Entrevista | Jon M. Chu fala sobre as referências à Hollywood clássica em Wicked: Parte 2
Direção
Um dos aspectos que mais causaram curiosidade nos meses que anteciparam a estreia de Wicked: Parte 2 (Wicked: For Good, 2025) era a forma como o diretor Jon M. Chu mostraria Dorothy Gale, Totó, o Leão Covarde, o Homem de Lata e o Espantalho. No fim das contas, a escolha do realizador não fugiu muito do que acontece no segundo ato do musical da Broadway, com Dorothy mostrada apenas em sombra. Nada mais certo, afinal, a história é sobre Elphaba (Cynthia Erivo) e Glinda (Ariana Grande) e a jornada da personagem imortalizada por Judy Garland em O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939) não poderia tirar o filme de Chu do rumo. Como ele mesmo disse na coletiva que imprensa que concedeu a alguns jornalistas brasileiros e estrangeiros em São Paulo, o tempo todo tinha que lembrar que o filme “era sobre as garotas".
Os sapatinhos vermelhos do filme de 1939 também são lembrados no filme, de forma mais sutil, para não esbarrar no copyright (no livro, os sapatos que saem dos pés da Bruxa Má do Leste para os de Dorothy são prateados - o vermelho foi colocado no filme para que a cor do objeto fosse mais valorizada pelo vibrante do Technicolor).
Outras referências à Hollywood clássica estão presentes - algumas mais escancaradas, como o momento em que o Mágico (Jeff Goldblum) brinca com um globo, evocando Charlie Chaplin em O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940). Na coletiva de imprensa em São Paulo, Chu mencionou que quis apresentar Elphaba como uma super-heroína e, ao mesmo tempo, como uma personagem de um faroeste de John Ford, à espreita no cânion. Tive uma nova oportunidade de falar com o diretor recentemente, e, com pouco tempo à disposição (apenas três minutos) e um entrevistado que fala bastante, sabia que provavelmente só iria conseguir fazer uma pergunta, e resolvi explorar essa relação de Wicked: Parte 2 com os filmes que vieram antes. Veja o que ele respondeu:
Camila Henriques: Este filme presta muitas homenagens à Hollywood Clássica, com a referência a Charlie Chaplin em O Grande Ditador, e também com os sapatos vermelhos do filme de 1939. Eu sei que existe uma questão de direitos autorais, mas você fez isso de forma criativa. Gostaria que você falasse sobre como incorporou essas referências ao filme.
Jon M. Chu: Bem, parte do tema do filme é romper com a narrativa em geral, romper com a narrativa que nos foi contada e dissecá-la - filmes, musicais, história - e analisá-la para ver quais elementos realmente parecem verdadeiros nos dias de hoje, em uma era de informação onde temos acesso a toda a verdade, e agora essa verdade está sendo desvendada. No que realmente acreditamos, agora que temos mais informações? Isso se relaciona com os filmes. A chegada do Mágico e a retomada da história, com elementos de Chaplin em O Grande Ditador, ou até mesmo com a cena de Cantando na Chuva (Singing in the Rain, 1952). Tem um momento ali que faz referência a Make 'Em Laugh (número musical de Cantando na Chuva).
No primeiro filme, temos muito mais referências porque a estrutura da história é bem definida, e a heroína também, e no segundo filme, nós quebramos tudo isso. Mesmo quando Dorothy aparece na história, eu tive que descobrir o que ela significa para a nossa narrativa. Não pode ser só uma piada. [Pensei:] “Ah, é o establishment voltando com tudo”. Essa é a história que é para sempre, e não pode ser alterada. [A obra de Frank L. Baum e o filme de 1939] estão bem ali, te olhando enquanto você tenta se virar e encontrar a sua verdade sobre isso.
Por isso nunca mostramos o rosto [de Dorothy]. Só damos tanta atenção a isso porque faz a nossa história andar pra frente, e a nossa história consegue reagir e dizer que isso pode existir numa certa bolha, mas a nossa história segue em frente. Acho que isso foi realmente fascinante para nós como parte da arquitetura de como contamos a história, de não ficar apenas nas referências e não ficar apenas apenas nas pistas divertidas. Elas não estão ali só para diversão. Tudo faz parte do tema.
Wicked - Parte 2 já está em cartaz nos cinemas.















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