Entrevista | Craig Brewer, diretor de Song Sung Blue: "O amor bate diferente quando você já viveu bastante"

Direção

O diretor Craig Brewer ainda não tinha a atriz para protagonizar o seu próximo filme. Tudo mudou após uma indicação de Hugh Jackman, que já estava à frente do projeto com ele. Quando assistiu a uma entrevista na TV, Brewer teve certeza que tinha em Kate Hudson o nome ideal para estrelar Song Sung Blue - Um Sonho a Dois (2025). O filme dependia de alguns fatores para dar certo, e a escolha da dupla de atores era o alicerce de tudo, afinal, estamos falando de uma história de amor entre dois cantores que ganhavam a vida reinterpretando o repertório de Neil Diamond. Então, era importante o encontro de dois atores que tivessem não apenas química entre eles, como talento vocal.

Um Sonho a Dois marca a primeira colaboração dos atores e mais um capítulo na carreira de Brewer, marcada por obras que falam sobre música ou cinema, desde a série Empire (2015-2019) a filmes como Meu Nome é Dolemite (Dolemite is My Name, 2019) e Ritmo de Um Sonho (Hustle & Flow, 2005). Dessa vez, ele capitaneia a versão ficcionalizada de duas pessoas que já haviam sido retratadas em um documentário lançado há 17 anos, também com o nome original de Song Sung Blue.

Os motivos que levaram o diretor a fazer um filme sobre o romance de Mike (Jackman) e Claire Sardina (Hudson), a escolha das canções de Neil Diamond que emoldurariam a trama e como o talento musical dos dois atores ajudou na construção do que está em cena foram alguns dos temas de uma entrevista que fiz recentemente com o diretor do filme, com estreia marcada para janeiro no Brasil. A seguir, a entrevista completa:



Camila Henriques: Craig, você tem experiência em levar para a tela histórias sobre artistas.. O que te fez ver um filme de ficção na história de Mike e Claire?

Craig Brewer: Acho que a primeira coisa que me chamou a atenção é que a história deles é uma história de amor diferente. É uma história de amor entre duas pessoas com mais de 50 anos e acho que o amor bate um pouco diferente quando você já viveu bastante, quando já passou por algumas decepções, quando a vida já te deu umas pancadas. Você chega ao amor com um olhar diferente. Você pensa em família com um olhar diferente. Você valoriza para o tempo que lhe resta, mas, ao mesmo tempo, pode se desapegar de algumas coisas e curtir as peculiaridades e desafios que existem tanto nas pessoas quanto na própria vida. 

Para mim, o fato de que [Mike e Claire] se apresentavam em uma banda tributo ao Neil Diamond era apenas a cereja do bolo. O que me atraiu mesmo foi a história de amor. Eu queria ver pessoas que querem começar uma família juntas, mas que precisam lidar com uma série de problemas que surgem pelo caminho.

Camila: No filme, você explora o catálogo de Neil Diamond com dois atores que cantam muito bem. Kate tinha acabado de lançar seu primeiro álbum antes de vocês começarem a filmar. Como o talento musical dela e de Hugh ajudou a moldar a história que você queria contar?

Craig: Kate estava passando por um período de transição na vida dela. A música sempre fez parte da vida dela, mas acho que, por volta da época em que o filho foi para a faculdade, ela disse em uma entrevista que estava cansada de esperar que Hollywood lhe oferecesse trabalhos, e que queria tomar as rédeas da própria vida. E isso significava subir em um palco diante com uma banda para cantar e gravar músicas. E eu pensei que esse seria o momento perfeito para trabalharmos juntos. E, claro, Hugh fez Os Miseráveis, O Rei do Show… Ele é um cara da música e da dança. Por mais que as pessoas pensem nele como Wolverine, a verdade é que ele adora musicais e consegue cantar. 

Foi uma bênção para mim não apenas fazer um filme sobre música - e já fiz filmes sobre música - mas ter dois aliados que sabiam o que estavam fazendo e que trouxeram muita expertise para o projeto.

Camila: No filme, Mike fala várias vezes que Neil Diamond é mais que Sweet Caroline. É algo importante na história. Como você fez a seleção musical? Houve alguma canção que você gostaria de ter encaixado na história?

Craig: Eu provavelmente tenho mais duas ou três canções que não consegui colocar porque são duas horas de filme. A obra de Neil é tão comovente e tão empolgante que eu precisei ter cautela na escolha das músicas. Posso dizer que minha filha adolescente e todas as suas amigas “sofreram” porque eu passei de dois a três anos ouvindo Neil Diamond. Eu as levava para sair e elas perguntavam: “ah, vamos ouvir Forever in Blue Jeans de novo, senhor Brewer?”. Foi uma fase que pedia que eu ouvisse bastante música e que eu pensasse o que cada canção dizia e se ela poderia oferecer algo para a emoção da cena. Que canção você quer ouvir quando duas pessoas estão se apaixonando e aprendendo a cantar juntas pela primeira vez? Que canção você quer cantar quando passou por uma tragédia e está tentando se reerguer? Por sorte, o catálogo dele é repleto de canções cheias de significado, então tive muitas opções.

 

Song Sung Blue - Um Sonho a Dois estreia dia 26 de janeiro no Brasil.

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