O Manuscrito de Saragoça

O Manuscrito de Saragoça (1965)★ 7.9/10

The Saragossa Manuscript

PL · 182 min · 9 de fevereiro de 1965

  • Aventura
  • Drama
  • Fantasia
  • História
  • Horror
  • Mistério

Direção: Wojciech Has

Roteiro: Jan Potocki, Tadeusz Kwiatkowski

Um oficial espanhol encontra um manuscrito que conta a jornada de seu avô pela Sierra Morena, repleta de encantos e histórias entrelaçadas.

Elenco e equipe

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Críticas

Nnatan vinicius11 de outubro de 2026
Contém spoilers
Uma espécie de Ugetsu (Contos da Lua Vaga, de Mizoguchi) em trama em forma, uma adaptação considerável de 3h3m que adapta o livro de Jan Potocki, Influenciado pelo clássico Decamerão, de Boccaccio, Has o adapta com a mesma austeridade a qual alguém adaptaria as Mil e Uma Noites. O filme é de várias formas psicodélico, como uma obra desse calibre e formato de ser contado; ou melhor: onírico, sem deixar de parecer uma história fantástica de livro, mas sendo quase real, se me prendessem numa caverna como nos mitos de Platão, e me mostrassem esse filme, eu acreditaria que a vida do lado de fora, a vida virada para o “sol” era cheia de devaneios, permitindo que o sobrenatural fantástico possa invadir a história através dele. Wojciech J. Has fez esse filme apenas dois anos antes do trágico e letal acidente de seu protagonista, interpretado por Zbigniew Cybulski numa de suas atuações que menos se parece com ele, devo admitir ter demorado perceber que era Cybulski no papel, mesmo tendo visto Cinzas e Diamantes, poucos dias atrás, Cybulski morreu poucas horas depois de ser atropelado por um trem ao tentar pular num vagão, em 1967, aos 39 anos. Novamente; o filme impressiona com sua qualidade técnica e beleza de suas imagens, cenários realmente bélissimos, o que facilitam bastante a produção de imagens realmente belas, as sequências mais bonitas são em sua grande maioria, aquelas onde o diretor rege com sagacidade, os personagens são no mínimo excêntricos, e é perceptível como que os enforcados são um portal para aquele mundo inverso ao nosso, onde a magia e a fantasia são poentes são possíveis como o pôr do sol, que pouco aparece na fotografia preto e branco desse filme, tanto os cenários interiores que parecem subterrâneos ou a cena maluca onde a música dos títulos e dos créditos retorna para tocar como um épico e repetir as belas imagens dos créditos já mencionados.

A cidade espanhola que dá nome ao filme, Saragoça, é explêndida e fantástica, de todas as formas que se possa imaginar, sendo até mesmo espantosa; a beleza das atrizes que interpretam as irmãs de forma hipnótica, é isso também: um misto entre hipnose e beleza que agarra o protagonista e já não solta mais, agarrando-o como imãs; se eu fecho meu par de olhos e imagino num David Lynch polonês só poderia pensar em Has, ou melhor: se eu imaginasse um Wojciech Has americano, minha mente só buscaria à Lynch, com seu estilo característico e expoente do expressionismo alemão e do surrealismo latino, como das obras de Buñuel (que fez questão de ver e rever esse filme três vezes, algo fora do comum em sua cinefilia), ou as do gênio, mas asqueroso, Salvador Dali. Os personagens tem características especificas empregadas particularmente por seus atores e atrizes, tem nomes importantes na monarquia espanhola, como Donnas e Dons, além de Condes e “Señores”.

Retornando à Lynch, tanto Alfonse Van Worden, quanto Dale Cooper, estão entre a cruz e a espada, vivendo e passando por terrores numa cidade que pouco conhecem, mas que se apaixonam, sejam por sua estrutura e paisagem; ou de seus habitantes, novamente quero retomar sobre como eu acredito que o personagem de Cybulski, quando passa pelos irmãos criminosos enforcados, ele não apenas atravessou um portal; entre o real e o real fantasioso, como liberou as criaturas que habitavam o lado de lá, as cenas são ainda mais repetitivas pela desgraça de Saragoça, que vive constantes saques e invasões.