Blade Runner e o Crime da Existência Autônoma

Críticas Gerais

"Viver com medo é uma experiência e tanto, não é? É o mesmo que ser escravo."

Uma das distopias mais influentes que possa ser mencionada em toda a trajetória do cinema é na verdade um retrato para expor a crueldade que pode se tornar a singularidade humana — todas as pessoas do planeta estão convivendo no mesmo local, pontos totalmente apertados que servem para ter o seu próprio negócio enquanto enfrentam todos os dias uma chuva imparável causada pela destruição humana; a tecnologia evoluiu em certo ponto que a natureza parece descontar a todo custo e é notório quando se olha para os animais e cada um descrito sempre vem a chocante revelação de que são artificiais, o que para essas pessoas se tornou uma informação comum —uma barbárie tamanha com o natural que até mesmo o ser humano começa a ter sua evolução em um patamar que não o evolui como ser, mas como mais um produto para que os humanos se beneficiem em torna-los patentes negociaveis; semelhantes a imagem de uma pessoa nascem, tem sentimentos e vivem o menor tempo de vida possível sem conseguir a chance de ter até mesmo um último suspiro digno — e aqueles que se rebelam, são caçados pelos Blade Runners.

Deckard(Harrison Ford) soa inicialmente como um sonhador; alguém que escuta a possibilidade de vidas extraterrestres e sequer se importa sobre a possibilidade do que seriam as outras vidas, mas sim a questão de que em outro local poderia ser encontrado uma questão de paz; um local onde não existisse toda essa confusão e barulheira dos comércios que tentam aguentar a chuva — esses pensamentos duram pouco tempo porque o trabalho começa a bater na porta da sua vida e o arranca para joga-lo em algo que aparentemente ele demonstra ser contra; algo que ele ainda não sabe, mas enquanto mais uma vez resolve ser esse caçador de Replicantes, uma empatia maior ao compreender o que é tirado desses que estão "infringindo a lei" de quem tem tanto a ponto de sempre esses que estão acima começarem a esbanjar tudo o que podem fazer demonstrando essa possibilidade de recriar humanos e de que sempre estão aptos a tentarem inovar; o que mais tarde se descobre que a questão da validade nunca será um problema porque eles não são permitidos a viver — Blade Runner aparenta ser um filme futurista por conta dos seus visuais maravilhosamente gravados por Ridley Scott, mas é na verdade como um espelho temático de como tudo pode ser destruído sem a empatia, uma crueldade que ainda consegue ser refletida como a questão dos imigrantes que são expulsos e até mortos por não serem "legais" no país; mas afinal, qual seria o crime em existir por conta própria? O que os torna menos merecedores de terem um lar e serem rebaixados a "intrusos"?

Tantas memórias, pouco tempo para se assimilar tudo o que está possibilitado a ser uma nova questão sobre a vida — sempre temerosos a quaisquer que sejam as intenções de pessoas que tentam executar uma ação contra a sua própria existência não os permitem que tenham um plano para conseguir uma rota de fuga; tudo precisa ser na base do ataque e do escape, porque são as únicas formas de continuarem a se manter como seres livres. Deckard ainda tem a chance de se apaixonar enquanto se aproxima da possibilidade de ser um replicante — sim, é uma duvida que o filme se mantém colocando com alguns detalhes sutis, mas que no fim das contas serve mais para simbolizar essa tematica do quanto Deckard está possibilitado a ver como a crueldade humana de seu departamento age ao falar e indicar os próximos passos que ele deve tomar, enquanto é com uma replicante que ele percebe a dor de tirar uma vida — afinal, quem poderia estar na sua mira poderia ser sua amada; o que na possibilidade, se torna depois um de seus últimos objetivos e é com a forma de despedida que Batty(Rutger Hauer) entrega em seu discurso final sobre a insignificância de achar um significado sobre tudo, onde após perder até mesmo o sentido de procurar estar vivo por mais tempo invés de ter aproveitado os seus últimos minutos com aqueles que o importavam, Deckard se torna até mais do que um apoiador por suas lutas — Deckard talvez tenha se tornado um Replicante naquele momento.

Mas afinal, o que se define como Replicantes? Seria o fator de ser um humano modificado pelas mãos da própria espécie? então o que seria Deckard que se rebela após ser um caçador? A resposta não importa, porque no final todos somos iguais da mesma maneira; o que define são as ações que serão tomadas para entender até que ponto a empatia pode ainda se torna uma opção — Blade Runner se torna uma jornada dentro de um futuro distópico que reflete aonde a humanidade errou e continua a errar; quando se desperta para compreender tal erro, o significado do que é viver vai além; Deckard faz a sua escolha, e ao se deparar o origami do unicórnio, percebe que ele não foi o único.

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