Missão: Impossível 8 - repleto de ação e nada memorável
Críticas Gerais19 anos após o lançamento do primeiro Missão: Impossível, a franquia estrelada por Tom Cruise chega ao que seria seu último capítulo. Bom, pelo menos é o que dizem.
Foram oito filmes ao longo de quase três décadas. Se o original, dirigido por Brian De Palma, tinha uma pegada mais voltada ao suspense e à espionagem, foi a partir de Missão: Impossível 2, lançado em 2000 e comandado por John Woo, que o estilo que conhecemos hoje começou a se consolidar.
Embora eu ache o segundo o mais cafona de todos, fica claro que apostar em cenas de ação e evidenciar o protagonismo físico de Tom Cruise era o caminho que ele queria trilhar.

A partir daí, vimos a saga evoluir em narrativa e formato, equilibrando sequências eletrizantes com histórias de agentes secretos. Mesmo que os roteiros nem sempre tenham sido inspirados, a franquia sempre entregou um bom passatempo.
Até chegarmos ao ótimo filme de 2023. Missão: Impossível – O Acerto de Contas, o sétimo da série, trouxe uma trama envolvente, ação de alto nível e vários ganchos que deveriam ser amarrados no capítulo final.
Quando soube que o novo longa teria quase três horas, me perguntei se esse tempo todo era realmente justificado. Considerando os conflitos deixados no anterior, será que tudo isso era necessário para concluir a história?
A resposta, infelizmente, é não. Entendo que, por ser o desfecho, houvesse a vontade de fazer um tributo à trajetória da série. Mas, com meia hora a menos, o resultado teria sido igualmente eficaz e bem menos arrastado.
Tom Cruise, promovido nos últimos anos como o “último astro de Hollywood”, parece ter abraçado uma megalomania que salta aos olhos nas cenas de ação intermináveis.

A sequência no submarino até começa bem, criando tensão e destacando o rigor físico e técnico exigido para um mergulho em grandes profundidades. A preparação é interessante, com detalhes sobre equipamentos e treinamento. Mas, quando finalmente mergulhamos com o personagem, o filme abandona a lógica que ele mesmo construiu.
Tudo em nome do quê? Da necessidade de reafirmar o astro. A cena, que poderia ser tensa e objetiva, se estende desnecessariamente, criando obstáculos forçados para tentar arrancar um suspense que não convence. Alguém realmente acreditou que ele morreria no meio da trama?

Esse talvez seja o maior tropeço de Missão: Impossível 8: a compulsão de exibir o virtuosismo físico de Cruise. O excesso de pirotecnia cansa. A sequência final do avião parece não ter fim.
O vilão, interpretado por Esai Morales, se perde no meio da grandiosidade. Vira uma caricatura. A motivação não convence e tampouco a performance.
Outro ponto incômodo é o velho complexo de salvador dos Estados Unidos. Eles, mais uma vez, são os únicos capazes de proteger o mundo, enquanto os russos surgem como ameaças de moral duvidosa. Isso já existia antes, mas com menos descaro.
No fim, a trama não se sustenta. Se apoia demais na nostalgia para tentar se vender como conclusão épica.
É um filme ruim? Não totalmente. Há bons momentos, sequências empolgantes. Em certos trechos, parece até que sabiam o que estavam fazendo. Mas, no geral, é longo, cansativo e frustrante.
É um filmão, mas está longe de ser um filmaço. Uma pena. Gosto muito da franquia. Mas esse possível final, sinceramente, me decepcionou.






Comentários 0
Ainda não há comentários.