Uma nova era para a Bruxa Má de Oz!
RecomendaçõesEntramos em uma nova era. Já se foi o tempo em que a Bruxa Má do Oeste não passava de uma vilã de pele verde com uma risada maligna. Com Wicked (2024), estamos vendo um novo tipo de bruxa — uma que não é apenas incompreendida, mas que desafia a própria ideia do que significa ser “má”. Esse é o momento em que a figura mais icônica de Oz passa por uma transformação muito necessária, não apenas em termos de aparência, mas na forma como percebemos seu poder, suas dificuldades e seus relacionamentos.

O Mágico de Oz não é só uma história, é um mito norte-americano — uma lenda do bem contra o mal, do desejo de pertencer e, ao mesmo tempo, ansiar pela liberdade. Está tão incorporado à cultura pop americana quanto a torta de maçã e o beisebol. Assim, quando um filme tão grande quanto Wicked aparece, desafiando ideias antigas de gênero, poder e identidade, a sensação é a de ver alguém entrando em um terreno sagrado e ateando fogo em tudo. E o fato de ser um blockbuster para toda a família é a cereja do bolo.
Wicked não está interessado em simplesmente reescrever a narrativa, mas todo o conceito da Bruxa Má. O filme inverte o roteiro da tradicional rivalidade feminina — esqueça o clichê da “bruxa ciumenta”, vemos algo mais profundo aqui: uma exploração com nuances de poder, respeito e amizade feminina. Não é só sobre duas mulheres brigando pelo mesmo homem (vamos deixar essas histórias cansativas para trás), mas sobre um vínculo que evolui da competição para a compreensão e para algo que está profundamente enraizado no amor e na solidariedade. Essa não é uma história de origem da vilã comum.
O que faz com que Wicked se destaque é o fato de que vê com outros olhos os estereótipos e preconceitos que há muito atormentam os personagens de Oz, especialmente as mulheres. Glinda, a bruxa “boa”, não é uma santa, e Elphaba, a bruxa “má”, não é um monstro. O filme é um protesto — sutil, é claro — contra os rótulos e as expectativas que a sociedade impõe às mulheres para que caibam em pequenas caixas. Trata-se de questionar como definimos o poder e a liberdade e o que acontece quando as mulheres assumem o controle das próprias narrativas. Há uma rebelião silenciosa em cada quadro, mesmo que o filme tenha o cuidado de não alienar os espectadores.

É claro que não vamos fingir que Wicked não é, em sua essência, um blockbuster comercial voltado para o grande público. O filme não é muito profundo ou ousado, mantendo todo o brilho, glamour e números musicais grandiosos que você esperaria de uma adaptação do Mágico de Oz. Há macacos voadores, animais falantes e brilho suficiente para que você queira comprar uma varinha coberta de glitter. Mas, sob todo esse charme colorido, há comentários sobre a dinâmica de poder, as lutas de identidade e os relacionamentos complicados que nos moldam. Esperamos que esse tipo de narrativa estabeleça uma tendência para futuros sucessos que ousem perguntar: “E se o vilão não for tão malvado, afinal?”.
Não é só sobre entreter uma nova geração, mas, sim, nos forçar a confrontar verdades incômodas e, ao mesmo tempo, nos dar material para cantarolar. Claro que estamos aqui pelo espetáculo — os cenários são de cair o queixo, os figurinos, hipnotizantes, e as coreografias vão te fazer querer dançar e fugir para uma terra fantástica. Porém, em sua essência, Wicked nos pede para reconsiderarmos quem rotulamos como malvado: seria a mulher de pele verde, ou aqueles que temem seu poder e tentam derrubá-la? Com certeza vale a pena refletir sobre essa pergunta.
Personagens femininas ainda são frequentemente definidas por seus relacionamentos com homens ou por sua capacidade de conseguirem se moldar para caber em pequenas caixas; assim, Wicked é uma lufada de ar fresco muito necessária. Ele diz que você pode ser forte, poderosa e, sim, assumidamente "má", mas, ainda assim, ser a heroína da própria história. A Bruxa Má do Oeste voltou e está reescrevendo as regras. E eu vou acompanhar tudo isso.









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