Gostou de O Eternauta? Então, toma mais 5 séries argentinas para maratonar hoje

Recomendações

Como uma avalanche, O Eternauta estreou no dia 30 de abril de 2025. Por sorte, a neve tóxica e mortal da série (e também do quadrinho original de Héctor Germán Oesterheld e Francisco Solano López) deu lugar ao título de série de língua não-inglesa mais vista no mundo. Até o dia 6 de maio, uma semana depois, a adaptação estrelada por Ricardo Darín alcançou o TOP 1 da Netflix em 13 países, incluindo Brasil e Argentina, fora o TOP 10 do streaming em 87 países, sendo vista 10.8 milhões vezes, com um total de 58.3 milhões horas de visualizações. A título de comparação, a produção brasileira Senna, também da Netflix, somou 53 milhões de horas assistidas em um período semelhante. 

 

É um ótimo momento para ser latino e gostar de cultura pop, como bem já dissertei sobre neste meu texto anterior no Peliplat. E se você também devorou O Eternauta como eu, mal pode esperar para a segunda temporada e ficou com um gostinho de “quero mais séries argentinas” para maratonar, seus problemas acabaram. Na lista abaixo, eu indico um pouco de tudo dos nossos hermanos: drama, comédia e até biografia sobre um ícone do país vizinho. Pegue a pipoca e coloque o espanhol para jogo: 

 

O Faz Nada (Star+)

Essa aqui é daquelas séries que eu vi pouquíssima gente comentando, mas garanto que, quem assistir, vai me agradecer e pensar: “isso aqui é uma das melhores coisas que já vi”. “O Faz Nada” é uma joia escondida, vai por mim. Estrelada pelo lendário ator argentino Luis Brandoni e com participações impagáveis de Robert De Niro cada um dos cinco episódios (que giram em torno de 30 minutinhos cada), a série é uma comédia refinada, existencial e deliciosa. Brandoni vive Manuel, um crítico gastronômico ranzinza que sempre teve tudo servido à sua mesa – literalmente. Quando sua fiel governanta morre repentinamente após 40 anos de serviço, ele se vê completamente perdido na vida prática. A saída? Contratar uma jovem paraguaia que vai, aos poucos, desconstruindo e reconstruindo sua rotina. 

Acredite ou não, mas O Faz Nada foi a primeira série de TV que Robert De Niro participou. 

Criada por Mariano Cohn e Gastón Duprat (O Cidadão Ilustre), a série traz também o inigualável De Niro soltando palavrões em espanhol com sotaque nova-iorquino (“bo-lu-dow!”) e explicando expressões locais. Tem leveza, afeto, ironia – e tem aquele charme de histórias bem contadas com gosto de Buenos Aires. Um deleite para quem curte personagens excêntricos e narrativas sobre mudança, mesmo quando mudar parece impossível. De bônus, você ainda verá ótimas tomadas da cidade de Buenos Aires. Sempre que vejo, tenho vontade de me teletransportar imediatamente para lá. Aliás, fica a curiosidade: quando fui a Buenos Aires, em 2023, eu visitei El Rebenque de Omar, a tradicional casa de parrilla em Buenos Aires que recebeu Robert De Niro durante as filmagens da série – afinal, esse é o meu tipo de turismo! Também tive o prazer de trocar umas palavrinhas com o Cezar, garçom que atendeu o De Niro e o Brandoni e ele até me mostoru a selfie que tirou com o icônico ator de Taxi Driver, O Poderoso Chefão e tantos outros filmes que a gente ama. Se quiser saber mais sobre a minha experiência no restaurante, é só ver meu vídeo abaixo: 

 

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Meu Querido Zelador (Star+)

Nessa minha mesma viagem a Buenos Aires de 2023, uma coisa me chamou a atenção logo de cara: nas entradas de vários prédios, havia um tablet gigante com uma pessoa me observando. Descobri depois que esses eram os “porteiros modernos” – empresas terceirizadas que substituíram os velhos zeladores. E é aí que “Meu Querido Zelador” brilha. A série é centrada em Eliseo (vivido por um impecável e afiadíssimo Guillermo Francella), um porteiro que ainda sobrevive nesse novo cenário e se recusa a ser esquecido (ou substituído). Ele sabe de tudo o que acontece no prédio e usa sua posição para manipular os moradores em seu próprio benefício. 

 

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Eliseo é um personagem fascinante: está sempre no limite entre o anti-herói e o gênio da sobrevivência. Ele observa, ouve, arquiteta – e quase nunca se dá mal. E quando se dá, a gente torce pra ele virar o jogo. A série tem humor ácido, uma pitada de crítica social e um ritmo viciante. É quase um House of Cards, só que o cargo em jogo é a portaria do prédio portenho. Impossível assistir só um episódio por vez. A terceira temporada tem até participação especial do nosso Brasil, com um congresso de zeladores no Rio de Janeiro. E para quem quiser visitar o próprio prédio onde Eliseo comanda, o endereço é: Rua Arribeños, aproximadamente no número 1600, no bairro de Belgrano. Fica entre nós, mas essa aqui é a minha favorita da lista. Sorte a nossa que a quarta temporada já está em produção. 

 

Invejosa (Netflix)

Se inveja matasse… não teríamos essa divertidíssima e sincerona comédia romântica estrelada por Griselda Siciliani. Em “Invejosa”, Vicky está à beira dos 40, recém-saída de um término péssimo e completamente cercada por gente feliz. Aquela amiga que engravida, o ex que casa, a irmã que ganha uma promoção… Pois é, enquanto todo mundo parece vencer na vida, Vicky acumula frustrações – e alergias na pele. Literalmente. A série acerta em cheio ao retratar esse sentimento tão humano de comparar-se constantemente com os outros, sejam eles conhecidos ou desconhecidos no Instagram, e sofrer calado. 

 

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Mas, Vicky não é amarga, muito menos vilã. Ao contrário: ela é hilária, intensa e absurdamente identificável. A gente torce por ela, ri e sofre junto. Em sua busca por um novo amor, ela embarca numa jornada de autodescoberta cheia de tropeços e tiradas geniais. É daquelas histórias com o coração no lugar certo e um olhar muito esperto sobre os 30 e poucos (tô quase chegando lá) da vida. E, convenhamos: todo mundo já foi um pouco Vicky alguma vez. Ou várias.

 

Okupas

Se você ficou hipnotizado por Rodrigo de la Serna como o explosivo Palermo de “La Casa de Papel”, saiba que esse homem já fazia estrago lá em 2000 com “Okupas”. A série, que virou cult absoluto na Argentina e ganhou uma versão restaurada na Netflix, retrata como poucos a Buenos Aires do fim dos anos 90: desigual, violenta, sem perspectiva e quebrada – hm, será que difere muito do Brasil noventista? 

De la Serna vive Ricardo, um ex-estudante de medicina que abandona tudo e vai viver numa casa ocupada no bairro San Nicolás. Lá, junta-se a um grupo de amigos que inclui um cobrador de dívidas, um passeador de cães e um maconheiro zen. Juntos, eles enfrentam uma realidade dura, marcada por drogas, gangues e a luta diária pela sobrevivência – mas também formam uma fraternidade improvável. A série tem uma estética suja, quase documental, e diálogos que beiram o improviso, o que só aumenta o senso de urgência e autenticidade. Okupas é crua, honesta e poderosa. Uma pérola sobre juventude à deriva – e uma aula de como se fazer televisão com alma.

 

Maradona: Conquista de um Sonho

É impossível falar da Argentina sem falar dele: Diego Armando Maradona. Ele está por todos os cantos do país, estampado em muros, quadros de restaurantes e botecos. E a série “Maradona: Conquista de um Sonho” faz jus à complexidade de um dos maiores (e mais polêmicos) ícones do futebol mundial. Com três atores distintos (Nazareno Casero, Nicolás Goldschmidt e Juan Palomino) dando vida a Diego em diferentes fases, a produção costura os altos e baixos de sua trajetória com um equilíbrio admirável. 

 

Vemos o menino pobre de Villa Fiorito, o craque que encantou a Itália, o gênio da "mano de dios" e o homem que lidou com vícios, pressões e escândalos. A série não alisa – mostra os bastidores sombrios, os abusos e o peso de ser um mito vivo. Mas também celebra o talento incomparável e o carisma de um ídolo que transcendeu o esporte. Maradona foi um homem dividido entre a glória e o caos – e assistir à série é, de certa forma, tentar entender esse paradoxo. Para quem ama futebol, política, drama e história, é uma experiência obrigatória. 

 

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Comentários 3

B
Bia Matera5 de julho de 2025
Luis Brandoni chega a me irritar em certos momentos de TÃO PORTEÑO que ele é! hahahaah essa série é realmente um deleite para quem é apaixonado por Buenos Aires ♥</br>Ao mesmo tempo, eu como uma grande consumidora de produções argentina desde cedo, fico muito feliz que agora o Brasil possa conhecer a genialidade do Francella. Mas uma correção: porteiro e zelador são cargos diferentes hahaha os encargados ainda existem aos montes em todos os prédios de Buenos Aires (e são exatamente como retratados na série, tenho histórias ótimas de quando morei lá). Porteiros realmente são raridade, só morei em prédio com interfone direto e frequentei muitos com aquelas caras gigante te encarando.
U
User-142049449526 de junho de 2025
massa!
C
Carlos Norcia12 de junho de 2025
Já tô colocando essas recomendações na minha lista!

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