5 animes para quem tem preconceito com animes

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Apesar de vários animes terem feito parte da infância de muitos brasileiros, nem todo mundo permaneceu interessado no gênero depois de adulto. Na verdade, conheço muita gente que têm um certo preconceito com as animações japonesas. Acham que, quando não são desenhos de lutinha, então são bobos demais.

 

Vamos combinar que não há como julgá-los. Muitos dos animes mais populares passam exatamente essa energia e alguns até são só sobre isso (ou coisa pior). Mas generalizar é um grande equívoco. Pensar que todas as obras são para crianças ou adolescentes é um equívoco ainda maior.

 

Nem todas as animações japonesas são carregadas de exageros visuais e narrativos. Mas acontece que os animes são uma mídia, não um gênero por si só. Dentro deste universo, há uma variedade de gêneros, pensados para públicos com diferentes interesses e idades. Há espaço para ação, drama, romance, ficção científica, suspense e, às vezes, muitos traumas. Existem animes de praticamente qualquer estilo narrativo que você possa imaginar.

 

E eu estou aqui para tentar convencê-lo(a) de que, se você gosta de filmes e séries no geral, então provavelmente há algum anime por aí nesse mundão que vai te conquistar. Talvez você já tenha ouvido falar de algumas produções dessa lista, mas não tenha dado uma chance. Antes de prosseguir, vale notar que selecionei produções episódicas, e não filmes. E todas já foram encerradas (menos uma, que talvez nunca seja. Explico já já).


Cowboy Bebop (1998)

Talvez este seja o único anime que eu jamais deixaria de fora desta lista, já que poucas produções do tipo possuem a universalidade que ele carrega. Produzido e dirigido por Shinichiro Watanabe, Cowboy Bebop mistura ficção científica, western e noir em uma narrativa que está muito mais próxima do cinema americano do que de produções japonesas tradicionais.

 

Acompanhamos um grupo de caçadores de recompensas que viajam pela galáxia atrás de trabalhos que, na realidade, mal pagam o que necessitam. Spike Spiegel, o protagonista e líder do grupo, é o típico anti-herói com um passado misterioso que insiste em persegui-lo.

 

E um dos motivos pelos quais Cowboy Bebop é tão acessível a quem não gosta de animes é o formato dos episódios, quase sempre com um início, meio e fim, como capítulos de uma série ocidental.

 

Além disso, apesar dos quase 30 anos de vida, Cowboy Bebop envelheceu muito bem em todos os sentidos. E é impossível não amar a trilha sonora impecável de Yoko Kanno, que une jazz, blues e até bossa nova.

 

Tudo isso, combinado com os temas universais e humor adulto que fazem parte da narrativa, forma uma verdadeira obra-prima dos animes e uma prova definitiva de que nem tudo neste universo é sobre adolescentes ou batalhas intermináveis.

 

Neon Genesis Evangelion (1995)

Essa aqui é uma indicação mais arriscada, eu admito. Você vai amar ou odiar. Mas achei melhor incluí-la na lista porque penso ser uma opção semelhante a Cowboy Bebop: não há praticamente nada de fofo e engraçadinho aqui. Mas sim muita depressão, crises existenciais e drama familiar, com uma boa dose de batalhas.

 

Sim. À primeira vista, Neon Genesis Evangelion pode parecer exatamente aquilo que muitos não gostam em animes: robôs gigantes lutando contra monstros igualmente gigantes. Mas esse é apenas um detalhe de uma trama absurdamente complexa e incomparável.

 

Dirigido por Hideaki Anno e lançado em 1995, Evangelion começa como uma típica história de ficção científica pós-apocalíptica. Adolescentes são recrutados para pilotar os misteriosos EVAs e lutar contra criaturas chamadas Anjos. Mas conforme a história avança, fica claro que o verdadeiro conflito está nas definições de humanidade e individualidade.

 

O coitado do Shinji Ikari é um retrato cru da depressão e da dificuldade de lidar com expectativas externas. Haja daddy issues pra esse menino. Outros personagens importantes, como Asuka e Rei, também carregam seus próprios traumas e dilemas. Evangelion não tem medo de mergulhar em questões psicológicas e filosóficas complexas, e é exatamente isso que o torna tão especial.

 

E fica a dica: se você assistir apenas aos 26 episódios do anime, não vai ter acesso ao final. Depois disso, vá para o filme The End of Evangelion. E, se realmente gostar da trama, assista aos filmes do projeto conhecido como Rebuild of Evangelion.

 

Attack on Titan (2013)

Ok, essa é a indicação mais “anime de lutinha” de todas da lista. Mas eu prometo que: 1. são lutinhas muito legais; 2. o anime não é apenas sobre isso.

 

Attack on Titan conseguiu romper a barreira do nicho e se tornar um fenômeno cultural global. Criado por Hajime Isayama, o anime tem uma história poderosa, baseada em uma trama política, que está ligada à nossa realidade de muitas (e infelizes) maneiras.

 

A humanidade vive cercada por muralhas gigantescas, construídas para proteger os sobreviventes de criaturas conhecidas como Titãs - humanoides gigantes que devoram pessoas. O que começa como uma história de sobrevivência logo se transforma em uma trama política com conspirações, reviravoltas e dilemas morais profundos.

 

O anime carrega questionamentos sérios sobre liberdade, autoritarismo, preconceito e a natureza da violência humana. As cenas de batalha são extraordinárias e a tensão de cada episódio vai prender a sua atenção. Mas, no fim das contas, o que mais importa em Attack on Titan é como o anime retrata o ciclo de ódio que permeia toda a história da humanidade.

 

É verdade que o fim é muito criticado, mas não penso que isso deveria ser um impeditivo para quem nunca assistiu. Apesar dos problemas na reta final, a experiência ainda vale a pena.

 

Nana (2006)

Chegamos no romance. Mas romance com muitas complexidades. Baseado no mangá de Ai Yazawa, Nana é a prova de que as animações japonesas também podem explorar dramas humanos de forma tão ou mais intensa que outros produtos midiáticos.

 

Acompanhamos a vida de duas jovens mulheres, ambas chamadas Nana, que se conhecem por acaso à caminho de Tóquio. Elas decidem morar juntas e, apesar de terem personalidades e objetivos de vida completamente diferentes (uma é vocalista de uma banda punk, e a outra busca estabilidade e um namorado), elas constroem uma amizade intensa e transformadora.

 

Nana retrata a vida adulta com todas as suas contradições: sonhos, desilusões, relacionamentos problemáticos, problemas no trabalho, escolhas e perdas. É um drama muito maduro sobre duas jovens comuns, e justamente por isso é tão fácil se identificar e se emocionar. E caso te interesse: a obra também é uma referência fashionista de primeira. 

 

O problema é que Nana ainda não chegou ao fim. Nem o mangá e tampouco o anime, que estão parados no tempo há 16 anos (a autora prometeu que esse final chegará, só não sabemos quando). Apesar de não ser o encerramento planejado, o último episódio produzido da animação funciona, de certa forma, como um final. Portanto, ainda vale a pena investir seu tempo na história.

 

Violet Evergarden (2018)

Essa aqui é para quem gosta de histórias mais sensíveis. Violet Evergarden pode ser descrito como pura poesia visual. Baseado no mangá da autora japonesa Kana Akatsuki, a obra se destaca pela qualidade técnica impressionante: cada cenário parece uma pintura, e cada movimento é animado com uma delicadeza notável.

 

Mas a narrativa também é fora da curva. Violet é uma jovem ex-soldado que, após do fim de uma guerra, passa a trabalhar como uma “boneca de automemórias”, encarregada de escrever cartas para pessoas que não conseguem expressar seus sentimentos.

 

A protagonista tem muitos traumas e dilemas pessoais. Violet foi criada para ser uma assassina implacável. Ela perdeu ambos os braços em combate e perdeu uma das pessoas mais importantes de sua vida, sendo obrigada a seguir a vida com muitas perguntas e poucas respostas.

 

Ao longo dos episódios, vemos Violet aprendendo sobre as emoções humanas enquanto enfrenta seu próprio passado, além dos dramas pessoais dos clientes que a protagonista atende. Violet Evergarden é uma experiência sensível sobre empatia, luto, amor e reconciliação.

 

E depois de assistir ao anime, não deixe de ver o filme de 2020 que encerra a história de Violet. 

Comentários 1

A
A Krítica | Kauã Petean16 de setembro de 2025
Bruna, tenho a maior vontade de ver Evangelion mas me perco na cronologia kkkkkkkk É com Neon Genesis que devo começar?

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