Princesas da Disney | o ranking, o legado e a necessidade de um crossover
Críticas Gerais
Não sei vocês, mas de tempos em tempos apresento alguns hiperfocos aleatórios e começo a maratonar alguns filmes por motivos bem específicos. Faço muito isso com minha namorada (é um ótimo programa para casais, inclusive). Um dos últimos foi assistir à todos os filmes das Princesas da Disney. Pelo menos os primeiros de cada princesa, já que as sequências das animações da Disney não costumam ser muito “apetecíveis”, digamos assim. Nisso, acabei me surpreendendo com a existência de regras e condições exclusivas para a composição da lista de princesas. Algumas fontes explicam esses termos com mais detalhes, outras nem tanto. De qualquer forma, o site oficial do Disney Princess lista 13 personagens: Branca de Neve, Cinderela, Aurora, Ariel, Bela, Jasmine, Pocahontas, Mulan, Tiana, Rapunzel, Merida, Moana e Raya.

Dentre as principais regras, temos: é preciso ser animação (o que descarta a Giselle de “Encantada”); ser humana ou metade humana (o que faz Ariel entrar e descarta a Nala de “Rei Leão”, por exemplo); já nascer princesa, casar-se com um príncipe ou realizar um ato heroico (a realeza está presente na grande maioria, já a parte heroica temos como principal representante a Mulan); ser a protagonista (há de se reafirmar que Jasmine, embora não tenha seu nome presente no título do filme “Aladdin”, divide o protagonismo com seu par) desde que não seja uma sequência (isto é, a filha de Ariel é protagonista de “A Pequena Sereia 2”, portanto não entra); e, por último, a mais verdadeira em termos que os acionistas entendem: é preciso dar um bom retorno financeiro.

Ao longo de sua história, já teve algumas inserções passageiras de outras personagens em certos produtos específicos, já que são inúmeras animações e, consequentemente, muito merchandising com suas diversas franquias. Além disso, houve um tempo em que “oficialmente” outras personagens faziam parte do produto “Princesas Disney”, como Sininho (“Peter Pan”), Jane Porter (“Tarzan”), Alice (“Alice no País das Maravilhas”), dentre outras. Estas breves citações acabavam aparecendo em produtos como revistas e lançamentos em VHS e DVD, por exemplo. Mas em termos oficiais, com o tempo essas personagens foram sendo desvinculadas com o produto principal, criando um padrão sólido. Outro detalhe a ser considerado é o título de “princesa honorária” que Elsa e Anna apresentam dentro deste cenário. Isto é, mesmo não fazendo parte oficialmente das 13 princesas, “Frozen” foi lançado sendo “mais um filme de princesa da Disney”. No entanto, a franquia cresceu tanto, sendo uma das mais lucrativas da casa (seja em bilheteria e em produtos licenciados), fazendo com que funcione por si, independente do selo “Princesas Disney”.

Antes de continuar, um adendo para a (melhor) cena de “WiFi Ralph: Quebrando a Internet”, quando a Vanellope acaba entrando na sala das Princesas, interagindo com todas. Detalhe que naquela época, a Disney ainda não havia lançado “Raya e o Último Dragão”. Além disso, Anna e Elsa estão presentes (afinal, eles não iam perder a chance de incluir o grande ouro atual da casa nessa cena). Só por essa cena, poderíamos incluir a Vanellope como princesa honorária, certo?
O ranking
Dito isto, partimos para o ranking dos treze filmes (do pior ao melhor). Reforço que é apenas uma lista pessoal, analisando os filmes a partir da minha opinião (certamente, estou tocando em um tópico sensível no coração de muitas pessoas - inclusive da minha namorada, então… por minha conta em risco). Aqui estou deixando de lado sentimentos nostálgicos e me apegando mais à experiência recente de rever ou ver pela primeira vez esses filmes. Também fiz uma lista no Letterboxd e lá estou contando “Frozen” (na época eu não sabia dessas regras), portanto aqui farei uma menção honrosa apenas (e também estou levando em consideração quem estava na sala com a Vanellope).
-->Menção honrosa: Frozen - Uma Aventura Congelante | Frozen (2013)
- Dirigido por Chris Buck e Jennifer Lee, “Frozen” acompanha a jornada da princesa Anna em busca de sua irmã Elsa, a fim de quebrar a maldição que está congelando todo o reino. Aqui temos um dos maiores fenômenos culturais dos últimos anos. É impressionante o sucesso que a franquia mantém desde seu lançamento, marcando presença forte em produtos licenciados e eternizando seu nome no hall das músicas mais emblemáticas do Cinema com a canção “Let It Go” (“Livre Estou”). Além de construir um eficiente conto ao longo da trama, inserindo personagens divertidos e fáceis de se apegar como o próprio Olaf, surpreende em seu desfecho ao optar por enfatizar o amor entre as irmãs no lugar da mesmice de príncipe e aquele papo de ‘beijo do amor verdadeiro’. Entretanto, tirando os fatores que o destacam, falha nos seus desinteressantes personagens secundários como o príncipe Hans e o homem das montanhas Kristoff, que acabam sendo pontos fundamentais para a história. Sem falar do contraste que existe entre a insipidez da personagem de Anna com o fascínio poderoso que há em Elsa.
- Veredito real: Cinco coroas de dez. 👑👑👑👑👑

13°: A Bela e a Fera | The Beauty and the Beast (1991)
- Ok, eu sei que esse pode ser o preferido de muitos. Mas precisamos tirar o elefante da sala: muitos desses filmes são extremamente problemáticos, e é totalmente válido debater sobre questões como a forma em que se normalizava alguns contextos na época de seus lançamentos, e seus impactos no mundo de hoje. Parte importante dessa discussão é a atualização desses contos nos recentes filmes live-action que a Disney está fazendo (a qualidade de alguns são outros quinhentos). Sejam atitudes consideradas antiquadas ou, até, criminosas, é fato de que são difíceis de serem revistas atualmente e não causarem um mínimo incômodo. Assisti esse na minha infância, mas sem muito interesse. Foi na escola por conta de uma apresentação de festa junina com “Tale as Old as Time” (“Sentimentos São”) - sim, eu dancei essa música aos 10 anos. No entanto, nunca mais o revisitei, até chegar nessa maratona. E mesmo sendo de conhecimento público a relativização do sequestro no longa, é inevitável não se zangar com a maneira em que o filme glamouriza um relacionamento claramente tóxico. O que equilibra a nossa simpatia com os personagens é o vilão totalmente desprezível de Gaston, dando a impressão de que a Fera é realmente a melhor opção para a Bela. Dirigido por Gary Trousdale e Kirk Wise, “A Bela e a Fera” acabou sendo muito aclamada na época pelo salto de qualidade na animação em relação às anteriores, eternizando a cena da dança no salão do castelo como uma das mais bonitas do gênero. De fato, quanto à técnica não há como não se encantar. Porém, em termos de comparação, isto está presente em todas essas animações, mesmo as que adotam o 3D de vez (sou mais do time 2D). Mesmo em meio à tamanho deleite na imagem e no som, seus personagens são muito mais emblemáticos visualmente do que essencialmente, até mesmo os secundários como Lumière e Horloge, fazendo com que não haja um senso de torcida para um bom desfecho do casal, mas sim um desespero em ver que Bela não tem outra saída a não ser virar prisioneira (e escrava, de certa forma) para salvar seu pai. E é aqui o ponto principal da moral da história: a beleza está por dentro e não por fora. Contudo, o que mancha tal intenção é justamente a personalidade nada bela de Fera. Mesmo com seu “arco” de redenção sendo construído, não soa natural, e sim forçado. Não há empatia. Por mais que haja um contexto de que sua vida foi tirada por anos devido à maldição, não sustenta o passo a passo de sua desconstrução para ser o grande amor da vida de Bela (até porque ela não teve muita escolha para isso). Apesar das inadequações, é uma belíssima (sem trocadilhos) animação clássica da Disney.
- Veredito real: Quatro coroas de dez. 👑👑👑👑

12°: A Pequena Sereia | The Little Mermaid (1989)
- Eu sei, talvez este possa ser seu favorito, e eu esteja mexendo em um vespeiro perigoso o colocando nessa posição. Mas, tentando amenizar minha situação, aqui tem a minha música favorita de todas essas animações da lista, “Under The Sea” (“Aqui no Mar”) - sério, esse toquinho fica na cabeça e é muito gostosinho (estou cantarolando agora, cantarole você também). Dirigido por John Musker e Ron Clements, “A Pequena Sereia” é o primeiro lançamento da franquia de princesas depois de um hiato de 30 anos. Além de apresentar um ritmo mais atualizado e empolgante em comparação aos anteriores, aqui temos números musicais muito inspirados principalmente devido aos cenários hipnotizantes que o mar proporciona. A animação é linda, as canções memoráveis, o príncipe Eric é um dos mais lembrados pela sua (beleza) bravura, a vilã Úrsula é visualmente marcante, e seus personagens secundários são muito divertidos, principalmente o Sebastião. Porém, há uma certa “dissimulação” (lê-se, no bom português, um quê de sonsa) na protagonista que acaba ofuscando o brilho da busca ao novo em que ela se propõe. Há todo um arco de descobrimento de identidade em Ariel que, em primeira mão, é muito interessante, porém se perde mais na paixão que sente ao ver pela primeira vez Eric, do que necessariamente na sua volição em descobrir um novo mundo por ser próprio dela. Certamente, isto é mais uma questão pessoal em relação à protagonista do que ao filme em si. Portanto, devo admitir que me simpatizo mais com (praticamente) todos os personagens secundários do que com a Ariel, propriamente. Isto não apaga o quanto acho esta animação como uma das mais bonitas da Disney.
- Veredito real: Cinco coroas de dez. 👑👑👑👑👑

11°: A Bela Adormecida | Sleeping Beauty (1959)
- Devo admitir, há uma sequência psicodélica nesse filme que acho absurdamente sublime. Porém, como o próprio título sugere, esse é um dos mais sonolentos, de fato. Boa parte disto é o fato de Aurora ser a princesa mais injustiçada de todas, afinal ela passa a maior parte do tempo (não ironicamente/literalmente) adormecida. Obviamente, esta é a proposta da história, e aqui entramos novamente naquele âmbito problemático das animações da Disney. No caso, o destaque aqui é o não consentimento, isto é, Aurora só despertará se tiver o beijo de seu amor verdadeiro. Contudo, deixando as problematizações de lado, temos as três fadas Flora, Fauna e Primavera, que são basicamente as verdadeiras protagonistas da história. Mesmo rendendo momentos divertidos, o carisma não se sustenta devido à forma que a própria história impõe uma atitude completamente passiva da protagonista. É claro que nessas histórias, existem vários contextos de monarquia e realeza em que muito se fala sobre “amores prometidos e arranjados”, e isto por si só já pode gerar um grande incômodo. E é justamente nessa contradição que o filme até que acerta na escolha, pois - pelo menos - o príncipe Felipe é um personagem carismático (gente boa mesmo, resumidamente, diferente da Fera, por exemplo). Dirigido por Clyde Geronimi, “A Bela Adormecida” é um dos maiores clássicos da Disney, do qual apresenta uma das vilãs mais emblemáticas e reconhecíveis do estúdio, Malévola. Embora haja uma lentidão no ritmo de sua história (reflexos de seu tempo), há um esmero em sua arte muito admirável que compensa suas falhas narrativas.
- Veredito real: Seis coroas de dez. 👑👑👑👑👑👑

10°: Raya e o Último Dragão | Raya and the Last Dragon (2021)
- Antes de qualquer coisa, é preciso denunciar a falha gravíssima desse filme. Já que realmente faz parte da franquia de Princesas, o seu maior erro é justamente não apresentar números musicais. O máximo é uma canção original. E, tudo bem. Não é a proposta. Até porque, de certa forma, aqui há toda uma atualização de conceitos. Há um ar muito mais ‘guerreira’ do que ‘princesa’ (assim como Mulan mesmo). No entanto, sua não confirmação nem para um lado nem para outro, acaba apagando sua personalidade, fazendo com que tenhamos a impressão de que já vimos essa história inúmeras vezes. Dirigido por Carlos López Estrada e Don Hall, “Raya e o Último Dragão” é o mais recente da lista, e acompanhamos a guerreira Raya na sua jornada para salvar sua terra Kumandra e restaurar a paz e união de seus povos. Aqui temos um ótimo background de todos os personagens secundários, com cada um tendo suas motivações para se juntar à protagonista. Destaque para a bebê Noi que luta, pula, faz inúmeras travessuras sendo apenas… um bebê. É divertido, emocionante, mas não marca. Há uma sinergia cativante entre o dragão Sisu e Raya, porém, mesmo chorando e se envolvendo com a história, ao fim se nota que é uma narrativa um tanto quanto genérica. Não que seja um demérito, até porque mesmo se aprimorando de vários clichês, o filme os executa com eficácia. Mas não passa disso.
- Veredito real: Sete coroas de dez. 👑👑👑👑👑👑👑

9°: Enrolados | Tangled (2010)
- Bom, foi aqui que começou a palhaçada do 3D. Volto a dizer, tenho preferência ao charme do 2D, porém preciso admitir que é uma animação muito bonita. Destaque para a cena das luzes flutuantes. Dirigido por Byron Howard e Nathan Greno, “Enrolados” conta a história de Rapunzel, dona de enormes cabelos mágicos que está trancada em uma torre, até encontrar o ladrão charmoso Flynn, ou José Bezerra (é… lembrou da dublagem né?). Apostando seu tom pautado na aventura, o grande destaque de “Enrolados” está no humor. Ótimos personagens secundários e situações inusitadas como a briga generalizada que acontece naquela taverna, além da presença forte e, até, assustadora da vilã Mãe Gothel. O dinamismo proposto pela canalhice de Flynn juntamente com a descoberta maravilhada do mundo no olhar de Rapunzel funciona organicamente, compondo um dos casais mais carismáticos de todos os filmes do selo. Este aqui tem um lugar especial no meu coração pela lembrança inusitada e engraçada que tenho: assisti no cinema com meu irmão e meu primo e éramos os únicos presentes na sessão. Grande dia!
- Veredito real: Sete coroas de dez. 👑👑👑👑👑👑👑
![Enrolados: 5 curiosidades sobre clássica animação da Disney: tranças da Rapunzel, nome original de Flynn e mais [LISTA] - Rolling Stone Brasil](https://img.plotcoda.com/u/article/20251024/a40acf6516c7f4afeee31387c5ba2077.webp)
8°: A Princesa e o Sapo | The Princess and the Frog (2009)
- Dirigido por Ron Clements e John Musker, “A Princesa e o Sapo” representa um marco muito importante por dar vida à primeira princesa negra da Disney. Aqui, acompanhamos Tiana, uma garçonete trabalhadora que sonha em abrir um restaurante. Até que seus caminhos cruzam com o charmoso príncipe Naveen, que foi transformado em sapo pelo vilão Dr. Facilier. Aqui temos uma das melhores trilhas, impulsionada pelo jazz típico de New Orleans, rendendo ótimos números como o que Louis, um jacaré trompetista, toca ao lado de humanos. Além disso, há uma conexão adorável entre toda a equipe principal, especialmente o casal de sapos propriamente dito. Naveen é um dos meus príncipes favoritos, considerado como um dos mais carismáticos. Por sua vez, Tiana é uma das personagens com uma das melhores motivações entre as princesas. Aqui torcemos para a protagonista realizar seus sonhos, vendo suas ambições desde criança, passando por sua luta diária no trabalho, ao mesmo tempo que nos divertimos e emocionamos com o arco completo de todos os personagens (destaco o vagalume Ray). Ademais, “A Princesa e o Sapo” ficou marcado como a última animação em 2D das Princesas da Disney, dando um teor ainda mais charmoso em toda sua estética.
- Veredito real: Oito coroas de dez. 👑👑👑👑👑👑👑👑

7°: Pocahontas | Pocahontas (1995)
- Novamente tirando o elefante da sala, como de costume entre essas animações, eis aqui o retorno da palavra “problematização”. Devidamente, há muito a se considerar nesta história no que diz respeito à uma certa relativização do colonialismo, “amenizando” todo o impacto das explorações dos ingleses com os nativos americanos. No entanto, analisando o longa como uma adaptação da história real (e não um documentário), temos uma animação belíssima, exaltando a beleza natural das paisagens paradisíacas. Dirigido por Mike Gabriel e Eric Goldberg, “Pocahontas” conta a história da filha do chefe da tribo, que acaba se envolvendo com John Smith, um dos colonizadores ingleses que acabaram de chegar em suas terras. A base da história de “Pocahontas” está presente em inúmeras histórias, envolvendo a temática de povos considerados “selvagens” tendo que presenciar o horror das ações de colonizadores impiedosos. E uma das considerações mais polêmicas sobre este tipo de história é a presença frequente de um white saviour. Isto é, um salvador branco que está, ao início, do lado dos vilões, mas se demonstra uma boa pessoa e é o único capaz de “salvar” a população oprimida. Definitivamente, há uma romantização muito problemática aqui, porém isso não ofusca a forte presença de Pocahontas com sua personalidade forte e destemida ao longo de toda a trama, culminando na famosa cena em que se coloca entre seu pai e John, em uma tentativa de selar a paz entre os povos, e principalmente decidindo ficar em sua terra (diferente de Ariel, por exemplo) ao invés de “seguir o seu príncipe”. Aliás, esta decisão da protagonista contrasta com o que é visto na sequência duvidosa (mas aqui não falaremos sobre sequências, justamente por normalmente estragarem o que o original havia proposto). Apesar das inúmeras ressalvas, “Pocahontas” é uma das animações mais bonitas da Disney, tanto pelo design dos personagens quanto pela beleza de suas paisagens.
- Veredito real: Oito coroas de dez. 👑👑👑👑👑👑👑👑

6°: Moana: Um Mar de Aventuras | Moana (2016)
- Dentre os recentes, o melhor (da Disney exclusivamente, quero dizer… pois existe um aí que também é daquela tal de Pixar). Dirigido por John Musker e Ron Clements, “Moana” acompanha a jornada de sua protagonista ao ouvir o chamado do oceano, partindo na busca de uma deusa para lhe entregar uma pedra mágica necessária para salvar seu povo. Ao longo de sua aventura, seus caminhos cruzam com o do poderoso semideus Maui, do qual desenvolve um excelente arco de redenção. O filme, assim como “Enrolados”, decide apostar no teor ‘aventuresco’ e muito bem humorado. Foi evidente que ao longo desta maratona, “Moana” foi o filme que mais dei risada, de longe. É muito engraçado, tanto as situações quanto a dinâmica dos personagens. Destaque para o galo desmiolado Heihei. Entretanto, não deixa para trás seu lado mais emocional, reforçado no laço entre Moana e sua avó. Além disso, temos um upgrade do deslumbre marítimo de “A Pequena Sereia”, rendendo um incrível número musical “Shiny” (“Brilhe”) com o caranguejo Tamatoa. Com certeza, é uma das animações 3D mais bonitas da Disney recente, construindo um universo rico e promissor.
- Veredito real: Oito coroas de dez. 👑👑👑👑👑👑👑👑

5°: Valente | Brave (2012)
- Aqui preciso admitir uma coisa: assisti na época de seu lançamento e não havia gostado. Pelo contrário, achava um dos piores da Pixar. Porém, revendo hoje, queimei a língua e, genuinamente, adorei o filme. Dirigido por Mark Andrews e Brenda Chapman, “Valente” é o único filme do selo que é Disney/Pixar, e conta a história da princesa Merida e seu conflito em relação aos costumes do reino sobre casamentos arranjados. Na trama, a dinâmica principal é entre Merida e sua mãe, a rainha Elinor. No início, podemos acompanhar sua rotina de ensinamentos rígidos de sua mãe para se adequar às formalidades do reino, contrastando com sua personalidade independente, rebelde e aventureira. Merida, então, decide apostar sua própria mão no desafio de arco e flecha e acaba ganhando de todos os pretendentes, o que deixa sua mãe furiosa. Isso acarreta no envolvimento de Merida com uma feiticeira misteriosa (segundo aquelas teorias malucas da Pixar, a Boo de “Monstros S.A.” - saudades dessas teorias…), levando à uma maldição que transforma sua mãe em urso. Ao longo do filme, testemunhamos uma linda reaproximação entre mãe e filha. Além disso, há um divertido humor contagiante em seus personagens secundários e seus visuais caricatos e muito expressivos, como os pretendentes dos outros reinos, o pai de Merida, e seus três irmãos gêmeos caçulas. Sem falar da excelente qualidade da animação digna da Pixar mesmo. O grande diferencial de Merida é subverter a expectativa em relação ao seu destino, destoando de outras princesas pela sua particularidade como guerreira e dona de seu próprio caminho. Temos aqui um ótimo filme de aventura e descoberta de identidade, e a representação de uma das princesas-guerreiras mais corajosas da Disney. Faz jus ao nome.
- Veredito real: Nove coroas de dez. 👑👑👑👑👑👑👑👑👑

4°: Cinderela | Cinderella (1950)
- Quando penso em princesa da Disney, a primeira que sempre me vem à mente é a Cinderela. Além de ser atemporal, a personagem é a personificação da história clássica de uma princesa e seus elementos fantasiosos. Todo mundo lembra da fada madrinha, o sapatinho de cristal, a abóbora sendo transformada em uma linda carruagem. Todos os elementos estão eternizados no imaginário popular. Dirigido por Clyde Geronimi, Wilfred Jackson e Hamilton Luske, “Cinderella” foi o segundo lançamento do estúdio dessa leva das princesas, e conta a história de Cinderela, que é explorada como serva de sua madrinha e suas meias-irmãs, por conta dos ciúmes que elas sentiam de sua beleza. Sofrendo cada vez mais com o abuso, Cinderela recebe a ajuda de sua fada madrinha para comparecer ao baile real e ter a chance de conhecer o príncipe. Aqui temos uma grande composição de elementos especiais de uma boa história clássica de princesa, como: números musicais inesquecíveis, vide “Bibbidi-Bobbidi-Boo”; animais fofinhos como os ratinhos amigos de Cinderela que a ajudam na limpeza da casa; um belo Príncipe Encantado e sua clássica vestimenta branca e dourada; a dócil Fada Madrinha que ajuda a protagonista com sua vestimenta para o baile, mas estipula condições e um prazo (até porque sempre tem que ter um prazo à meia noite, não é mesmo Shrek?) até poder viver seu ‘felizes para sempre’; além de um trio de vilãs extremamente detestáveis como a madrasta Lady Tremaine e suas filhas Anastasia e Drisella. “Cinderella” é um clássico, não apenas das Princesas da Disney, mas de todas as animações. Sua influência em todo o culto às princesas de contos de fada é de um tamanho descomunal, e segue sendo lembrado até os dias de hoje, permanecendo na memória coletiva de todos nós.
- Veredito real: nove coroas de dez. 👑👑👑👑👑👑👑👑👑

3°: Branca de Neve e os Sete Anões | Snow White and the Seven Dwarfs (1937)
- Espelho, espelho meu, existe algum filme mais belo do que eu? Se “Cinderella” é um grande clássico, esse aqui é um mega-clássico obrigatório eternizado como um dos maiores marcos do Cinema. Dirigido por David Hand, Ben Sharpsteen, William Cottrell, Larry Morey, Perce Pearce e Wilfred Jackson, “Branca de Neve e os Sete Anões” é o primeiro longa-metragem de animação a ser distribuído em larga escala do mundo. A partir daqui tudo mudou. Tudo aqui foi revolucionário, desde a animação colorida totalmente fluida e artisticamente belíssima até a eternização de personagens emblemáticos como os próprios sete anões. Todo mundo conhece, de cabo à rabo, seus nomes: Zangado, Feliz, Atchim, Mestre, Soneca, Dengoso e Dunga. A dinâmica entre os sete é cativante, com o humor sendo pautado justamente nas características próprias de cada um, além de protagonizarem um dos maiores (ou o maior) números musicais da Disney, com “Heigh-Ho” (“Eu Vou”). Outro detalhe a ser exaltado é a figura e toda a energia vilanesca que a vilã Rainha Má transmite. Suas cenas são compostas com uma teatralidade fantasiosa associada à elementos dignos de horror, dos quais aterrorizam não só as crianças, mas também os adultos. Sem contar na maestria da cena de sua transformação, com sua pele criando rugas e envelhecendo como se fosse uma tempestade dentro de um pesadelo visual e sonoro. É lindo! Ademais, o figurino mais reconhecível dentre as princesas é, certamente, o de Branca de Neve, com seu corpete azul e saia amarela. Neste aqui nem vou entrar tanto nas problematizações, que - aliás - existem muitas sim. No entanto, há dois fatores que ofuscam essas questões (sim, estou passando pano mesmo), que são: o fato de ser um grande marco; e por ser uma excelente história de bem contra o mal. Branca é uma menina solitária e muito gentil, que tem seu caminho cruzado com a vaidosa e cruel Rainha Má, que não aceita ter alguém mais bonita do que ela no reino. Toda a premissa é simples, mas a execução de seu roteiro somado à excelência da animação fazem do primeiro clássico da Disney um dos melhores do estúdio até hoje. Faz parte dos filmes que merecem toda a eternização em nossa cultura pop.
- Veredito real: dez coroas de dez e uma maçã de bronze. 👑👑👑👑👑👑👑👑👑👑🍎

2°: Mulan | Mulan (1998)
- Em termos de personagens, Mulan é a melhor princesa. Sua personalidade e história são muito inspiradoras, compondo um ótimo épico emocionante de aventura. Dirigido por Tony Bancroft e Barry Cook, “Mulan” conta a história da jovem chinesa Mulan salvando seu pai de ser convocado para uma iminente guerra, tendo que se infiltrar no exército clandestinamente, disfarçando-se de homem. Aqui temos grandes cenários e seu esplendor, desde as belíssimas aldeias chinesas até os campos de batalha tomados pelo horror da guerra e suas consequências mortais. Além disso, todos os personagens secundários são carismáticos, desde o atrapalhado dragão vermelho Mushu, os soldados recrutas amigos de Mulan e o capitão Li Shang, do qual é interesse romântico da protagonista, rendendo cenas hilárias com os dois interagindo quando Mulan ainda estava se disfarçando de Ping. Deve-se ressaltar também o destaque no design apavorante do vilão Shan-Yu, transmitindo pavor e perigo em todas as suas cenas. Mesmo em meio a tantos elementos maravilhosos que funcionam organicamente na trama, seu fator principal está justamente em sua protagonista. Mulan é uma guerreira destemida e fascinante, por diversos motivos. Sua motivação é totalmente encantadora, ela sabe que seu pai já está velho e doente o suficiente para não sair vivo se for participar de uma guerra. Sua bravura consegue ser maior do que a de todos os soldados de seu exército inteiro. E, por fim, seu carisma é gigantesco. Ela é engraçada, divertida, corajosa, ri, chora, falha, acerta, sentimos todas suas emoções com muita empatia. Mulan é a primeira princesa oriental da Disney e a primeira a se enquadrar naquela regra de “ato heroico”, ou seja, não necessariamente faz parte de uma realeza. Isto engrandece ainda mais sua importância cuja grandeza já era histórica pela própria existência.
- Veredito real: dez coroas de dez e uma espada de prata. 👑👑👑👑👑👑👑👑👑👑🗡️

1°: Aladdin | Aladdin (1992)
- Uma das melhores animações da Disney e, o mais importante, o melhor casal da Disney. É absurda a química entre Jasmine e Aladdin, desde sua primeira interação. Além de ter uma das melhores canções de todos os tempos do estúdio, a “A Whole New World” (“Um Mundo Ideal”), seu visual é fantástico. As paisagens grandiosas dos castelos árabes e seus fantásticos figurinos compõem uma atmosfera própria encantadora. Dirigido por Ron Clements e John Musker, “Aladdin” acompanha o drama da princesa Jasmine, filha do sultão de Agrabah, ao se frustrar com os rumos de sua vida e todas as leis que a forçam a se casar com um príncipe alguns dias antes de seu próximo aniversário. Ao fugir de seu palácio, encontra-se com o ladrão Aladdin e seu macaco cleptomaníaco Abu, porém esconde o fato de ser a princesa. Jasmine percebe o quanto se parece com Aladdin em suas questões pessoais e dilemas, porém os dois provêm de perspectivas distintas. Até que Aladdin acaba sendo detido por roubo, e Jasmine, revelando sua verdadeira identidade, ordena sua libertação. Nesse meio tempo, temos Jafar, o grande vilão da história e conselheiro do sultão, que acaba enganando Aladdin, transportando-o para a Caverna das Maravilhas. Lá, Aladdin e Abu acabam encontrando uma lâmpada mágica, libertando o Gênio que pode conceder três desejos. Aqui temos uma ótima trilha sonora, um visual deslumbrante, e elementos icônicos como a própria lâmpada, além do tapete mágico voador. Jafar se consagra como um dos grandes vilões da Disney com seu jeito manipulador, ao lado de seu sarcástico papagaio Iago. Rajah é, com certeza, um dos animais de estimação mais bonitos que a Disney já fez, sendo um lindo tigre fiel companheiro de Jasmine. Já Abu é um dos ‘bichinhos’ mais engraçados do selo. Agora, o Gênio acaba sendo um show à parte. Um dos personagens mais célebres do estúdio, com seu humor absurdo e fisicalidade ilimitada. Sem contar do sentimento orgânico que se cria entre o Gênio e o Aladdin, transmitindo uma grande amizade que está sendo criada em tela. Dentre tantas figuras que marcaram uma geração, Jasmine se destaca como uma das principais princesas oficiais da Disney. Sua motivação acaba sendo muito disruptiva também ao se rebelar com as tradições matrimoniais, lutando pelo seu verdadeiro amor, um simples ladrão e não um príncipe. Seu espírito de liberdade contagia tanto que podemos sentir o vento em seu rosto na icônica cena de “Um Mundo Ideal”, onde a princesa e Aladdin estão sobrevoando toda a cidade com seu tapete mágico. Grande casal! Grande química! Grande princesa! Livre e ansiosa pela próxima aventura ao lado de seu parceiro. Sério, que filme maravilhoso!
- Veredito real: dez coroas de dez e um gênio de ouro. 👑👑👑👑👑👑👑👑👑👑🧞

O legado e a necessidade de crossover
Concluímos, então, que com tantos filmes maravilhosos, a franquia “Princesas da Disney” é a melhor dentre tantas do estúdio. A influência de suas personagens atravessam gerações, marcando a infância de inúmeras pessoas. Crianças de diferentes culturas, países, religiões, cores, muitas acabam se vendo nessas personagens. E isto é maravilhoso, além do rico acervo que esses filmes agregaram, os quais ajudaram a levantar todo esse império gigantesco que é a Disney. É inegável que, por se tratarem de histórias que foram inspiradas em contos folclóricos muito antigos, apresentam pontuais inconveniências que geram um certo distanciamento nas obras para os parâmetros da sociedade moderna. Este é um dos principais motivos que geram discussões quando lançam versões live-actions desses filmes, no que diz respeito às adaptações para o mundo de hoje, levantando pautas como a inclusão e representatividade. Isto acaba sendo uma conversa ainda mais complexa que remete às obras originais, suas versões, a nostalgia por trás de nossas opiniões e preferências, além de preconceitos enraizados e escondidos mesmo. No entanto, ainda não foram todas as princesas que tiveram essa ‘reciclagem’. Por exemplo, até hoje a Disney não ousou em fazer um live-action de “Pocahontas”, e se fizer, certamente irá mudar diversos pontos da história, dado o histórico de suas produções recentes. Dito isto, goste ou não das novas versões, as animações originais estarão sempre ali para revisitarmos.

Por fim, podemos afirmar que se faz muito necessário um crossover épico e digno para as princesas. Ainda mais hoje em dia com inúmeros filmes que se ancoram na nostalgia e na mistura de diferentes personagens de outras franquias. Dá para se dizer que tivemos esse gostinho em “WiFi Ralph”, mas não é a mesma coisa. É preciso um filme grandioso, de preferência em 2D (mesmo sabendo que se for existir, será em 3D). Seja lá qual for a forma, com certeza seria um sucesso espetacular, reunindo todas as gerações. Imagine todas as princesas vivendo seus ‘felizes para sempre’, até que algo terrível acontece, como por exemplo o retorno das vilãs. Com isto, elas se reúnem no próprio castelo da Disney mesmo, interagindo, conhecendo suas personalidades e montando seus planos. Sei lá, multiverso está aí mesmo, seria sensacional. Poderia ter até participações especiais de personagens de outras franquias. No final, iria ter uma grande batalha épica com todos os personagens desses filmes envolvidos. Precisamos contatar algum produtor da Disney. Se vendermos como “Princesas da Disney: Ultimato” seria a isca perfeita. Afinal, esse título deu muito dinheiro para a casa.

Brincadeiras à parte, maratonar esses filmes foi uma experiência muito agradável, montando e realocando meu ranking com minha namorada e se divertindo no processo. A grande real é que a ordem não importa. Isso é só gosto pessoal. A verdade mesmo é que são todos filmes excelentes e clássicos atemporais que fazem parte do nosso imaginário e sempre estarão ali presentes, guardados em algum lugar especial dentro do nosso grande castelo encantado que é nosso coração.


































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