O Convite | Crítica

Críticas Gerais

À exceção da cena de abertura, O Convite se passa integralmente dentro de um apartamento fechado com a presença de apenas quatro personagens. A diretora, Olivia Wilde, utiliza o restrição do ambiente a seu favor, transformando o local em uma espécie de palco de teatro no qual seus atores transitam por cômodos e corredores. A geografia espacial é explorada pela câmera que, frequentemente, enquadra os personagens, separando-os por portas, janelas, paredes ou espelhos, distanciando-os dentro do mesmo plano, para evidenciar o abismo emocional existente entre eles, apesar da proximidade física. Estão sempre a poucos metros uns dos outros, porém há sempre uma barreira separando-os. A metáfora visual usada não é uma invenção de Wilde, mas é, por ela, muito bem empregada, comunicando muito, sem nada dizer.    

A narrativa centra-se em torno de um casal enfrentando problemas conjugais. A esposa, Angela, a contragosto do marido, Joe, decide convidar um casal vizinho para uma noite de frios e vinho, na tentativa de enturmá-los com pessoas vistas por ela como descoladas - e por ele, como irritantes. Com uma proposta mais intimista, em comparação com seu longa metragem anterior, a diretora não mais busca pelo choque de reviravoltas mirabolantes. As grandes revelações do filme são construídas não como plot twists propriamente ditos, e sustentam-se graças ao humor satírico afiadíssimo dos diálogos. É menos sobre o objeto revelado e mais sobre o timing cômico do que é dito e a forma como os demais reagem a cada informação. 

Todavia, pontua-se, intimista, nesse caso, nada tem a ver com “calmo” ou “parado”. O ritmo da trama é bastante frenético e caótico, evidenciado pelos cortes rápidos da edição e pela trilha sonora que escalona perfeitamente em momentos chaves para estabelecer o clima crescente de te(n)são. Se os personagens borbulham por dentro com variados sentimentos a flor da pele, isso reflete-se nas escolhas estéticas do filme. A título de exemplo, em uma cena na qual Joe pretende confrontar o casal convidado sobre práticas incômodas, um abajur - usado como único foco de luz - ilumina seu rosto como se ele fosse um vilão caricato tomado pela raiva, enquanto a música cresce na medida de sua fúria. 

Apenas nos segundos finais, o filme se permite desacelerar, o casal de protagonistas divide a tela sem nenhuma moldura visual separando-os, a câmera se fecha neles não para confiná-los no plano, mas sim enquadrá-los juntos, com ternura, ressaltando a tentativa de reaproximação física e mental. Não existem mais barreiras, a edição e a direção estão serenas, resta a calmaria.  

 

nota: 4,5/5

 

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