CRÍTICA l Digger

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Por Roberto Tavares

Digger (2026) - IMDb

Um dos filmes mais esperados do ano chega aos cinemas carregando o peso de uma interpretação “fora da caixa” de Tom Cruise como o grande astro de Digger. 

O retorno do cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu aos cinemas com Digger era um dos eventos mais aguardados do ano. Unindo sua direção de grande escala ao carisma gigantesco de Tom Cruise em uma caracterização física irreconhecível, a obra se propõe a ser uma sátira política e ecológica de tom apocalíptico mas que parece querer usar dessa nova “aparência” de Tom Cruise para mostrar um outro lado do seu talento fugindo do “ser galã” em todos os outros longas no qual o ator participou.

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O resultado, porém, é uma experiência que sem sombra de dúvidas irá dividir o público. Isso porque o próprio filme mescla entre momentos de puro brilho nas atuações, mas em paralelo a isso traz uma narrativa sufocada pelo excesso de temas.

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Tom Cruise (Digger), acostumado a heroísmos de ação, se joga em uma caracterização física desafiadora (aparecendo como um idoso gordo e histriônico). O ator levava 06 horas por dia para se caracterizar ao personagem. É uma atuação crua, magnética e intencionalmente desconfortável, reafirmando sua amplitude dramática fora dos blockbusters.

Digger First Reactions: Tom Cruise Baffles in Divisive Comedy

Riz Ahmed brilha no papel do cientista desesperado que serve como bússola moral do espectador, nos conduzindo ao caos e ao mesmo tempo a torcida para que ele consiga exercer a sua função com maestria e a dignidade que merece.

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Porém para além deles, poucos são aqueles que conseguimos criar alguma espécie de laço ao longo do filme. O elenco de apoio conta com muitas gente e nenhuma se desenvolve. Por alguns momentos não sabemos de fato o que está acontecendo. O filme exige uma concentração fora de série para que se possa compreender alguma coisa daquilo que o filme “realmente” pretender trazer de mensagem.

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É possível sim enxergar as críticas que se fazem ao governo norte-americano, a humorização (mesmo que sem graça) do chefe do poder e de outros políticos. Mas para além disso, fica difícil por muitas entender o ritmo que a “peça dentro do filme” quer contar.

Digger' is the worst movie of Tom Cruise's career

No quesito fotografia, a parceria contínua com Emmanuel Lubezki rende quadros de beleza plástica inquestionável. A câmera captura tanto o confinamento suntuoso da comitiva do magnata quanto cenários de desastre que flertam com o surrealismo e o surreal-onírico. Incrível como a fotografia contribui para que esqueçamos que o que assiste por boa parte é um espetáculo teatral ao invés de um filme propriamente dito.

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Mas é inegável assumir que o grande entrave de Digger está na sua busca incansável por abraçar o mundo. Ao tentar oscilar entre a farsa escancarada à la Corra que a Polícia Vem Aí! com caricaturas políticas intencionalmente grotescas e o drama reflexivo sobre nossa apatia ecológica, o filme oscila em tom e ritmo.

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Digger é um filme imperfeito, confuso em suas ambições, mas inegavelmente corajoso. Mesmo quando falha na coesão do tom, sustenta-se pela força gravitacional de Tom Cruise e pela maestria visual de sua produção. Não agradará a todos os públicos, afinal sua proposta nem é para tal, mas certamente provocará debates intensos sobre a autoilusão humana diante do colapso da realidade.

Nota:3/5

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