jornada que fará visões abrangentes sobre sua filosofia, mas que tem ainda mais para falar dentro do seu âmago. A formação de sua grande evolução, a monstruosidade do conceito Homem-Aranha é na verdade uma metáfora; o filme talvez nunca eleve este fator para torna-lo uma criatura como muitos esperavam, mas talvez seja porque esta criatura já esteja em tela; Peter Parker(Tom Holland) entra na sua própria jornada de metamorfose, como se tudo aquilo que fizesse bem para um personagem no qual sofria de mal escrita, renunciasse tudo aquilo que o fará agora ser o personagem que todos amam; Nova Yorque faz parte do Homem-Aranha, o público faz parte do Homem-Aranha, mas onde fica a situação de Peter Parker como aquele por baixo da máscara? Esta, é a jornada de reconstrução de vários personagens, mas principalmente deste novo Peter Parker, fisicamente, mentalmente e acima de tudo, narrativamente.

Começa bastante compreensível e até como uma transição boa a estrutura tomada para o filme; tudo ocorre como se este mundo já fosse conhecido, seus personagens estão vivendo um bom tempo naquilo que sempre era uma área de mudanças e ainda que continue sendo, talvez seja o momento mais natural em reconhecer que este personagem já fez parte desse universo; todos os seus feitos, suas conquistas e até mesmo pequenos passos para um novo "eu", como se todos aqueles que acompanhassem por muito tempo o personagem em específico, também ganhasse um tapete vermelho de boas vindas, um reencontro com um velho amigo que precisa da ajuda de quem o apóia; no entanto, é uma passagem que vai seguindo bastante duvidosa, onde desde os conflitos realmente se iniciarem, aparece a sensação de que nada estava como antes, ainda que se torna um tanto quanto similar; isso ocorre porque existe uma tentativa da direção de Destin Daniel Cretton homenagear outras mídias — o jogo da Playstation e até mesmo a mistura das direções de Sam Raimi e Marc Webb, tudo está ali para remeter um sensor de reconhecimento, para depois ser quebrado com o novo. Tudo como uma proposta para uma funcional e aberta carta para não se repetir com os erros do passado, hora de seguir em frente e é assim que o filme se molda bem, o que assim abre margem para se falar de sua nova rota, o próximo passo para o novo.

E com toda essa beleza intencionada, a grande questão se trata do resultado que este novo conseguiu alcançar — o novo é realmente apresentável, mas também abre dúvidas do que se pode encontrar em meio a escuridão. Tudo no filme em sí, parece ocorrer de uma maneira mais coesa e menos destrutiva para a evolução desses personagens; no entanto, a destruição ainda permanece na maneira em que se lida com a responsabilidade; Peter neste filme parece ser alguém que não tem sorte, porque vive tanto no mundo acima das ruas, que quando desce as escadas de seu prédio, não são passos dados, mas uma queda para relembrar quem ele realmente é; isto, é um ótimo conceito textualmente e daria para elevar estes perigos de tentar se humanizar novamente; no entanto, é um ponto no qual o filme falha um pouco, ele é tão coeso, que em certos momentos se torna facilitado; quase como se o filme apresentasse um novo drama, mas nunca permitisse a sensação de que a novidade possa dominar o cenário; tantas vezes se torna até previsível a maneira que o filme afasta suas consequências, porque precisa resgatar rapidamente a sensação de ver este personagem tendo seu arco clássico; mas, ainda que fosse a mesma coisa de sempre, talvez a chance de ganhar peso poderia aumentar, isso se torna um ponto para se pensar até começar a repetição de situações mais comuns e isto atrapalhar a condução de seu drama; uma coisa acontece, logo ela é suavizada e mais para frente, aquilo que seria resolvido como um desfecho para seu tópico principal, cai em um lugar já visto anteriormente, o tornando um tanto quanto redundante e até mesmo, mais uma perspectiva de limitação que o faz lembrar, ele faz parte deste universo que não o deixa ser mais do que o filme tanto almeja entregar.

Talvez não se abra muita margem para falar de outras coisas neste filme, porque é tecnicamente a mesma redundância dos motivos citados anteriormente; Sadie Sink está como uma surpresa do filme e poderia ter mais tempo brincando com o que é sua narrativa, tanto quanto o Bruce Banner quanto o Hulk(ambos Mark Ruffalo) dão um respiro de promessa, mas acabam ficando como um objeto de setpiece para o filme dizer que tem ação; o Justiceiro(Jon Bernthal) tá em seu melhor ao não repetir o arco do personagem, mas permitir que ele seja uma versão mais caricata e até mais adaptável a este universo do que outras obras, mas ainda fica mais como o momento team-up do filme; tudo isto, é funcional e faz até um espelho para demonstrar tudo o que se havia feito de errado anteriormente, mas ainda parece que para o Homem-Aranha conseguir ter Um Novo Dia, falta um senso a mais de ter o seu primeiro passo dado; novas perspectivas, novos modos de agir, mas ainda assim, o passado ainda o persegue; seria isto realmente um recomeço, ou somente uma máscara para continuar se afogando nas águas daquilo que se prometeu deixar ir?

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