Para além das fanfics: o porquê de Maxton Hall ter feito tanto sucesso

Críticas Gerais

 Quem nunca detestou o fim de um filme? A inesperada morte de um dos seus personagens favoritos para efeito dramático? O trágico fim de um shipp ao estilo de Romeu e Julieta? Nada que uma boa fanfic não possa consertar! Particularmente, a minha jornada com a escrita criativa começou com as fanfics e evoluiu para materiais originais — sem nunca completamente abandonar o meu instinto de fanficar alguns dos meus casais mais queridos só para passar mais algum tempo com eles. Por isso, ao me deparar com ‘Maxton Hall’, uma série original do Prime Vídeo, não pude deixar de ter a sensação de estar na era de ouro das fanfics novamente. Duvida? Vem comigo!


Como Taylor Swift diria de forma eloquente: "you wouldn't last an hour in the asylum where they raised me." O hospício em questão? É claro, o tal mundo das fanfics! Por mais que 'Maxton Hall: Die Welt Zwischen Uns' ('Maxton Hall: O Mundo Entre Nós', no Brasil) seja baseada numa trilogia original da autora Mona von Kasten, os elementos que tornam essa história bem-sucedida são os clichês tão conhecidos e adorados nas obras escritas por fãs. E, mais uma vez, o Prime Video soube tirar proveito disso.

 

Não é novidade que esse streaming gosta de investir em adaptações de livros, especialmente do subgênero young adult (YA), sendo os mais populares em formato de filmes – tais como ‘Vermelho, Branco e Sangue Azul’, a saga ‘After’ e o recente 'Uma Ideia de Você'. Lançado discretamente, 'Maxton Hall' acabou caindo no gosto dos fãs que reconheceram no material tantos plots que marcaram gerações de jovens que gostam de adaptar suas histórias favoritas e compartilhá-las nos fandoms. 

 

A partir daí, o marketing gratuito estava garantido, as cenas acumularam milhões de visualizações nas redes sociais — foi assim que eu descobri a produção — e a série se tornou o Amazon Original não-americano mais assistido durante uma semana na história do streaming. Será que a qualidade dela está à altura do hype? E, do outro lado, será que adaptações de romances YA ainda devem ser vistas com certo receio pela comunidade de seriadores?

 

Por mais que seja uma produção alemã, 'Maxton Hall' apresenta um prestigioso colégio particular britânico, onde os herdeiros das famílias mais influentes da Europa estudam sabendo que já possuem um pé dentro de Oxford ou Cambridge. Porém, nem todos ali são oriundos de vidas privilegiadas, como é o caso da protagonista, a bolsista Ruby Bell (Harriet Herbig-Matten), que sonha em encontrar um lugar para chamar de seu em Oxford. Em seu último ano antes da formatura, ela tem conseguido cumprir um dos seus grandes objetivos: ser invisível aos olhos dos colegas.

 

Porém, tudo vai por água abaixo após estar no lugar errado na hora errada, testemunhando um segredo que pode destruir a reputação de Lydia Beaufort (Sonja Weißer), uma das figuras mais populares de Maxton Hall e que praticamente comanda a instituição com seu irmão gêmeo, James (Damian Hardung), graças ao dinheiro e influência de sua família. Qual é o segredo dela? A todo estilo de Aria e Ezra de 'Pretty Little Liars': um caso entre a aluna e seu professor de filosofia. 

 

Sabendo que não pode suportar mais um escândalo e ser vista com maus-olhos por seu pai, o vilanesco Sr. Beaufort (Fedja Van Huêt), Lydia recorre à pessoa com quem sabe que sempre pode contar: seu irmão. Por sinal, a conexão entre eles é um dos pontos altos dessa produção. Como esperado, James tenta silenciar a protagonista da única maneira que um jovem de 18 anos mimado e milionário saberia fazer, ou seja, dinheiro, muito dinheiro! O que ele não contava era com o caráter inabalável de Ruby que não tem intenção de expor a situação ou lucrar com ela, por mais que o valor pudesse ser de grande ajuda em casa – que é sustentada apenas pela mãe após um acidente que deixou seu pai em uma cadeira de rodas.

 

Isso dá início a um jogo de gato e rato em uma clássica narrativa enemies to lovers, trazendo alguns dos principais elementos tão queridos pelos fanfiqueiros: garota pobre x garoto rico, romance proibido, nerd e capitão do time, etc. O drama acaba colocando Ruby no centro das atenções e nem é preciso dizer que a situação acaba escancarando ainda mais as diferenças entre a realidade dela e de seus colegas. Ao mesmo tempo que o caos acontece ao seu redor e a garota não gostaria de mais nada além de voltar ao anonimato, ela não pode negar que isso rende experiências marcantes para sua adolescência. Aqui, a série entrega uma personagem determinada, apaixonada [não somente por James] e que, junto ao seu par romântico, conta uma bela história de esperança e autodescoberta. É impossível não suspirar com Ruby à cada belo gesto de James, ou ficar de coração partido quando tudo e todos estão contra os dois. Mas… Se tudo fosse tão fácil, não haveria história para contar, não é? 

 

Claro, nem todos os aspectos dessa narrativa foram acertados. Sem dúvida, o maior erro deles foi a história de Lydia. Além da série se recusar a colocar o professor em seu lugar de predador, tirando proveito de uma adolescente e constantemente a procurando na escola mesmo após a aluna se afastar, até mesmo instigando a ideia de fugirem juntos, a cereja no bolo é a decisão de engravidar a personagem na reta final, logo após ter se dado conta de que deveria deixar o relacionamento para trás. Realmente torço para que esse plot possa tomar um rumo diferente na 2ª temporada já confirmada pelo streaming e programada para estrear no fim de 2025.

 

Acompanhado de cenários de tirar o fôlego filmados na Inglaterra e Alemanha, belas trilhas sonoras e um par de protagonistas com uma química avassaladora, 'Maxton Hall' é uma farofa deliciosa de assistir. Respondendo à pergunta inicial, a qualidade está à altura do hype. Ao contrário de certos streamings, o Prime percebeu que histórias simples, mas bem-executadas, são melhores do que um catálogo recheado de erros cancelados na 1ª temporada. De forma alguma essa série alemã é inovadora, mas rende momentos que aquecem o coração da audiência e os mantém interessados na trama até o fim. Sem dúvida, Ruby e James já se tornaram um marco para o subgênero YA.

 

Agora, sobre a segunda pergunta deste texto, passou da hora de que produções como essa sejam vistas como o que verdadeiramente são: entretenimento. Nem tudo precisa ser sobre atores renomados, narrativas complexas e premiações. Às vezes, o que os seriadores querem é algo para maratonar ao fim da semana sem precisar explodir o cérebro de tanto pensar – como é o caso da compatriota 'Dark' (Netflix) – e 'Maxton Hall' cumpre essa função com louvor. E como ainda faltam meses para a série retornar… Só resta fanficar o que pode acontecer com o shipp na 2ª temporada (ou conferir o segundo livro da trilogia, caso os roteiristas decidam não desviar muito do material original).

 

Quer assistir? Os 6 episódios da 1ª temporada já estão disponíveis no Prime Video.


Para quem curte uma boa fanfic, deixo aqui uma pergunta: qual outra série merece o selo de aprovação dos fanfiqueiros? Conte nos comentários!

Comentários 3

M
Maratonando19 de maio de 2025
“Como Taylor Swift diria…” E aí já me ganhou! 😂 Você descreveu exatamente o apelo da série — é simples, é clichê, e é tudo o que a gente precisava. Ps: já tô aqui caçando fanfics no AO3, rs.
B
Bia Matera7 de maio de 2025
Ruby Bell é a filha que Raquel Accioli, de Vale Tudo, sonhou em ter. 🤝</br>Eu não poderia concordar mais com você! Dei play em Maxton Hall já esperando que seria uma bomba como Elite e fui pega de surpresa ao encontrar uma série deliciosa pra passar o tempo. Ela de fato entrega o melhor das fanfics (adolescente dos anos 2000 aqui) com clichês adolescentes em paisagens deslumbrantes.</br></br>E também concordo que coisas que a gente fazia vista grossa nos anos 2000, como o romance aluna e professor tinham mais é que ser revistos. Não importa se ela tem 18 e ele 23 (ou algo assim). O poder de um professor sobre um aluno diz ainda mais do que a diferença de idade (que já deveria ser o suficiente para esse romance não existir). Mas tá... Que façam escolhas melhores numa segunda temporada. E que o Prime não ouse cancelar, como fez com My Lady Jane (ainda não superei e nem perdoei vocês, Amazon!)
A
Amanda Kassis8 de maio de 2025
Em resposta a Bia Matera: Obrigada pelo comentário, Bia! Sim, temos a mágica fórmula dos anos 2000, mas também é necessário evoluir. E, infelizmente, Maxton Hall optou por continuar perpetuando o mesmo erro que PLL cometeu com Aria e Ezra.

Deste autor