Consertando filmes idiotas como G20 (os terroristas sempre subestimam o presidente)

Críticas Gerais

Vai começar como qualquer outro dia. Quando nossa bandeira cair, nossa nação se levantará. Nunca subestime um patriota. O destino de uma nação depende da coragem de um homem.

 

Esses slogans pertencem a quatro filmes diferentes, tão genéricos que, quando colocados juntos de maneira aleatória, ainda funcionam. Eles contam uma historinha. 

 

Neste ponto, “o Presidente dos Estados Unidos mandando ver” já se tornou um subgênero de filmes de ação, daqueles que o pai de todo mundo adora. O problema é que eles são péssimos. São todos cópias um do outro. 

 

Por exemplo, assisti recentemente a G20 (2025), original do Prime Video, em que Viola Davis interpreta uma presidente durona que luta contra terroristas em uma cúpula do G20. Isso me lembrou Força Aérea Um, no qual Harrison Ford interpreta um presidente também durão que luta contra terroristas a bordo do Força Aérea Um. 

 

E como podemos falar desse subgênero sem mencionar Invasão a Casa Branca ou O Ataque? Ambos têm uma pequena mudança: o presidente é o ajudante e há outra pessoa que faz a maioria do extermínio dos terroristas. 

 

Esses filmes têm tanto em comum que é um milagre que eles não estejam processando uns aos outros o tempo todo por violação de direitos autorais. Eles são apenas um entretenimento bobo, mas estão ficando tão estereotipados que está cada vez mais difícil acompanhá-los. 

 

Entretanto, devo dizer que há uma coisa em que são ótimos: as cenas dos ataques. São sempre divertidas, mas tudo vai por água abaixo depois.

 

 

Como eu ainda continuo vendo esses filmes, pensei em algumas ideias que poderiam ajudar a salvar o subgênero.

 

“A Queda do Presidente”

 

Claro, não consigo consertar G20. Já está por aí, transmitindo sua mediocridade para o mundo. No entanto, posso oferecer outra coisa. Se você combinar os pôsteres desses tipos de filmes e pedir ao ChatGPT para fazer um novo, teremos esta obra-prima (que eu traduzi para “A Queda do Presidente”):

 

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Conheça James Potus, o Presidente.

 

 

Ele até criou seu próprio slogan, “Um juramento deve ser mantido”. Que juramento é esse, e quem o está quebrando? Não se preocupe, tudo será explicado.

 

Com isso, temos 85% do nosso filme concluído. Já conhecemos nossos principais objetivos, como uma grande sequência na qual o Força Aérea Um colide com a Casa Branca (pelo menos é o que o pôster indica). Existe um juramento e alguém ou alguma coisa irá tentar quebrá-lo.

 

No entanto, os outros 15% irão determinar se “A Queda do Presidente” será um sucesso ou um fracasso.


A traição vem de dentro da casa

Um tropo clássico nesses filmes é que o presidente sempre é traído por alguém de seu círculo mais próximo. Quanto mais próximo o traidor, maior será a dor.

 

O problema é que os filmes nem tentam esconder quem será o traidor. Veja G20, por exemplo. É dito nos primeiros cinco minutos que o melhor amigo da presidente perdeu a eleição contra ela. No subgênero dos filmes de presidente, esse é o maior alerta de perigo.

 

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Ele não quer fazer isso, mas terá que fazer.

 

Para consertar isso, a identidade do traidor em “A Queda do Presidente” será um mistério. Um verdadeiro enigma.

 

O presidente irá reunir pistas enquanto enfrenta os bandidos. Não será fácil, as pistas serão contraditórias ou falsas, levando a becos sem saída. A subtrama principal será a tentativa de James Potus em descobrir quem deixou os terroristas entrarem na Casa Branca.

 

No confronto final, o público terá uma lista de potenciais traidores e suas motivações. Para levar esse filme a um território shakespeariano, o traidor será Angus Potus, irmão do presidente e chefe do Serviço Secreto. Irmãos de criação e de sangue, mas divididos pela política. Uma metáfora rasa como um pires para a divisão interna da política dos Estados Unidos. Perfeito.

 

Esses filmes precisam de bandidos competentes

 

pastedGraphic_1.pngEle tentou pegar a bolsa dela.

 

Depois, temos o outro vilão, o terrorista-chefe. O problema é que eles sempre são péssimos. Um filme de ação é tão bom quanto o antagonista. Se o cara for um idiota desajeitado, toda cena de ação será uma sequência de tiro, soco e piadinha sem graça.

 

Em G20, o vilão de Antony Starr é brando, genérico e sem graça. Ele não parece ser uma ameaça.

 

Fisicamente, ele perde uma briga contra Viola Davis. Talvez ela me daria uma surra na vida real, mas não sou um soldado das Forças Especiais da Austrália. Ela está sozinha, cansada, ferida e aposentada. Ele deveria vencer, e o filme deveria reconhecer isso e apresentar maneiras mais criativas para que Viola Davis equilibre as coisas.

 

E qual é o plano dele? Ele mexe com criptomoedas. É isso, basicamente. Todo o seu plano é criar deepfakes de líderes mundiais para afundar suas moedas e aumentar o valor da própria carteira digital. Não entendo muito sobre o assunto, mas esse plano me parece terrivelmente idiota.

 

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Quando foi a última vez que Jason Statham interpretou um vilão?

 

 

O bandido precisa ser uma ameaça real. Todo mundo sabe que o presidente vence no final, mas em “A Queda do Presidente”, nunca temos garantia de nada.

 

Em nosso filme, William Kade, o líder terrorista, é uma verdadeira ameaça física, intelectual, espiritual e política. Um ex-agente da CIA, desiludido e poético. Os Estados Unidos falharam com ele. O juramento não foi cumprido.

 

Talvez a esposa dele tenha sido morta em um ataque que poderia ter sido evitado, mas o governo decidiu deixar acontecer. Algo assim. Só podemos ir até aí, infelizmente. É necessário parecer que ele tem razão, mas nenhuma política genuína ou alusões à vida real podem ser feitas. Devemos caminhar sobre uma linha tênue entre dar ao bandido uma motivação que pareça justificada, sem alienar o público.

 

Mas esse é apenas o tropo. O que realmente torna Kade perigoso é que ele não é um completo idiota. E como sabemos disso? Porque ele, de fato, teve sucesso em seu plano.

 

A cena onde eles realmente atuam

 

Todos esses filmes têm uma cena assim. A cena que vale o pagamento de um vencedor do Oscar.

 

Em “A Queda do Presidente”, James Potus grava uma mensagem de despedida para a nação. Ele fala sobre curar o país e diz à filha que está orgulhoso dela.

 

A honestidade foi o que elegeu James Potus: ele admite que Kade está certo. O ataque que matou sua esposa nunca deveria ter acontecido. Kade tem todo o direito de estar ressentido com os Estados Unidos, mas a verdadeira justiça deve prevalecer. Potus se oferece para investigar o ataque.

 

A mensagem vaza na internet durante o ataque. Todos os cidadãos do país a ouvem. A guerra foi travada.

 

Por um lado, Kade venceu. Ele conseguirá justiça para a esposa. Por outro, ele estava errado sobre o povo. Eles não vão se render. Ele fica possesso.

 

O confronto final é mais do que apenas brigas

 

É claro que o presidente deve sempre lutar contra o bandido no combate corpo a corpo. Infelizmente, é chato, toda vez. E sempre acaba em enforcamento. Sempre. Não importa o que aconteça na luta, eles acabarão enforcando um ao outro.

 

Acho que o problema é que as lutas são extremamente genéricas. Um confronto não deve se resumir a socos. Já vimos isso um milhão de vezes.

 

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Seria muito mais épico no filme real, não se preocupe.

 

 

É agora que “A Queda do Presidente” realmente subverte as expectativas.

 

Kade captura Kimberleigh Potus, a filha do presidente. O confronto final no Lincoln Memorial, sob o olhar de Abraham Lincoln, é transmitido em todas as telas do planeta.

 

O presidente chega para lutar. A bandeira dos Estados Unidos, a arma de sua escolha, está enrolada em seus ombros. Mas Kade tem outros planos. Ele não quer brigar com um velho cansado, mas, sim, comover os corações da nação.

 

O último ato do filme é um debate/drama de tribunal nas escadarias do Lincoln Memorial, transmitido ao vivo para todo o mundo.

 

Ambos são iguais em inteligência. Potus tinha uma habilidade para debates, provavelmente o que lhe fez ganhar a eleição, mas Kade vinha planejando isso há anos. O debate segue, a intensidade aumenta, mas nenhum soco é dado. Não há mais necessidade de violência.

 

Kade é implacável. Ele é um especialista em retórica, muito mais mortal do que qualquer lutador. Com um golpe de mestre, ele finalmente faz Potus confessar: o presidente poderia ter impedido o ataque que matou a esposa de Kade, mas decidiu não fazer isso, assim, o juramento foi quebrado.

 

A nação também se quebra. Potus está derrotado e sabe que é o responsável por tudo. Kade sustenta uma posição moral elevada. A única coisa que resta é executar o presidente... mas ele se nega.

 

Silêncio. O presidente desacreditado sabe o que precisa fazer. Ele pega a bandeira, dobra-a cuidadosamente e coloca-a aos pés de Lincoln. Ele falhou com os Estados Unidos e com seu juramento. Kade se dirige à nação: “Os Estados Unidos não são o presidente. Os Estados Unidos são vocês, cada um de vocês, juntos”.

 

Esta é a verdadeira reviravolta na história: não existem mocinhos e bandidos quando uma nação está dividida.

 

A ideia não é deixar esses filmes “inteligentes”, porque eles não deveriam ser. Eles precisam ser idiotas. Mas algo idiota pode ser bom, pode ser divertido e pode render uma ação estúpida e reviravoltas surpreendentes. Esse é o juramento deles, que deve ser cumprido.

 

Netflix, se quiser, é só chamar.

 

 

 

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